Ele está esperando por mim para o texto dele

Não sou o dono da verdade,mas Ele é.(Jo14:6)'Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.' Ele é a verdade,a salvação.Sua palavra é reta,sem desvios,sem atalhos.Resposta para tudo. Não sei dos problemas e lutas que está enfrentando neste momento.Deus sabe.Ele é onisciente(tem o Se alguém em sua vida está celebrando suas vitórias como se fossem das dele, pode ter certeza que ele realmente sente algo intenso por você. Além disso, significa que ele já se sente parte da sua vitória por estar ao seu lado. Afinal, o amor é fazer parte, contribuir e compartilhar a felicidade com o outro. Ao falar, olhe diretamente para ele e incline o corpo para frente. Isso demonstrará que você está dedicando toda a atenção a ele. Isso também inflará o ego dele se houver outros homens por perto. De forma casual e delicada, encoste nele durante a conversa. Ele conta para o pai como está se sentindo e o pai mostra empatia e entende a situação dele. Daí, o pai toma algumas medidas para mostrar para o filho que ele é bem-vindo de volta; não como um empregado, mas como um membro querido da família. Para deixar isso claro, o pai manda preparar uma festa para o seu filho arrependido e dá a ele ... Mensagens como essas só farão ele se sentir apreciado e grato por ter uma mulher que é capaz de reconhecer as coisas que ele tem feito por você. Ele se sentirá tão sortudo que não hesitará em fazer mais e cada vez mais por você. Para a sua felicidade. Porque ele saberá que está sendo um herói em sua vida. #05 “Quando Estamos ... E quando me perguntam onde é que meu amor está, eu sempre respondo a mesma coisa: “Independente de onde ele estiver, ele está esperando e olhando por mim, e nosso amor estará para sempre vivo nos corações daqueles que fizeram parte dessa história. Eu sinto que ele ainda está em mim, e para sempre estará”. — sou-a-pequena-dele O que foi que Ele fez por nós? Ele é o Filho de Deus que deixou a glória que teve com o Pai desde a eternidade. Ele a Si mesmo Se humilhou, tomou a forma de Servo, foi visto caminhando aqui como um homem, o fraco e humilde Jesus do qual está registrado: “Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a Tua vontade” (Hb 10:7). Tente não pensar nisso o tempo todo. É compreensível estar preocupada por ele saber que você gosta dele, mas ficar pensando nisso a todo momento é o pior que você pode fazer. Tente se distrair, ocupando-se das atividades do diárias. Evite-o por um ou dois dias se precisar de tempo para se acalmar. Você deixará a imaginação dele viajar,só ele sabe o que parece com essa linda calcinha. ... um conjunto de renda vermelha está esperando para ser removido descontroladamente. ... Espero que essa lista de 30 Frases sensuais por mensagem para enviar para ele sem ser vulgar para deixa-lo louco por voc ... Oração para ele pensar em mim: Oração Para Ele Sentir O Mesmo Por Mim Oh Deus poderoso, por favor me ajude Estou obsessivamente apaixonado por este homem e gostaria que ele sentisse o mesmo por mim. Eu gostaria que ele me amasse. Por favor, traga-o de volta para mim e faça com que ele fale comigo novamente. Eu…

O que as profecias em Sonho Febril nos dizem sobre as profecias em ASOIAF

2020.09.11 03:02 altovaliriano O que as profecias em Sonho Febril nos dizem sobre as profecias em ASOIAF

UM ALERTA BEM ÓBVIO:
Este texto contém muitos spoilers de Sonho Febril.
Siga lendo por sua conta e risco.
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Sonho Febril é um livro singular. Não só é uma grande reformulação do mito do vampiro, como também um grande exercício de reformulação da história de nosso mundo para comportar novos mitos sobre vampiros. Dito de outra forma, percebemos que Martin quase criou um mundo secundário quando quis contar as histórias e lendas do Povo da Noite, e por isso é inescapável a sensação de que estamos lendo um rascunho dos temas mais tarde explorados por ele em Crônicas de Gelo e Fogo.
Um desses temas me chamou a atenção de forma especial: a existência de uma lenda sobre um salvador da raça. Quando Joshua York conta a Abner Marsh sobre seus primeiros encontros com outros vampiros e sua cultura, ele conta a lenda bem peculiar sobre o “Rei Pálido”:
De todas as bocas ouvi uma lenda de uma cidade que construímos, uma grande cidade da noite, feita em ferro e mármore negro dentro de algumas cavernas escuras no coração da Ásia, junto às praias de um rio subterrâneo e de um mar nunca tocado pelo sol. Muito antes de Roma ou mesmo de Ur, nossa cidade havia sido grande, garantem eles, em flagrante contradição com a história que haviam me contado antes, de que corríamos nus por florestas de inverno iluminadas pela lua. Segundo o mito, fomos expulsos de nossa cidade por algum crime, e vagamos esquecidos e perdidos por milhares de anos. Mas a cidade estaria lá ainda, e algum dia irá nascer um rei para o nosso povo, um mestre de sangue maior do que qualquer um que já tenha existido, que reúna nossa raça dispersa e nos conduza de volta à cidade da noite junto ao seu mar sem sol.
Abner, de tudo que ouvi e aprendi, esse relato foi o que mais me impressionou. Duvido que exista uma grande cidade subterrânea como esta, duvido que jamais tenha existido, mas o próprio fato de se contar uma história assim prova a mim que meu povo não era feito desses vampiros maus e vazios da lenda. Não tínhamos arte, nem literatura, nem mesmo uma língua própria, mas a história me mostrou que tínhamos a capacidade de sonhar, de imaginar. Nunca construímos, nunca criamos, apenas roubamos seus trajes e vivemos em suas cidades e nos alimentamos da sua vida, da sua vitalidade, do seu sangue, mas éramos capazes de criar; se nos fosse dada a oportunidade, tínhamos em nós a capacidade de sussurrar histórias de cidades nossas. A sede vermelha tem sido uma maldição, tornou inimigas a nossa raça e a sua, destituiu meu povo de quaisquer aspirações nobres. O selo de Caim, sem dúvida.
Tivemos nossos grandes líderes, Abner, mestres de sangue reais e imaginados, em eras passadas. Tivemos nosso César, nosso Salomão, nosso João, o Presbítero. Mas estamos esperando nosso libertador, esperando nosso Cristo.
(Sonho Febril, Cap. 14)
O Povo da Noite tinha portanto duas contingências que o Rei Pálido surgiria para resolver: 1) devolvê-los à sua cidade mística ao abrigo do sol e 2) libertá-los da sede por sangue (sede vermelha). Quando Joshua traz sua bebida neutralizadora da sede aos vampiros que o serviam, imediatamente eles passam a vê-lo como o salvador das lendas:
No aconchego das ruínas daquele sombrio castelo, ouvindo o vento uivar lá fora, Simon e os outros tomaram minha bebida, contaram-me histórias e me examinaram atentamente com seus olhos poderosos e febris, e fiquei imaginando o que poderiam estar pensando. Cada um deles era centenas de anos mais velho do que eu, mas eu era mais forte, eu era o mestre de sangue. Eu lhes trouxera um elixir que bania a sede vermelha. Eu parecia quase semi-humano. Abner, eles me viam como o libertador da lenda, o prometido rei dos vampiros. E eu não podia negar isso. Era o meu destino, soube então, libertar minha raça das trevas.
(Sonho Febril, Cap. 14)
Este tipo de profecia que envolve o nascimento de algum monarca que salvará uma raça inteira e libertá-la de suas contingências também aparece em ASOIAF na figura de Azor Ahai, mais especificamente em sua versão ocidentalizada: O Príncipe que foi Prometido.
Sabemos que a Azor e o Príncipe são lendas sinônimas porque os elementos das histórias se combinam. Nascido entre sal e fumaça, sob uma estrela que sangra, lutaria contra um grande mal e traria um verão que não acabaria nunca. Mas a novidade (para mim, ao menos) foi perceber que este tipo de profecia já havia sido trabalhada na bibliografia de Martin anteriormente na forma do Rei Pálido do Povo da Noite em Sonho Febril.
Diante de tantas semelhanças, torna-se interessante analisarmos como o tema se resolveu na obra mais antiga para termos um vislumbre do caminho que GRRM pode estar tomando nas Crônicas e entender qual é a abordagem que o escritor pretende adotar.
1) Os homens definem as profecias, não o contrário
Em Sonho Febril o vampiro Joshua usa sua confiança na profecia do Rei Pálido para tentar convencer um vampiro muito mais antigo, poderoso e cruel chamado Julian a se aliar a ele, libertar os vampiros que estão só seu poder e experimentar a bebida que aplaca a sede vermelha. Esta tentativa diplomatica, no entanto, não era a única que Joshua tinha em mente, pois estava determinado a tentar subjugar o vampiro mais poderoso, confiante que estava de ser o tal rei lendário do Povo da Noite.
Entretanto, todas as alternativas falharam e o vampiro que acreditava ser o escolhido foi subjugado pelo vampiro mais antigo por treze anos, até que conseguiu fugir definitivamente. Em uma fuga menor durante o início desta longa subjugação, Joshua acaba por causar a morte de uma amiga vampira (Valerie) ao trazê-la consigo. Ela era uma das pessoas que mais acreditavam na predestinação messiânica de Joshua.
Uma hora, Valerie soltou um grito, como se passasse por uma dor terrível. Joshua abriu os olhos e curvou-se em cima dela, acariciando seu longo cabelo preto e cochichando em seu ouvido. Valerie choramingava. — Achei que você fosse o enviado, Joshua — disse ela. — O Rei Pálido. Pensei que você havia chegado para mudar tudo, para nos resgatar. — O corpo dela tremia todo enquanto ela tentava falar. — A cidade, meu pai me falou sobre a cidade. Ela existe, Joshua? A Cidade Escura?
Silêncio — disse Joshua York. — Fique em silêncio. Senão você vai enfraquecer ainda mais.
(Sonho Febril, Cap. 28)
No momento em que Joshua se despede de Abner para voltar às garras de Julian, o vampiro derrotado ressalta o quanto de dano ter acreditado na profecia lhe causou:
Você é meu amigo, mas eles são sangue do meu sangue, meu povo. Eu pertenço a eles. Eu até achei que fosse o rei deles.
Seu tom era tão amargo e desesperado que Abner Marsh sentiu sua raiva indo embora.No lugar instalou-se a compaixão. — Você tentou — disse ele.
E fracassei. Fracassei com Valerie, com Simon, fracassei com todos que acreditaram em mim. Com você, com o senhor Jeffers e com aquele bebê também. Acho que fracassei até com Julian, de algum modo estranho.
(Sonho Febril, Cap. 29)
Portanto, o que Martin demonstra é que Joshua fazia uma avaliação irreal de suas capacidades. Ele não demonstrava nenhuma capacidade em especial fora a inteligência para criar a bebida que combinava ingredientes capazes de aplacar a sede vermelha.
Entretanto, Joshua deduziu que sua invenção correspondia à “libertação” dos vampiros dita na profecia, ainda que tenha descartado a parte sobre a existência da cidade para onde o Rei Pálido deveria levar seu povo.
Em sua mente, ao preencher o primeiro requisito e considerar que o segundo era bobagem e invenção, Joshua achava que havia preenchido todos os requisitos “sólidos” da profecia e assim se convenceu de que era o Rei Pálido. Porém, o vampiro deveria ter refletido que se uma parte da profecia poderia ser considerada bobagem, a outra parte também poderia ser.
A lição que Martin parece explorar aqui é a que as profecias não se tornam verdade e apontam para você se você preenche os requisitos. Menos ainda se você só preenche os requisitos que você considera importantes ou legítimos.
2) Eventos únicos e excepcionais não são confirmações de profecias
Para adicionar mais uma camada de confusão, Martin faz com que a profecia pareça ter funcionado. Ouvimos o relato de um acontecimento inesperado e excepcional ocorrido em segundo plano (offpage) que funciona como uma vitória tardia de Joshua sobre Julian, reacendendo as esperanças dos protagonistas (e do leitor):
Eu contra-ataquei — disse Joshua. — Eu estava louco, Abner. Eu o olhei nos olhos e o desafiei. Eu contra-ataquei. E dessa vez venci. Ficamos lá em pé por uns bons dez minutos, e finalmente Julian virou as costas, resmungou algo e se retirou. Subiu a escada até o seu camarote, com Sour Billy apertando o passo atrás dele, e o resto do meu pessoal ficou olhando para mim de olho arregalado, todos eles muito assustados. Raymond Ortega deu um passo à frente e me desafiou. Em menos de um minuto, estava ajoelhado à minha frente. “Mestre de sangue”, disse ele, curvando sua cabeça. Então, um por um, os outros começaram a se ajoelhar. Armand e Cara, Cynthia, Jorge e Michel LeCouer, até Kurt, todos. Simon tinha um ar de vitória no rosto. Os outros também. Julian exercera um domínio que havia sido penoso para vários deles. Agora estavam livres. Eu subjugara Damon Julian, apesar de toda a sua força, apesar de toda a sua idade. Era o líder do meu povo de novo. Eu compreendi então que estava diante de uma escolha. A não ser que agisse, e rápido, o Fevre Dream seria descoberto, e eu, Julian e toda a nossa raça seríamos mortos.
(Sonho Febril, Cap. 31)
Entretanto, como sabíamos que se tratava de um relato do passado, e Joshua a esta altura do livro estava novamente sozinho na clandestinidade, procurando desesperado a ajuda de Abner, não havia como aquilo ter tido um desfecho positivo:
Em uma noite tenebrosa, Damon Julian saiu do seu camarote. Ele ainda morava no vapor, como alguns dos demais, aqueles que lhe eram mais próximos. [...] Quando voltei ao Fevre Dream, descobri que dois dos prisioneiros haviam sido tirados dos seus camarotes e mortos. [...] Eu estava furioso e enojado. Trocamos palavras duras e decidi que aquele seria o último crime da sua longa e monstruosa vida. Eu ordenei que ele me encarasse. Pretendia fazer com que se ajoelhasse e me oferecesse seu sangue, várias vezes, se preciso, até que fosse meu, até que ficasse esgotado, vencido e inofensivo. Ele se ergueu e me encarou, e então… — York deu uma risada desesperançada, penosa.
Ele ganhou de você? — arriscou Marsh.
Joshua assentiu. — Com facilidade. Como sempre fizera antes, exceto naquela única noite. Eu tentei juntar todas as minhas forças e toda vontade e raiva que havia em mim, mas eu não era páreo para ele. Nem mesmo Julian esperava isso, acho. — Ele balançou a cabeça. — Joshua York, rei dos vampiros. Eu falhei com eles de novo. Meu reino durou apenas uns dois meses, pouco mais. E, nos últimos treze anos, Julian tem sido nosso mestre.
(Sonho Febril, Cap. 31)
Ainda que este momento de vitória efêmera de Joshua ocorra no fim do livro, parece ficar claro que a morte de Julian não acarreta na veracidade da profecia, até mesmo porque a decisão de matar Julian não tinha mais ligação com a libertação dos vampiros em geral.
Portanto, a conclusão a que George parece que cheguemos é a ocorrência de eventos excepcionais não necessariamente implicam na realização ou confirmação de profecias.
3) Relação com as Crônicas de Gelo e Fogo
Diferentemente do que ocorre em Sonho Febril, alguns personagens importantes de As Crônicas de Gelo e Fogo já demonstraram ceticismo quanto a natureza da profecia.
Arquimeistre Marwyn é um personagem citado nas Crônicas desde o primeiro livro da saga e em sua primeira aparição ele assim comenta as suspeitas de Meistre Aemon sobre Daenerys ser a realização da profecia do Príncipe que foi Prometido:
Meistre Aemon acreditava que Daenerys Targaryen era a realização de uma profecia... Ela, não Stannis nem Príncipe Rhaegar, nem o principezinho cuja cabeça foi atirada contra a parede.
Nascida entre o sal e o fumo, sob uma estrela sangrenta. Conheço a profecia – Marwyn virou a cabeça e escarrou uma bola de muco vermelho para o chão. – Não que confie nela. Gorghan de Velha Ghis escreveu um dia que uma profecia é como uma mulher traiçoeira. Mete o seu membro na boca, você geme de prazer e pensa, “que maravilha, que agradável, que bom isto é”... E então seus dentes se fecham e seus gemidos se transformam em gritos. É essa a natureza da profecia, Gorghan disse. A profecia sempre arranca seu pau a dentada – mascou durante algum tempo. – Mesmo assim…
(AFFC, Samwell V)
Comparando com o que vimos em Sonho Febril, Marwyn parece estar falando sobre como profecias podem funcionar como uma forma agradável de autoindulgência, mas que toda essa permissividade pode se virar contra você.
Quase nas mesmas linhas, Tyrion explica que as profecias as vezes apenas parecem úteis, mas quando são colocadas a provam, inevitavelmente se viram contra quem se vale delas.
Uma profecia é como uma mula semitreinada – reclamou para Jorah Mormont. – Parece que será útil, mas no momento em que você confia nela, ela o chuta na cabeça.
(ADWD, Tyrion IX)
De certa forma, a profecia do Rei Pálido somente funcionou para Joshua enquanto ele entrava em contato com pessoas dispostas a acreditar naquilo após ver os efeitos de sua bebida. Quando ele encontrou uma criatura de má índole como Julian, porém, tudo que o messianismo dele fez foi despertar animosidade e inveja em um vampiro mais poderoso.
No caso da profecia do Príncipe que foi Prometido, os candidatos podem vir a ser requisitados a realizar atos monstruosos em nome da destruição dos Outros. Mas também o vínculo desta profecia com a religião do Deus Vermelho pode se tornar apenas um gatilho para despertar animosidade naqueles que cultuam as religiões dominantes em Westeros (Fé dos Sete e Deuses Antigos). Por outro lado, como supostamente só pode haver um único escolhido de R’hllor, pode haver disputadas de legitimidade entre os supostos escolhidos.
O que Sonho Febril parece nos mostrar, portanto, é que George não está interessado na investigação sobre a veracidade das profecias. O interesse real do escritor é os tipos de comportamento que as pessoas têm quando são motivados por elas. E pelo que vimos através de Joshua York, as decisões tomadas sob a influência de convicções messiânicas pode custar muito caro.
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2020.08.21 04:22 clzedi "O que sobrou de mim" (Ou "Último texto")

A dor é real. Eu sinceramente não sei o que vou fazer com a minha vida quando acabar de escrever este texto. Tenho seis cartelas de remédio, um licor forte, uma dor calcinante, mas também muita vontade de viver. As cartas estão na mesa.
Escolhi o Reddit por nunca ter usado a plataforma, e sei minimamente como mexer aqui. Perdoe qualquer gafe, confidente anônimo, mas não tenho coragem de expor isso publicamente em minha rede social, pra amigos ou seja lá quem for.
Hoje eu fiz a melhor viagem da minha vida. Sim, viagem, literalmente. 25km de percusso, numa estrada irregular, dirigindo aos máximos 160km/hr. Foi libertador, e tenho extremo pavor dessa sensação: sensação de liberdade completa, sem medo da dor ou da morte. Numa curva mais ou menos na metade do trajeto, um lampejo me bateu, uma pisada mortal no acelerador me jogaria barranco abaixo em um voo de glória rumo a seja lá qual lugar esteja reservado para mim. De repente, estou na pista novamente, a curva feita com uma precisão automática do cérebro. Algo dentro de mim insiste em viver, insiste em lutar.
Eu amo a vida. Eu amo tudo e todas as experiências. Eu sou realizado, tenho conquistas, sonhos que caminham a passos largos ao sucesso, em todas as suas definições. Tenho duas filhas lindas, felizes, carinhosas, o tipo de criança que qualquer pai se orgulharia. São minhas jóias raras, e vou carregar elas comigo dentro do peito eternamente, mesmo que o pior aconteça.
Eu sou casado a 12 anos. Pelo menos era, até uma semana atrás. Minha esposa, sem cobrança, sem reclamação, e tenho certeza, sem nenhum evento extraconjugal, me pediu divórcio.
Parece um resumo porco, mas é simples como parece, e complexo na prática.
A 12 anos atrás, eu era só um garoto com uma mochila de roupas, 25 reais no bolso, um violão nas costas, viajando para outro estado, para conhecer o amor da minha vida que havia descoberto na internet. Desse nossa primeira conversa eu já sabia que ela era a pessoa da minha vida, que tinha descoberto o amor que muitos cantavam em suas poesias, mas eu não conhecia antes dela. Fui para seu estado sem ao menos ver uma foto sua: não me importava qual era seu gênero, ou sua cor ou seja lá o que me esperava. Eu sabia que aquela simbiose não seria acharia em mais ninguém, e ela, independente de quem ela fosse, era a pessoa da minha vida...
... Quando cheguei, pude constatar: ela era linda. Tenho certeza de tê-la visto em meus sonhos de infância. Era linda, era inteligente, era perfeita em tudo.
É incrível como o passado pode ser tão lindo e cruel ao mesmo tempo, e na mesma intensidade.
12 anos...
Construímos uma vida juntos. Não foram tempos fáceis, mas ela continuava perfeita em tudo. Passamos fome juntos. Planejamos e criamos nossas duas filhas juntos. Tivemos crises, e resolvemos juntos. Viajamos juntos. Abrimos juntos nossa empresa. Crescemos juntos. Conquistamos a vida juntos.
12 anos...
Minha filha mais velha acabou de me ligar, interrompendo meu texto e meu devaneio. Tudo está de ponta cabeça, não sei o fazer.
Tomei metade da garrafa e reli o texto. Não me parece grande coisa, e não reflete nem 1% da história em seu contexto original.
Vou nomear esta metade de garrafa de "Coragem". Agora faltam os remédios e a outra metade. O rosto de minha filha está fixado na minha mente.
Há quem acredite em divina providência. Essa coincidência gritante me desestabizou, e ao meu texto, e a sua interpretação, confidente. As palavras já nem fazem mais sentido a essa altura.
Meus dedos estão molhados de lágrimas, bagunçando a tela e impedindo minha escrita. Como eu queria um abraço agora, mesmo que um abraço de um desconhecido... No ombro dele, eu choraria e diria como minha vida foi boa até aquele momento... Contaria todos brilhos nos olhos e frio na barriga que vivi até aquela hora...
Brilho nos olhos que não via mais nos olhos dela no dia em que ela me fez o referido comunicado. Eu estou morto por dentro... Aqui jaz o amor verdadeiro.
Ela está na casa da mãe dela, em depressão. Disse ao psicólogo que ainda me ama, mas por algum motivo, não quer mais viver comigo. Isso é ainda mais castigante, o fato de não saber o que está acontecendo! Eu faria qualquer coisa para vê-la feliz, eu morreria mil vezes por ela, e simplesmente ela me corta, a custos altos, de sua vida.
Eu chorei, entrei em desespero: por que? O que aconteceu? Eu preciso entender! Minha mente está cansada...
O licor é de pêssego. Muito bom, por sinal. Presente de um casal de amigos em comum para nós. Três maços de cigarros estão na cama, e as cartelas esperando serem devoradas... Mas o rosto da minha filha brincando comigo na chamada de vídeo está estampado em todos as quinas do meu cérebro.
A inocência delas me causam inveja num momento como esse. Queria pensar que é tudo passageiro, mas estou apenas esperando o lampejo, o mesmo lampejo da curva, e contando que desta vez minha mente não me proteja.
Você, confidente, pode me chamar de fraco, pensar que eu mereço isso... Eu não ligo. Ainda não cheguei no fundo do poço, mas espero que ele chegue logo. Estou em queda livre, e ganhando velocidade. Enquanto isso, me poupe de palavras e julgamentos vazios de quem não sabe o que é o amor.
O amor é puro, é lindo, e eu amo ela... Esperar essa situação se resolver pode ser o caminho mais sensato, mas é de longe o mais difícil. Sei que ela está doente, sei que não está normal, mas as palavras machucam e as ações mais ainda. Não sei o que vai sobrar de mim se eu decidir encarar este processo.
Eu amo a vida, mas eu quero que essa dor passe.
Filha, o pai te ama.q
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2020.08.19 17:00 fabioassuncao Uma tragédia de três cavaleiros

O texto abaixo é uma tradução da teoria bem conhecida, de mesmo nome, elaborada por u/M_J_Crakehall.
………………………………………………...
Os Ventos do Inverno tem muitos fios de enredo soltos, muitos dos quais são difíceis de adivinhar o resultado. Mas um com muito potencial, mas poucas previsões, é o enredo de Coração de Pedra, que está ligado à história de Brienne, Jaime, Irmandade, Freys de Correrrio e das Gêmeas, Terras Ocidentais e Terras Fluviais. Há tanta coisa acontecendo nesta pequena porção de terra que é difícil apontar o que exatamente acontecerá. Muitos personagens afetam uns aos outros de tantas maneiras que é difícil dizer o que poderia acontecer com todos eles. Hoje, vamos nos concentrar apenas em três, no entanto, e um único evento. Vamos conversar com Senhora Brienne, Sor Jaime e Sor Hyle Hunt.
Em primeiro lugar, um lembrete de onde esses personagens estão atualmente na história. Senhora Coração de Pedra capturou Brienne de Tarth, Podrick Payne e Hyle Hunt. Sob a ameaça da morte dos dois últimos, Senhora Coração de Pedra envia Brienne para encontrar Jaime e trazê-lo para ela. No capítulo de Jaime I em A Dana dos Dragões, Brienne encontrou Jaime e disse a ele que o Cão de Caça está com Sansa e eles devem ir procurá-los. Parece bastante óbvio que Brienne está atraindo Jaime para uma armadilha.
– A garota. Você a encontrou?
– Encontrei – disse Brienne, a Donzela de Tarth.
– Onde ela está?
– A um dia daqui. Posso levá-lo até ela, sor... mas você precisa vir sozinho. Caso contrário, o Cão de Caça a matará.
Agora, podemos debater se Brienne contaria a Jaime sobre o que está por vir. Eu consigo ver que ela contaria a ele e eles se preparariam durante a viagem, mas também pude vê-la mentindo para proteger Podrick e Hyle Hunt. No entanto, acredito que Jaime Lannister ficaria desconfiado e cauteloso no caminho. Claro, quando eles enotrarem Coração de Pedra, haverá algumas discussões entre todos os personagens e um grande diálogo, mas isso seria material para outro tópico. Vamos ao Julgamento de Jaime Lannister. O trunfo de Jaime seria colocar tudo em um julgamento por combate, como é normla entre os seguidores dos Sete e os próprios rebentos de Lannister. Eu considero altamente provável que Thoros de Myr concordasse em fazer um julgamento por combate, pois é o tipo de julgamento praticado pela Irmandade, e assim Coração de Pedra pode não ter opção a não ser concordar, talvez esperando que a justiça divina finamente recaia sobre os Lannisters.
Mas Lady Coração de Pedra não vai deixar isso seguir tão facilmente. Ela tem Jaime Lannister em suas mãos. A traição dele está olhando diretamente para ela. Então ela vai querer um campeão que sabidamente ganhará. E ela se lembra de Brienne e de seu juramento. Senhora Coração de Pedra poderia nomear Brienne como sua campeã, tanto para matar Jaime quanto punir Brienne por sua traição a Senhora Catelyn Stark.
– Não compreendo. O que foi que ela disse?
– Perguntou como se chama essa sua lâmina – respondeu o jovem nortenho com o justilho de pele de ovelha.
– Cumpridora de Promessas – Brienne respondeu.
A mulher de cinza silvou por entre os dedos. Seus olhos eram dois poços rubros ardendo nas sombras. Voltou a falar.
– Não, ela disse. Chame-a de Quebradora de Promessas. Foi feita para a traição e o assassínio. Ela a batiza como Falsa Amiga. Como você.
– Para quem fui falsa?
– Para ela – disse o nortenho. – Poderá a senhora ter se esquecido de que um dia jurou se pôr ao seu serviço?
E agora ... podemos finalmente falar sobre a estrela deste show: Sor Hyle Hunt. Sor Hyle está (ou melhor, estava) a serviço de Lorde Randyll Tarly e era o capitão do portão. Ele deixa Lorde Randyll Tarl. Em parte porque está cansado de Tarly, mas provavelmente para ficar com Brienne e tentar cortejá-la. Diga o que quiser de Hyle Hunt, mas há duas coisas verdadeiras sobre ele: ele é um cuzão e se preocupa com Brienne até certo ponto. Ele é bem aberto sobre querer a mão dela em casamento ou mesmo sobre ir para a cama dela à noite para provar seu valor.
– Deixe a porta do seu quarto destrancada esta noite, e eu me esgueirarei para sua cama para lhe demonstrar a verdade do que digo.
– Se o fizer, será um eunuco quando for embora – Brienne levantou-se e se afastou dele.
Um fato interessante é que quando Brienne lhe diz não, ele escuta e respeita que ela não queira que ele faça isso. Então, ele claramente a respeita. Até certo ponto. Já que fica ambíguo se ele apenas a quer por conta de suas terras. Ele até menciona isso, como uma possível forma de se provar digno dela.
– O que quero ganhar é você, a única descendente viva de Lorde Selwyn. Sei de homens que se casaram com desmioladas e bebês de peito por propriedades com um décimo do tamanho de Tarth. Não sou Renly Baratheon, confesso, mas tenho a virtude de ainda estar entre os vivos. Há quem diga que esta é a minha única virtude. O casamento seria útil para ambos. Terras para mim, e um castelo cheio disto para você – indicou as crianças com um movimento de mão. – Eu sou capaz, asseguro-lhe. Gerei pelo menos uma bastarda, que eu saiba. Não tenha medo, não a obrigarei a acolhê-la. Da última vez que fui vê-la, a mãe me deu um banho com uma panela de sopa.
Veja, eu estou dando bastante destaque ao lado mais leve desse personagem, mas isso é ASOIAF, portanto deve haver um equilíbrio. Hyle Hunt não é um exemplo perfeito de consorte. Longe disso. A primeira vez que ouvimos falar dele é quando Brienne nos conta do jogo que ele inventou para que algum cavaleiro a seduzisse.
Tinham feito uma aposta.
Dissera-lhe que tinha nascido entre três dos cavaleiros mais novos: Ambrose, Bushy e Hyle Hunt, de seu próprio pessoal. Mas à medida que a notícia se espalhava pelo acampamento, outros tinham se juntado ao jogo. Cada homem tinha de comprar a entrada na competição com um dragão de ouro, e a soma total iria para aquele que conseguisse desvirginá-la.
Não era o mais legal dos caras, mas parece que está melhorando. Se não completamente, pelo menos um pouco. Mas o jogo teve um grande impacto em Brienne, como era de se esperar. Então é claro que ela proibiu seus avanços, como deveria. Porém, Hyle Hunt é persistente, como mostrado pelas outras citações acima.
Sabendo que Sor Hyle Hunt é um homem persistente e inteligente, acho que seria provável que se Senhora Coração de Pedra nomeasse Brienne de Tarth como sua campeã, ele se ofereceria para lutar pela Donzela de Tarth. Porém, se ele lutasse contra Sor Jaime Lannister, acredito que perderia e morreria dizendo algo sincero para Brienne ou algumas palavras duras para Jaime.
Em primeiro lugar, acredito que existem algumas razões pelas quais acho que Hyle tentaria lutar contra Jaime Lannister e, no fim, perderia. Uma delas é que ele poderia fazer isso para provar a Brienne que ele se importa com ela e mostrar sua perícia. É algo que ela pode ter visto em sua luta com Rorge, mas Brienne estava um pouco ocupada naquele momento. Outra razão é que quando Jaime e Brienne retornam e interagem com Coração de Pedra, Hyle pode ver o relacionamento deles através de como eles falam e agem e presume o pior. A pior parte de Hyle pode aparecer aqui, enquanto ele desafia Jaime para um duelo não pela liberdade, mas pela mão de Brienne e para irritar o regicida.
Hyle parece ser um bom lutador, se mantendo firme na luta contra Rorge e Dentadas, embora não tenhamos detalhes de suas próprias proezas. Ele tem inteligência e muita autoconfiança, como Bronn.
Sabemos que Hyle pode sentir um certo ciúme de Jaime Lannister e ele não é o tipo de pessoa que desiste de pedir a mão de uma certa mulher em casamento. Como afirmado acima, ele pede diversas vezes, de muitas maneiras diferentes. Também sabemos sobre seu estilo de luta e como ele é observador, podendo até a desafiar Jaime Lannister agora que ele perdeu sua mão em espada. Então, como ele perderia para Jaime? Como Sor Hyle Hunt cairia depois de fazer uma reinvidicação tão grande e ter mostrado alguma destreza na luta contra Rorge e Dentadas?
Bem, temos algumas coisas em jogo aqui. A primeira é que ninguém sabe que Jaime tem treinado sua mão esquerda com Sor Ilyn Payne em segredo. É possível que Jaime tenha aprendido um pouco, e poderíamos ver em uma luta como essa alguma recompensa narrativa para este seu treinamento. Mas isso não quer dizer que Jaime esteja de volta ao que era. Longe disso, ele provavelmente está, no máximo, no nível de esgrima de Balon Swann. Mas só isso não o coloca em pé de igualdade contra Hyle Hunt. Não, Hyle Hunt tem complicadores que ele pode subestimar ou superestimar.
Hyle Hunt tinha sido espancado com tanta violência, que seu rosto estava inchado quase até deixar de ser reconhecível. Tropeçou quando o empurraram, e quase caiu. Podrick o agarrou pelo braço.
– Sor – disse o garoto com ar infeliz quando viu Brienne. – Quero dizer, senhora. Lamento.
Como mostrado acima, Hyle foi espancado até ficar quase irreconhecível. No tempo do duelo, ele poderia ter se curado um pouco, mas quem sabe como isso poderia alterar sua visão, audição ou capacidade de pensamento. Ele ainda poderia estar cansado, sem treinar por algum tempo. Coração de Pedra parece tê-lo mantido acorrentado esperando o retorno de Brienne. Ele estaria fora de forma e exausto, e todos nós sabemos como George joga com o realismo de seu mundo. Isso, combinado com a probabilidade de seu desafio ser feito apenas por despeito, poderia diminuir suas chances contra Jaime imensamente. Ficar fisicamente e emocionalmente exausto depois de muitas surras e esperar que Brienne traga de volta o homem que ela realmente ama pode ter um grande impacto sobre ele em tal luta. Então eu acredito que ele perderia e acabaria morto na lama ou morrendo lentamente,
Mas por que Lady Coração de Pedra deixaria Hyle Hunt lutar no lugar de Brienne? Vamos deixar o motivo óbvio fora do caminho e apontar que ninguém sabe que Jaime conseguiu progredir de volta a uma habilidade mediana com a espada, e sua vitória seria um choque para todos. Assim como a vitória de Sandor contra Beric chocou Arya Stark, a vitória de Jaime chocaria Catelyn morta-viva. Mas há mais do que isso. Alguns membros da Irmandade podem ver algo de poético em Hyle lutando em nome de Brienne e apoiar a decisão. Acho que isso é menos provável, mas pode pesar na escolha de Hyle. Lady Coração de Pedra também pode deixar Hyle participar porque ela não se importa necessariamente com quem mata Jaime, só quer que isso seja feito, e pode pensar que Brienne poderia poupar Jaime, já que ela se importa com ele.
Senhora Coração de Pedra podia até vislumbrar a truculência implícita na oferta de Hyle Hunt e presumir que ele venceria. Afinal, ele trabalhava para Randyll Tarly e uma das poucas qualidades de Tarly é que ele é um bom comandante de batalha. Ela pode assumir que Hyle é um lutador talentoso ou ao menos bom o suficiente para vencer Jaime.
Portanto, analisamos Hyle Hunt e suas motivações, o resultado provável e as razões para Senhora Coração de Pedra concordar com isso. Mas há um motivo pelo qual chamo isso de “Uma Tragédia de Três Cavaleiros”. Seria muito temático e adequado para a história como um todo. O título, é claro, está relacionado à Senhora Brienne, Sor Jaime, Sor Hyle e seus respectivos arcos de cavalaria. Acredito que este capítulo seria da perspectiva de Brienne, para torná-lo ambíguo quanto à verdadeira natureza de Hyle e romantizar parcialmente o momento enquanto ainda se aprofunda naquele realismo que George R. R. Martin ama. Afinal, ele não joga apenas com o lado áspero das coisas. Ele tem uma mão em ambos os mundos. E os outros dois personagens se pareceriam com as diferentes da mesma moeda.
Jaime Lannister veria o lado romântico, o lado do homem lutando pela mulher que ama. Ele pode até ser grato a Hyle por se oferecer no lugar de Brienne. Duvido muito que Jaime queira matar Brienne, e é muito provável que a história de Jaime não termine aqui. Não, ele derrotaria Hyle com prazer aqui se isso significar que ele está seguro e Brienne também. Salvar Podrick também é bom, mas não sabemos bem os sentimentos de Jaime por ele.
Hyle Hunt, no entanto, permaneceria rancoroso da mesma forma que Petyr Baelish. Ele se pareceria com aquele realismo áspero de que fazer algo motivado por malevolência e ciúme se voltaria contra ele. Eu diria que vimos Hyle Hunt como suas melhores intenções durante as viagens com Brienne. Idiota como fosse, ele nunca a forçou ou foi longe demais. E sabemos que George R. R. Martin adora nos mostrar os dois lados de cada personagem. E a última vez que Hyle Hunt esteve em sua pior fase foi no passado.
Acredito que neste momento, em uma explosão de peso emocional, ele viraria a pior versão de si mesmo. Tendo esperado por Brienne sabe-se lá por quanto tempo, apenas para perceber que ela nunca ficaria com ele. Em vez disso, seria trocado por este homem que não apenas quebrou seus juramentos, mas não podia nem mesmo lutar ou proteger sua mulher. Parte de Hyle acreditaria que suas virtudes de cavaleiro implorariam a ele para lutar por ela como qualquer cavaleiro faria. E o que seria mais cavalheiresco do que dois homens adultos lutando na lama por sua liberdade e por uma mulher que ambos amam?
TL; DR - Eu acredito que Jaime exigirá um julgamento por combate, e quando o fizer, Senhora Coração de Pedra irá nomear Brienne de Tarth, mas Hyle Hunt toma seu lugar como campeão por sentir rancor pelo afeto entre Jaime e Brienne. Hyle Hunt luta contra Jaime, mas perde devido ao seu estado de exaustão e ao novo treinamento de Jaime, e morre lá na lama. Uma batalha pela liberdade de muitos e pelo amor de uma mulher, embelezando ainda mais os temas da cavalaria que abrange cada um dos três personagens.
………………………………………….
E vocês, acham que acontecerá assim? Acham que quem será o POV do julgamento de Jaime?
Comentem =)
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2020.08.05 01:13 EmiDeMiiah SOU BABACA POR NÃO ME SENTIR MAL DE TER FICADO COM O MEU "PRIMO"??

Olá! Luba, gatas, editores, papelões, possíveis convidados e turma que está a ler. Irei contar uma história recente que me aconteceu e possivelmente será longa.
(PS: Revisei o texto somente uma vez, então me desculpa qualquer erro)
OBS: Eu sou adotada.
Início da história, a quase dois meses um parente meu faleceu e a minha família não era muito próxima a ele, por motivos do passado, a família dele e a minha eram brigados. Só que com a morte desse parente a gente voltou a se reunir, eles comeram a frequentar nossa casa e a ir em festas com a gente. Entre eles, eu tenho um "primo" que vou chamar de Carl (Nome fictício, adoro). Ele é quase 1 ano mais velho que eu, fora ele tenho mais dois primos e minha prima Tati (Fictício). A quase 1 mês ele tem vindo todo fim de semana pra casa passa o tempo. Jogamos vídeo game, ficamos na piscina, jogos de tabuleiro ou só jogando conversa fora. No dia do meu aniversário de 18, fui para o aniversário de uma prima numa chácara, nesse dia, minha prima Tati não pode ir, somente eu e meus primos, eu passei a maior parte na piscina com Carl. Então a gente se aproximou bastante e nesse dia ele tá muito "carinhoso" comigo (Se é que me entende), mas não fizemos nada. Durante a semana, eu passei a trocar figurinhas com ele, na bagunça mesmo. No fim de semana, sábado, era a festa do meu aniversário e ele tava bagunçando direto comigo, eu sempre fui muito liberal pra brincadeiras e zueras devido ter crescidos com meus primo. Já no fim da festa, decidimos ir jogar vídeo game e ele deitou do meu lado num tapete e começou a me morder, até que ele teve que ir ao banheiro e a minha prima Tati sentou no lugar dele. Ele veio e pediu pra ela sair, mas ela não quis e ficamos rindo, então ele deitou do outro lado e voltou a me morder.
Eu e a minha prima decidimos ir embora do quarto, aí ela começou a falar sobre ele, como ele era legal, engraçado e divertido (Minha prima é a mais velha de nós, 22 anos) e ela me perguntou rindo se eu ficaria com ele, esse foi o meu primeiro erro, eu achei que ele tava brincando então eu disse que não com cara de nojo. Quando foi no domingo, teve piscina em casa e foi todos os primo e lá ele começou a me abraça, morder, a tocar nas minhas pernas, sendo sempre muito cuidadoso pra ninguém ver. Eu não vou ser hipócrita e dizer que não estava gostando, eu não considerava ele como primo por ser uma pessoa que eu via uma vez na vida é outra na morte. Descidimos ver filme no quarto da minha prima Tati depois do jantar. Era 4 numa cama de casal (Eu, Carl, Tati e meu primo) e ele quis deitar do meu lado. Botamos um lençol e começamos a ver o filme, ele começou a me fazer carinho e num momento eu sai do quarto e ele veio atrás. Trocamos alguns beijos e amassos e voltamos. Quando foi pra ver o segundo filme, eu quis trocar de lugar e ele teve que deitar do lado da Tati, mas depois ele trocou e deitou do meu lado. Eu percebi que a Tati não gostou disso. Toda vez que eu saia do quarto e ele também, ela vinha junto.
Quando terminou, ela veio e começou a falar do dia, do cinema e depois falou: nossa, parecia que vocês estavam se pegando. Eu gelei e disse que não Eu já deveria ter contado pra ela. Mas decidi não, por que eu não sabia se o Carl se sentirá bem em eu compartilhar aquele acontecimento. Eu fiquei esperando ela entra no quarto dela pra poder ir falar com ele, mas parecia que ela tava suspeitando de algo e ficou enrolando até eu entrar pro meu quarto. Passou uma semana. Onde a bomba estourou. Ele chegou na sexta e durante a semana, nós estávamos marcando um cinema no quarto da minha tia pro domingo Contando, éramos 9 pessoas (tudo primo) Na sexta, ficou o Carl, eu e o meu outro primo jogando vídeo game até tarde, no sábado, a Tati reclamou que não chamamos ela é que ela era sempre excluída de tudo, eu disse que não é que era pra ela ter ido jogar com a gente.
No sábado Ela passou a maior parte do dia com ele e de noite, fomos fazer os preparativos pro dia do cinema. Eles dois ficaram fazendo brigadeiro e eu e meu primo pequeno ficamos no meu quarto, quando o Carl apareceu no meu quarto e ficou lá com a gente. A Tati veio e não tava com uma cara muito bonita, eu comecei a ligar os pontos, e se ela também queria ficar com ele. Pq toda vez que eu ficava a sós com ele, ela aparecia, e toda vez que eu ia falar com ele ou brinca com ele, ela ficava de cara feia. Pq se fosse isso, eu teria que contar a verdade pra ela. Tava tudo certo pro cinema. Mas meu dia começou dando errado, eu discuti com a minha mãe por causa das minhas primas menores, já que eu sou muito apegadas a elas e eu queria elas no meu quarto, mas minha mãe não deixou. Depois disso eu comecei a ter crises emocionais, não sou de me abalar fácil pelas coisas, mas quando o assunto é minha mãe, o negócio é outro nível, fora que eu já tava com uma imagem de uma pessoa egoísta em casa por algo que nem fiz. Como fazia muito tempo que eu não tinha uma crise, foi bem difícil controlar essa, eu tava deprimida e não quis entrar na piscina, mas com as minhas primas insistindo, eu decidi entrar. É eu vi que a Tati ficou mais distante dele desde que eu entrei. Nós fomos ver os filmes. Eu deitei num tapete junto dos meus dois primos, a Tati sentou no sofá com o Carl e os meus outros primos ficaram na cama. Assistimos 3 filmes e nesse processo eu fiquei tento crises, mas não queria incomodar, então não contei ninguém. O Carl as vezes mandava mensagem Depois tivemos que arrumar tudo, e eu não queria falar com ninguém (pode ser errado, mas quando não me sinto bem, prefiro me isolar) e a Tati veio ver o que eu tinha. Pedi pra ela me deixa pq eu não tava bem, mas ela ficou insistindo mesmo sabendo que eu odeio que me botam pressão. Dizendo que eu nunca aceitava ajuda, sendo um particular meu, eu só precisava de um tempo. Depois que me acalmar, eu fui questionar ela sobre o Carl já que ela não parava de falar dele. Perguntei se ela gostava dele ou queria ficar com ele, ela concordou rindo. Então eu abri o jogo e disse que eu já havia ficado com ele, nunca pensei que fosse ver ela daquele jeito. Ela disse que ficou com o orgulho ferido pq ele havia me escolhido e não escolhido ela, sendo que entre eles existe laços de sangue. Disse umas coisas com cara de choro, não irei cita pq são pessoais, mas pra resumir. Disse que eu havia traído a confiança dela por ter ficado com ele, sendo que quando eu fiquei com ele, eu nem sabia e só fui desconfiar depois e disse que sentia inveja pq parecia que ele havia me escolhido em vez dela. Pra não piorar a situação, menti dizendo que apenas nos beijamos, mas mesmo assim ela repetia as mesmas coisas várias vezes e eu não sabia o que falar. Ela disse que ele me tratava com mais carinho em vez dela, sendo que ele é carinhoso com todo mundo.
Ficou nessa conversa por dois dias, sempre que eu estava sozinha com ela, ela vinha falar sobre o assunto. Isso estava me deixando tão estressada e irritada, pq ela tava fazendo uma tempestade num copo de água. (OBS: enquanto isso acontecia, eu ainda tava "ficando" com ele, pq eu gostei e ele me deu carta verde. Disse que se eu me sentir desconfortável era só dizer que ele parava) Pra fazer ela para, disse que iríamos ver como ele trataria cada uma de nós no próximo fim de semana. Quando eu perguntei qual resultado ela queria, ela me disse que queria que ele a escolhesse, depois perguntei se ela iria pega ele mesmo sabendo que eu já havia ficado com ele. Ela primeiro disse que não pq iria se sentir sendo usada, depois disse que sim por causa de orgulho, que achou que ele tava gostando dela pq ele a tratava bem. SENDO QUE ELE TRATA TODO MUNDO BEM. Eu falei que se fosse eu, iria conversar com ele. Eu fiz isso pra tirar ela do meu quarto por tá quase tendo outra crise. No dia seguinte, acordei decidida a acabar com essa palhaçada, eu estava chateada, cansada e frustrada, ainda mais por tá metida numa situação tão patética como essa, então mandei mensagem pra ele avisando que deveríamos parar (até a poeira abaixar) e ele me questionou e eu contei o motivo, ela duvidou de mim, dizendo que conhecia minha prima, porém, ele aceitou. Depois chamei ela é disse que não queria mais saber daquele assunto. Que não iria me estressa por pouca coisa. Ainda por um situação patética daquelas. Que não iria levar culpa de nada, pq eu não tinha, que ela podia fazer o que quisesse Eu fui curta e grossa. Pq ela jogou todos os problemas dela em cima de mim e eu não achei justo, ela falou que só queria que eu entendesse mais ela, que eu tinha todos os cara que queria e que eu sempre tive toda a atenção. E o ponto que me deixou mais chateada, foi ouvir ela dizer que queria que eu me sentisse mal por ter "traído" ela.
Não falamos mais nisso, até o dia dele ir lá pra casa. Eu faço curso aos sábado de manhã e quando cheguei em casa, ela me falou que tinha ficado com ele Eu perguntei: Tá feliz? Ela disse que não, pq ele havia dispensado ela, sendo que ela disse que só queria pra curar o orgulho dela. Que queria ter dispensado ele primeiro e que não sabia como encarar ele agora. Ela me disse que havia beijado ele primeiro e outras coisas. No domingo a noite, eu questionei ele, do pq ele não quis mais ficar com ela, segundo ele, a Tati o beijou e ele é não quis mais por ter se arrependido de ter deixando ela beijar ele é por não sentir atração por ela. É desde que já foi embora, minha prima fica me pedido pra fazer promessas de não ficar mais com ele.
É agora, ele quer ficar comigo e eu quero ficar com ele, porém eu penso na minha prima. Não sei como ela reagiria a isso.
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2020.07.28 05:48 leepz2019 Um "amor" que eu não entendi

Olá me chamo L. (H.28) e venho buscar opiniões pra poder entender oque está acontecendo. Há 4 anos atrás conheci uma moça denominada D. Moça bonita e jovem 15 anos, só queria curtir e zoar a vida, quando eu a conheci foi em casa, naquela época consumimos maconha e vivíamos chapados, ninguém queria nada com nada, eu recém terminado e ela também. Nos envolvemos e aconteceu, a gente ficou e deixamos claro que não queríamos nós apegar tanto, porém não foi isso que aconteceu. Porém eu vinha passando por problemas devido ao meu término recente e vi que estava ali só por estar mesmo. Comecei a pensar e fui me afundando numa depressão profunda e amarga, porém não quis demonstrar isso, eu gostava muito dela e sabia que na idade dela não tinha porque envolver-la em algo desse tipo, afinal queríamos curtir. Passando um tempo minha mãe sabendo da minha situação me chamou pra ir morar com ela no nordeste, sem chão e sem nada resolvi ir sem hesitar. Expliquei para a D. que teria que ir embora pois não tinha mesmo condições de me manter nas condições emocionais que eu estava. Ela entendeu e compreendeu, sempre fomos muito sinceros um com o outro. Fui embora de coração partido por deixar a cidade e pessoas muito importantes pra mim pra trás. Chegando lá não consegui me adaptar e cai em depressão profunda, o único motivo pra eu sair da cama era comer e fumar cannabis. Passado um tempo comecei a me sentir mais disposto, saia pra passear beira mar, dar uns pegas bem assim dizer, uma euforia total. Cheguei a mandar mensagem pra D. Já que tinha me afastado por conta da depressão, porém ela tinha voltado com o ex, segui em frente afinal oque mais me importava era se ela estava feliz ou não. Passado uns 2 meses entrei em uma crise psicótica devido ao uso de cannabis. Passei por avaliação psicológica e fui encaminhado pra uma clínica. Foram os piores dias da minha vida, porém aprendi muita coisa ali. Eu já não queria mais morar lá no nordeste então saindo da internação resolvi fazer uso de drogas denovo sabendo que assim minha mãe me mandaria de volta pra minha cidade aqui no sudeste. Voltei e continuei a usar contrariando todo o tratamento da doença (esquizofrenia) uma simples tendência nada que me tornasse incapacitado de lidar com a sociedade. Certas vezes cheguei a sair e esbarrar com ela pelas ruas, cruzamos olhares mais ela ainda estava com ele e eu pensava que ela estava feliz e não queria estragar isso. Passado um tempo me atacou outra crise e resumindo segui pra uma internação mais severa agora aqui no sudeste e parei com o uso de drogas pra não atacar crise de novo. Fiquei um ano focado em trabalhar e cuidar de mim se manter relação amorosa com ninguém, isso foi ano passado. Um amigo em comum que namora uma amiga dela me disse que esses dias elas estavam conversando sobre mim, que ela aparentemente estava tendo um mal relacionamento com o namorado dela e disse que ela nunca me esqueceu e que gostava de mim depois de todo aquele tempo. O amigo me disse pra mandar mensagem pra ela, passado alguns dias eu criei coragem e mandei um oi pra ela no wpp. Sem resposta eu pensei, ela deve estar se acertando com ele, melhor eu deixar quieto. Passado mais alguns dias respondi um storie do instagram, não passou muito ela me respondeu com um emoji, logo voltamos a nos falar cada vez mais e mais. Perguntei se ela tinha terminado e ela disse que sim, antes de agente voltar a se falar ainda. Numa sexta feira tomando uma cerveja ela me disse que ia dar com o irmão, eu sem muito o que fazer chamei ela pra tomar uma em casa onde nos conhecemos, e ela aceitou e veio pra minha casa, já com a intenção de ficarmos, pois havíamos conversado por mensagem. O reencontro foi algo muito especial pra mim, algo que eu não consigo explicar. Ela passava quase a semana em casa, e quando ia pra casa dela trocava-mos mensagem do amanhecer ao anoitecer, eu achava me sentia muito pressionado mas sentia que ela precisava disso pois ela havia mencionado que também tinha parado de usar drogas que ocasionaram em crises de Pânico ou ansiedade não sabemos ao certo pois ela não quis ir ao médico saber sobre. Ela vinha tendo crises com certa frequência e eu sempre ajudei como pude, quando estava longe eu tentava distrair-la, quando perto abraçava, conversava, contava algo engraçado até passar tudo. Com um mês pedi ela em namoro durante uma festa que fazíamos em casa, ela aceitou, ficou emocionada ao meu ver, pois havia relatado que ninguém nunca tinha feito aquilo com ela, pusemos as alianças e comemoramos aquele dia. Ela passava muito tempo em casa e eu e meu irmão estávamos desempregados no momento, logo conversamos que ela vinha um dia da semana pra casa e nos fins de semana pra não pesar pra ninguém como havia combinado com meu irmão, conversei com ela e foi sem problema mas sempre ela inventava algo como está tarde ou vai chover ou que se sentia bem em casa comigo, pois o pessoal de casa sempre gostou dela e tratou ela super bem, entao eu ficava sem jeito de pedir pra ela ir pra casa dela. Mas sempre expliquei pra ela que quando eu pudesse eu traria ela pra morar comigo aqui, ela sempre ajudou como podia, não tinha dinheiro pois não trabalhava e eu ainda estava sem serviço pois nosso negócio estava parado por conta da troca de estação. Passando algum tempo realizamos a venda de um imóvel rural, recebi um bom valor da minha parte e sempre combinamos que quando o negócio voltasse a rodar iríamos trabalhar pra fazer esse dinheiro render então decidi pegar o resto das coisas dela , até isso acontecer aproveitamos muito, bebemos muito e curtimos muito, sempre comprei coisas pra comer sem necessidade, porém comprei muita coisa necessária também como roupas pra nós dois, comprei maquiagem pra ela, escova progressiva pro cabelo, trocamos de celular, comemoramos aniversário fomos em festas antes dessa pandemia é claro, aos pouco vi ela ficar cada vez mais linda de que quando a conheci. No caminho dessa curtição sempre reparei nas atitudes dela comigo, principalmente quando bebia ela me desagradava com certas atitudes, eu ficava extremamente magoado com aquilo e sempre me abri com ela e expliquei que aquilo me magoava muito. Coisas como, você tá parecendo meu ex, amigos que dava em cima dela eram melhores que eu, ou em certa conversa expliquei pra ela que ela me devia respeito, pois sempre respeitei ela e fiz o que ela queria, ela nunca teve quem fizesse essas coisas por ela, então eu fiz tudo na melhor intenção e felicidade por fazer ela feliz, ela me disse que não tinha por que me respeitar. Nós não éramos mais namorado, ela já estava morando comigo há mais de 4 meses, éramos praticamente marido e mulher, claro que tinha que ter respeito um pelo outro poxa. Sempre tivemos biometria do celular um do outro como sinal de confiança mas nunca olhei seu celular, uma vez ou outra só quando queria saber oque tanto fazia ali, e ela fazia também quando eu dormia eu acho, pois não via ela mexendo, até aí normal, apesar dos apesares sempre nos demos muito bem e eu achava que éramos felizes. Mas de nesses últimos 2 meses, reparei que ela já não se divertia muito diretamente comigo, só quando não tinha mais ninguém mesmo, se tivesse algum parente dela ou meu bebendo com a gente ela era totalmente radiante e feliz. Se eu for parar pra contar tudo que eu reparei com certeza vai ficar muito maior esse texto.. Continuando, mais precisamente a umas 3 semanas fomos a um aniversário do cunhado dela que eu sempre vou considerar como se fosse da minha família, inclusive sou muito grato a ela por ter conhecido ele e também a minha cunhada que é namorada dele e irmã da D. Enfim fomos a festa e chegando lá estava a família do aniversariante a mãe e os irmãos que eu conhecia aliás, tem um deles especificamente denominado J. Que ela sempre me falou mal, dizia que quando ele estava com a namorada ele era c..são e dava ânsia cada vez que ouvia o nome dele, porem recentemente a parceira dele largou dele e foi embora do estado. Até aí tudo bem, ele foi super simpático comigo, porém notei ela muito simpática com ele. Naquela noite fiquei assando carne na garagem em baixo onde se encontrava a maioria do pessoal, e ela distante de mim, direto lá em cima conversando com os irmãos do cunhado e nada de me dar atenção, percebi mas nem falei nada pra não ficar um clima chato na festa e nem começar uma briga com ela. Festa acabando chamei ela pra ir embora que a irmã dela ia levar a gente, ela estava jogando futebol no game com os irmãos do cunhado dela, e não me deu ouvidos direito, disse que estava vendo alguém jogar, eu falei vamo que o carro tá ligado já, ela disse que já ia, desci e falei pra irmã dela chamar que ela não queria vir, a irmã subiu, logo ela desceu, ao sair do portão torceu o pé, estava bem embriagada, todos estávamos, durante o caminho veio dormindo e chegou em casa subiu as escada deitou na nossa cama e logo adormeceu. No domingo ela acordou com o pé super inchado me chamou e eu perguntei se ela queria ir ao hospital ela disse que não, depois disso no meio do dia meu sogro liga pra ela perguntando se não queria ir na casa dele, disse que era melhor não ir por casa do pé, ela não gostou então fomos mesmo assim, bebemos rimos muito aquele dia, tudo normal, chegando em casa cuidei dela devido a pé e ficamos de boa, estava tudo normal aparentemente, na segunda ela ficou o dia inteiro no quarto devido ao pé inchado, na terça disse que iria na irmã dela e que a mãe ia lá e queria passar o dia lá, normal pra mim, antes de sair meu irmão havia pedido pra ela separar algumas peças que foram vendidas, ela disse que faria assim que chegasse. Na sexta feira antes disso meu avô havia sofrido uma queda e bateu a cabeça forte, no sábado do aniversário ele havia passado mal da pressão e ido ao hospital, desde então eu já estava aflito com essa situação e ela nem pra perceber, foi mesmo assim pra casa da irmã, no meio do dia me manda uma mensagem dizendo que o pé inchou, perguntei pra onde tinha andado ela disse que tinha ido ao mercado de apé, já fiquei meio irritado, pois há algum tempo ela já não ajudava nas tarefas de casa direito, coisa que sempre fiz independente de estar trabalhando ou não, paras as obrigações fazia corpo mole, pra se divertir era a primeira a agitar, blz. Me mandou uma foto do pé inchado, logo em seguida falei "quero ver essa disposição aqui em casa" e mandei uma palminha sobre a foto. Meu avô havia ido ao médico e eu estava extremamente preocupado. Não conversamos o resto do dia, mais ao anoitecer ela chega em casa me dizendo que tinha que voltar lá na irmã pra cortar a franja, só olhei e não respondi, por tamanha indignação com as preocupações minhas comparadas com as dela, que já não se importava muito com o que eu sentia e afins. Depois daquele dia ela se fechou e não saia do quarto nem pra comer, e direto eu vinha ver como ela estava, quando ela não estava vendo algo no celular estava jogando com o J. quem ela sempre falou mal, e estava rindo com o cara, toda hora conversando, e comigo nada de conversa, ia dormir tarde conversando no wpp e jogando, rindo com os outros e eu nada, fui ficando extremamente magoado e nervoso com isso tudo, cheguei a ter batedeira e tremedeira de nervoso, sensação de desmaio, fraqueza, decidi então ocupar a cabeça com serviço, enquanto ela ficava no quarto isolada falando só com quem ela queria eu me distraia com outras coisas. Na sexta feira resolvi puxar assunto com ela no wpp, já que ela não saia de lá, logo ela me respondeu e conversamos, disse a ela que não dava pra continuar desse jeito e ela concordou, eu também disse que desconfiava que havia algo errado ( mais uma coisa de intuição ou pressentimento não sei explicar) , ela me disse que eu tava viajando já, um pouco também é pelo fato de ela colocar o celular debaixo do travesseiro antes de dormir, coisa que nunca aconteceu e eu achei estranho mas nem falei sobre isso, durante a conversa me disse que tinha uma bagunça dentro dela que a vida dela era um caos e não queria me envolver nisso tudo, que cansou de fingir que tava bem e precisava pensar na vida, que tinha que ficar um tempo sozinha pra ver oque ela tava fazendo da vida dela????? Como assim? Depois de tudo que passamos que "conquistamos" , tudo que curtiu , dizia que me amava e eu também dizia, aliás ainda amo, cadê aquele amor todo que tinha me dito que tinha? Que nunca me esqueceu? Que eu era a melhor coisa que tinha acontecido na vida dela? Que eu era o homem que ela pediu pra Deus? Que eu ninguém tratou ela como eu tratei? Passou mais um dia, enfim logo ela mudou de assunto e desceu ajudar minha cunhada com umas coisas de casa, foi até mim, disse que me amava, me deu um beijo, e disse que havia melhorado um pouco, mais a tarde eu ainda trabalhando perguntei a ela, e aí tá de boa? Ela me respondeu.. Sinceramente não tô não.. Disse a ela que a hora que eu subisse conversaria Ela perguntou se podia chorar, pois estava com uma vontade gritante fazia tempo Disse que sim, que as vezes tudo que precisa é desabafar e fazer isso mesmo Eu subi, cheguei no quarto e liguei a TV e coloquei algo pra tocar num volume mais ou menos, abracei ela bem forte deitado na cama, e senti ela chorando bem baixinho pra não perceber, ali eu me senti muito mal mas muito mesmo, porém a gente havia conversado e ela me disse que não foi nada que eu tivesse feito ou falado pra ela, do contrário, era coisa dela e ela não queria me envolver, enfim ela terminou de chorar veio até mim e nos beijamos intensamente, sentou no meu colo e continuou me beijando, cheguei a pensar que transariamos. Ela saiu de cima e estávamos conversando sobre nada específico que envolvesse nossos sentimentos, ela me perguntou se eu tinha entrado no jogo que sempre jogamos juntos pra coletar recompensas eu disse que não e pedi pra ela pegar meu celular pra eu poder fazer isso, entrei lá e logo o J. estava online e me chamou pra jogar, joguei com ele na boa pq já tinha combinado, e perguntei a ela se ela queria jogar, sem hesitar ela entrou com a gente, jogamos até altas horas e foi bem divertido. No dia seguinte estávamos conversando normal e tudo até que um amigo em comum avisou que teria um churrasco de aniversário na casa dele a noite e teria chamado também a irmã dela e o cunhado, logo encaminhei pra ela e ela disse que tinha combinado almoço na casa da mãe do cunhado dela onde reside o J., falei mais eu nem sabia que se tinha combinado isso, e outra dava pra ficar pra outro dia, já percebi que ela não gostou e parou de falar comigo, subi no quarto pra trazer comida pra ela pois ela não havia saído do quarto, cheguei ainda amoroso e disse comprei algo pra você comer, ela disse que não tava com fome e não olhou na minha cara, pensei poxa denovo isso..algum tempo depois entrei no quarto ela rindo e jogando denovo com o mesmo cara, enquanto eu resolvia as coisas pro aniversário e trabalhava. Pouco antes de me arrumar entrei no quarto a mesma situação, não me senti mal exatamente por ela estar jogando e rindo com ele, fiquei meio chateado por que ela me ignorava. Enfim varou a tarde jogando e tive que pedir pra ela se arrumar se não nós atrasariamos, fez cara e se arrumou, e seguiu seca e meio calada igual a semana inteira, fomos para a festa.. Chegando lá se divertiu e tirou foto com todo mundo menos comigo..depois de um tempo ela me disse que estava passando mal e queria ir embora, trouxe ela em casa que é perto e pedi pra ela comer algo quando chegasse pra não acordar passando mal com dor de cabeça Ali eu tomei a decisão de fazer como se fosse um dia em que eu pudesse extravasar, Bebi como se não houvesse o amanhã, fui até 10 horas da manhã bebendo.. chorei muito desabafei muito com a minha cunhada que sempre foi parceira e amiga em tudo, inclusive da D. Subi e descansei, não vi ela acordar e quando acordei ela estava no banheiro, desci e continuei bebendo e pensando em tudo. Fiquei o dia sem inteiro sem entrar no quarto..quando entro me deparo com ela mais uma vez jogando e rindo com o cara, depois disso comecei a tremer e sentir batedeira denovo. Conversei com alguém e fui tomar um banho pra acalmar. Funcionou, entrei no quarto e acho quel ela percebeu que eu saí nervoso logo ela saiu do jogo. Na segunda feira ela ia repetir o mesmo esquema da semana passada e ia me ignorar..passei o dia inteiro pensado sobre o que fazer e como fazer e decidi subir pra conversar. Cheguei no quarto ela estava com a toalha ao lado..perguntei se ela iria se banhar ela seca me disse "vou"... Disse que a hora que ela voltasse precisaríamos conversar.. Ela voltou do banho e sentou na cama e disse.. Vai solta a letra.. Já rebati..é assim mesmo que você fala? Tem certeza que quer começar uma conversa assim? Ela disse não,, foi mal diz aí oque se quer Perguntei eai? As coisas vai ficar assim mesmo? Se não quer falar comigo, só ri e conversa normal com os outros? Ela disse eu não tô falando com ninguém 🙄 Já parei a conversa e falei ... Ó assim não dá nao...faz um favor e só arruma outro lugar pra você ficar e pode ir embora.. Sem hesitar ela disse hoje mesmo eu faço isso! Me doeu muito ter que dizer aquilo.. Mas para ela foi como se já tivesse esperando.. Então me dirigi a porta e disse, me faz um último favor? Ela disse hum? Falei.. Isso que você fez comigo, não faz com o próximo não.. é feio e é muito errado... Ela balançou a cabeça e disse... Tá bom Desci e fiquei inquieto lá em baixo, minha vontade era subir e falar tudo que estava e estou sentindo agora.. Ela me pediu pra ajudar a encontrar as chaves da sua casa, subi e quando abri a porta ela estava sentada chorando muito...aquilo me partiu o coração, mesmo assim encontrei as chaves e entreguei a ela.. Sentei ao lado dela quieto e esperei pela carona dela.. Pouco antes de ir me pediu um abraço. Nós abraçamos e nos beijamos uma última vez e enfim ela foi embora.. No dia seguinte atualizou seu status pra solteira nas redes sociais e posta indiretas como coisas do tipo a dar entender que já está em outra e isso tem me magoado profundamente.. Eu tenho tanto ainda pra falar..mas estou digitando faz horas.. Fica aqui um desabafo +
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2020.07.10 01:53 MaxKrueger Triste constatação ao ler A Bola de Neve sobre Warren Buffet

Ao ler o livro da vida do Warren Buffet (A Bola de Neve) achei impressionante a diferença na criação dele quando comparada com a realidade nossa.
Tipo, se interessar pelo livro 'One Thousand Ways to Make $1,000' aos 7 anos e por outros livros de investimentos (bem pesados inclusive) desde muito cedo.
Tirando o fato dele ser muito precoce nesse quesito eu me pergunto como seria caso ele tivesse nascido no Brasil de uma família de classe média, há, digamos, 30 anos?
Ele teria tido chances de se desenvolver de forma similar? Nós somos fruto do meio em que vivemos, não?
Imagina você, com seus 10 anos, falando com seus tios sobre o mercado acionário. Pra mim seria algo impensável mesmo que eu soubesse sobre o assunto aos 10 anos, já que meus parentes eram quase todos de origem humilde e bolsa de ações era apenas outro número que variava diariamente que o apresentador do Jornal Nacional fala.
Sem falar que em 2002 Brasil tinha seus 80 mil investidores enquanto hoje tá em quase 2 milhões, mas mesmo assim é menos que 1% da população, quando nos EUA está na casa dos 52%.
Ou então se imagine com 17 anos indo até a sede de uma empresa listada na bolsa, para falar com alguém para tirar dúvidas sobre como tal empresa funciona e o que faz e ser atendido por algum diretor da empresa. Cara, eu trabalho na Petrobras e era prática comum esvaziar os corredores do prédio (da própria Petrobras) quando o presidente da empresa precisasse passar por ali, isso e elevadores privativos para que a alta diretoria nunca esbarrasse em reles mortais. Isso mudou mas era prática comum de longa data. Bater um papo com um diretopresidente é algo impensável, é outro mundo. Ou, então quando foi que você viu um político falar com seus constituintes sem ser por motivos eleitoreiros? Ou quando que você ligou para um político para falar de um problema de sua rua? (problema de mão dupla: nós não cobramos e eles não se misturam).
O livro também fala das peripécias dele, como colocar máquinas de pinball nos barbeiros para ganhar uma grana das pessoas esperando serem atendidas ou de revender bolas de golf recuperadas. Vocês se imaginariam com 12 anos comprando máquinas de pinball e negociando com donos de barbearias a instalação de tais máquinas para dividir os lucros das fichas? E isso sendo filho de senador? Pois é, Buffett acordava de madrugada todos os dias para entregar jornais mesmo sendo filho de senador, no Brasil tal filho ou teria seguranças ou seria empossado em um cargo faz de contas com salário na casa dos 20 mil reais.
A minha impressão é que no Brasil tal trabalho seria indigno, os pais não deixariam, a lei não deixaria e a polícia iria querer a parte dela. Enquanto nós somos o país do jeitinho nós não somos o país de empreendedores. Tudo é difícil e burocrático, lucro é uma palavra suja (mas corrupção por algum motivo não é, faz parte pras coisas funcionarem, desde molhar a mão do fiscal até molhar a mão dos políticos, que já ganham bem, para poder aprovar coisas... e nós aceitamos).
Nós vemos a bolsa como um cassino, algo para comprar e vender hoje, foco no curto prazo, talvez culpa da hiperinflação que assolou o Brasil, talvez culpa da fraca educação financeira que temos aqui nas escolas, que por si ensina coisas de pouco uso prático. Por exemplo, o foco do 2o grau é passar no vestibular para entrar na universidade, deixando habilidade práticas de lado, a menos que seja uma escola técnica.
É claro que nem todo mundo nos EUA teve as mesmas oportunidades que Buffett, que ele é precoce, etc, etc, mas as diferenças entre o modo de vida nosso e deles são gritantes.
Bom, só um desabafo, vejo isso como algo que nos difere muito dos EUA e que não tem solução mágica que em parte explica a frase dele 'Never bet against America; nothing can stop this nation'.

edit: caramba, não achei que ia ter uma reação tão positiva assim das pessoas, várias pessoas dando seus relatos de vida, legal isso. E assim, falaram que eu usei do complexo do viralata... poxa, eu amo o Brasil, adoro a cultura brasileira e vejo que nós estamos aceitando as coisas como são e nos acomodamos, não cobramos das autoridades, nos satisfazemos em ser menos, em produzir menos. Acho que meu texto é tipo um chute no saco para que a gente saia desse estado de estupor. É pessimista? Sim, é. Temos que mudar isso, não? Olhar pra frente ao invés de baixar a cabeça.
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2020.07.08 19:47 YatoToshiro ​Fate/Gensokyo #23 - Rin Tohsaka


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Em Grand Order a Rin Tohsaka tem 4 versões servos: Archer, Lancer, Rider e Avenger. _____________________________________________________
Rin Tohsaka: Ishtar (Archer) O Nome Verdadeiro do Arqueiro é Ishtar, Um Pseudo-Servo convocado no corpo de Rin Tohsaka. Ishtar é a deusa da beleza, boas colheitas, guerra, luxúria, discórdia e fertilidade na mitologia mesopotâmica / mitologia suméria / mitologia babilônica e uma entre as muitas deusas-mães cujo poder é derivado da Mãe Terra. Disse ser a deusa mais mimada, ou melhor, a deusa mais amada pelas outras divindades. Dizia-se que seu nome divino sumério era Inanna , E esse nome é realmente o nome mais antigo. Ishtar é seu nome divino acadiano. Significa "A Senhora do Céu". Uma deusa de Vênus, uma deusa que governa as boas colheitas que traz prosperidade ao povo, e mesmo uma deusa que governa a guerra e a destruição, ela é uma grande deusa que, entre as deusas, recebeu muitos direitos e autoridades de os deuses. Na mitologia suméria, ela desempenha um papel ativo como uma deusa dinâmica e como uma deusa que é como a heroína de uma história, possuindo várias anedotas. Particularmente entre eles, uma famosa é ela alimentando a cidade de Uruk com uma terrível Besta Divina chamada “Touro do Céu”, aparentemente uma anedota que fez com que a cidade estivesse à beira da destruição; em qualquer caso, ela é uma deusa que é um incômodo para os outros. De qualquer forma, Ishtar é uma divindade caprichosa, livre e descontrolada, e também é famosa por ter inúmeros amores; diz-se que ela faria avanços com todas as suas energias naqueles a quem gostava, independentemente de serem seres humanos ou outras divindades, e ela tem muitos amantes, independentemente deles serem do domínio dos homens ou do domínio dos homens. os deuses. Por outro lado, ela também demonstrou uma crueldade demoníaca contra aqueles que não se curvaram à sua vontade. Ela é uma divindade que foi aperfeiçoada como uma divindade, que geralmente assumia o controle e o domínio das coisas. Não há compromisso. Dizia-se que o motivo para trazer a Besta Divina para a Terra era o resultado do rei dos heróis, Gilgamesh de Uruk, não tendo respondido às tentações dela.
No capítulo 7, Ishtar apareceu como a única divindade suméria viva. Ao se tornar uma pseudo-serva, ela se manifestou nas terras da Mesopotâmia, observando atentamente a sétima singularidade e o futuro da humanidade. Embora ela diga que seu papel é observar atentamente os humanos de uma maneira apropriada para uma deusa, isso significa que ela está cuidando deles enquanto deixa escapar um sorriso de escárnio. "Bem então. Será que os humanos sobreviverão a isso ou serão destruídos? ”Por acaso, ela vê o protagonista perseverar como um mero ser humano enquanto perde seus servos, sendo um favorito entre os que ela provoca, e vincula temporariamente um contrato a eles. No final, ela prova ser uma "Deusa da Vitória" literal.
Além disso, é uma digressão, mas em relação à batalha contra Ishtar em uma seção do Décimo Capítulo da Sétima Singularidade, ela possuía uma Habilidade Passiva chamada "Colar de Lapis Lazuli Quebrado". Por estar quebrado, seu efeito original se torna exatamente o oposto (dano de Noble Phantasm reduzido em 30%). A própria Ishtar percebe esse efeito negativo, mas ousadamente o usa. Mesmo que seja por esse motivo: “Ainda é bonito, e eu queria exibi-lo; além disso, se eu pensar sobre isso de maneira inversa, mesmo que comece a agir violentamente e a explodir, não vou sofrer danos porque já estou sofrendo com o debuff, certo? ”Ou assim ela pensa. Mas ela ignora apontar que havia usado seu Noble Phantasm, o que fez com que ele agisse violentamente em primeiro lugar.
Rin Tohsaka: Ishtar (Rider) Ishtar, deusa de Vênus, com roupas de verão. Um festival de verão é um estado de frenesi popular ... Realmente uma deusa parecida com uma deusa, ela organizou um grande evento depois de ser movida pela piedade do povo. Ela também é uma deusa no estilo kung fu que move seu corpo com agilidade e emoção, e queima borracha em seu modernizado Boat of Heaven Maanna.
Verdadeiramente uma deusa entre as deusas que graciosa e generosamente abençoa todos aqueles reunidos no local.
Deusa Ishtar é um espírito livre. Elegante, audacioso e bastante cruel. No entanto, o traje atual mitiga um pouco sua nobreza e aterrorização divinas. Mais alegre e magnânima do que o normal, ela é amigável.
Espera-se que alguém que se chama de deusa tenha dominado uma ou duas artes marciais ... o que obviamente não é uma coisa. A razão pela qual Ishtar pode se mover tão habilmente é porque o corpo que ela ocupava era bastante adepto das artes marciais e mágicas. Seu atual estilo de luta é o seu próprio giro no kung fu aprendido pelo corpo. "Uma arte de Uruk! Existe uma coisa dessas?" Assim comenta o rei tomando banho de sol no topo do Zigurate.
O arco usado por Ishtar em sua forma de Arqueiro é a proa destacada do Barco do Céu Maanna, mas desta vez ela transformou os "remos" do Barco do Céu em uma scooter que ela monta. A scooter tem a aparência exata de uma scooter moderna, mas suas habilidades são naturalmente de nível divino. Voa alto e pode entortar. Há uma criatura misteriosa remexendo nos tornozelos de Ishtar, mas ela sempre se recusa a comentar sobre isso.
Embora Ishtar se interesse por seu Mestre por ser um herói com um futuro promissor, ela diz que às vezes fica intrigada, imaginando "como é que um Joe tão comum se tornou um herói?" Ela pensa em seu mestre como um humano curioso. É porque ela aprecia a popularidade de seu mestre (por ter a confiança de outros servos) que ela o contrata como membro da equipe da atual Copa Ishtar, mas ...?
A Ishtar Cup, um festival de verão. Foi um ritual enorme para reviver o Gugalanna do Touro do Céu, um familiar de Isthar. Ishtar perdeu Gugalanna quando um desastre atingiu o mundo mesopotâmico, significando uma completa perda de rosto para ela. Desde então, ela deve estar esperando vigilante por uma chance de vingança.
A deusa Ishtar emprestou secretamente um utensílio ritual do tesouro da Babilônia e o converteu em um Santo Graal, com o qual espalhou sua textura venusiana no solo de Connacht. Seu plano era criar Gugalanna mais uma vez, oferecendo poderosos Espíritos Heroicos, graças à terra (correndo através dela). Renovar o templo de Ishtar como um gigantesco circuito de acumulação de recursos de energia mágica fazia parte disso. O Ishtar QPS (Quantum Piece System) é um dispositivo pesadelo de coleta de dinheiro que absorve a energia mágica não apenas das pessoas, mas também dos Espíritos Heroicos. Quanto mais QP é acumulado, mais elevada é a Divindade de Ishtar. Essa ação realmente a convém como uma deusa perversa entre as deusas perversas.
Rin Tohsaka: Ereshkigal (Lancer) O nome verdadeiro de Lancer é Ereshkigal, A deusa do submundo no mito sumério. Ela empunha livremente uma gaiola em forma de lança; às vezes apunhalando o inimigo com ele, às vezes aprisionando almas, às vezes convocando raios, ela é a temível governante do submundo. Tendo cumprido seus deveres de administrar o submundo desde o nascimento, ela é uma deusa que desapareceu junto com a Era dos Deuses sem nunca conhecer o mundo acima ou a liberdade.
Nos textos originais da Mesopotâmia, ela presidia o crescimento e a deterioração das colheitas, inclinava os dragões e as cobras à sua vontade e controlava livremente os familiares Garula do submundo. A 'Senhora Celestial' Ishtar e a Rainha do Grande Abaixo Ereshkigal mantinham um relacionamento rival. Mitologicamente falando, a deusa da colheita Ishtar (Inanna) era a Grande Mãe Terra que representava a vida humana, enquanto Ereshkigal, que representava a morte humana, era a Mãe Terrível na Terra.
Na história da descida de Ishtar, Ishtar fez uma visita ao submundo apenas para ser morto pela mão de Ereshkigal. Enquanto ela foi revivida depois, a razão pela qual Ishtar desceu ao submundo, e a razão pela qual Ereshkigal ficou tão enfurecido, nunca se fala, e em Grand Order, eles são tratados como decorrentes de serem o mesmo. Ereshkigal e Ishtar. Dois deuses de existência equivalente, ou talvez uma divindade dividida do que antes era uma única entidade.
Ereshkigal detesta como foi odiada e sofrida como pária social da Era dos Deuses. "Quero tentar viver tão livremente quanto Ishtar. Quero conhecer alguém que aceite que eu sou a amante do submundo, mas não permita que esse status afete como eles me veem." Ela ainda tinha uma noção tão romântica. "Não negarei o fato de que sou um vilão, mas o mal, como é, tem seus usos para a humanidade. Por que todos têm que ter tanto medo de mim !?" Como ela ficou de mau humor em seu coração, ela encontrou o fim do mundo mesopotâmico diante de seus olhos, participando da aliança das três deusas e fazendo um inimigo de Uruk para salvar os humanos à sua maneira.
Embora ela seja inicialmente membro da Aliança das Três Deusas em oposição a Uruk, Ereshkigal participa da batalha final contra Tiamat, utilizando sua Jurisdição para enfraquecer Tiamat e reforçar as capacidades dos combatentes da linha de frente.
Rin Tohsaka: Space Ishtar (Avenger)
O nome verdadeiro de Avenger é Space Ishtar, Também conhecido como Ishtar Ashtoret, a versão do Universo Servo de Ishtar. O Servo convocado é composto por três indivíduos diferentes com a mesma origem.
Dentro do Universo Servo, houve um período antes de todos os humanos transcenderem para Servos, o Universo de Origem. Ashtoret foi uma das deusas desse período, mais tarde se tornando a última delas e ganhando o título de Deusa da Origem. Dois mil anos antes dos eventos de Saber Wars II, Ashtoret acordou mais uma vez, mas foi derrotada por um grupo de oito Servos e Mestres que incluíam Calamity Jane. Após sua derrota, ela se dividiu em dois filhos, metade boa e metade má.
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2020.06.13 03:55 SrtaAnonymouns Amizade, Drogas e Confusões - Eu sou a babaca?

Olá Luba e todo mundo que vai ler está história
Vou tentar encurtar um pouco a história pra não ficar tão grande.
Não sei se essa história vai ser escolhida, mas se for, essas duas ''amigas'' minhas vão vê-la. Enfim, tudo começou em 9/19 de junho de 2016, eu havia acabado de me mudar para minha primeira casa depois que eu, minha mãe e minhas irmãs fomos embora da roça. Houve complicações com meu pai e minha mãe na época. Eu não estava estudando porque estava esperando minha mãe me matricular numa escola depois da Ponte Amarela, no bairro Oficinas Velhas.
No meu primeiro dia de aula, conheci algumas pessoas que ainda falo quando as vejo, e outras, que perdi contato ou que apenas quero distância. Naquela escola eu conheci duas garotas, vou chamar uma de Dyah O´Brien, e outra de Unicórnia Suprema. Nessa época, eu estava na 3 ano. Fiz amizade com a Dyah O'Obrien, a outra ainda não havia chegado naquela escola, nem nos conhecer conhecia. Eu não falava muito com a Dyan, mas ainda assim éramos amigas.
No 4 ano (2017), a Unicórnia Suprema já havia chegado na escola. Eu não fui com a cara dela no começo. Pois como eu me achava muito inteligente, não queria outra garota inteligente na mesma sala que eu. No primeiro dia de aula que ela veio, ela lia os textos com a voz firme e em um bom tom, não errava uma palavra. A Dyah fez amizade com ela. Até que depois de alguns dias eu também fiz o mesmo. Pra mim a Unicórnia era como uma irmã. No 5 ano (2018), no primeiro dia de aula, eu conheci uma outra amiga minha. Essa eu vou chamar pelo nome dela, um nome maravilhosamente que sempre me conforta quando eu fico triste, Layla. Ou L.Burke, como eu e ela demos um novo nome quando eu quis escrever meu livro, e por ela como minha sócia.
Bom, no 5 ano eu conheci a Layla. Teve uma explicação longa da minha professora querida, Márcia. Eu não sabia que tinha de levar minha mãe, mas também não levaria, pois minha mãe com os problemas de saúde que tem, tem horário de tomar os seus remédios. Depois da longa explicação, as outras crianças que seriam nossos colegas foram embora com suas mães. Eu e Layla descemos as escadas para ficar aguardando alguém nos levar para casa. A Layla ia de van, e eu esperava minha mãe ou minhas irmãs me buscarem quando resolviam tudo, lá por volta dos 12:00. Eu e ela ficamos do lado de fora do portão na parte da frente da escola esperando. Eu puxei assunto e perguntei qual era o nome dela, e ela me disse ''Layla'', eu falei o meu também. Perguntei qual era idade e outras coisas a mais, mas a conversa não durou muito tempo. A coordenadora pediu para que entrássemos e ficássemos na cantina esperando. Sentamos na mesa e Layla começou a desenhar uma garota com correntes nos tornozelos, sentada na janela. Eu comentei sobre o desenho, e ela me mostrou outros que ela fizera. Depois eu fiquei deitada em cima de minha mochila, olhando ela desenhar, até que caí no sono.
Depois de uns dias, a Unicórnia Suprema ficou conversando com a Layla, e elas fizeram amizade. Eu até então, só falava com a Layla as vezes. Depois também fiz amizade, e foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, pois tive ela como amiga. Nós três éramos melhores amigas. Eu ficava falando que nós três nunca nos separaríamos umas das outras, e que nossa amizade duraria para sempre. Eu me enganei. Nesse ano, eu comecei a me cortar, ficar muito triste em alguns momentos, mas ficava pior ainda quando não tinha ninguém por perto. As duas me ajudavam, me apoiavam e me confortavam sempre que podiam. Eu percebi depois de um tempo, que sempre que eu mandava mensagem pra elas no nosso grupo ''As Doc7'', falando que eu ia me matar, eu acabava causando aflição, desconforto e tristeza nelas. Não sei se elas sabiam, mas sempre que eu falava aquilo eu passava o dia chorando, me cortando e sempre tentando me matar. Superei isso tudo depois de um tempo. Um dia, quando eu não tinha respondido a Unicórnia em nenhuma rede social uns dias antes, eu cheguei na escola subindo as escadas pro andar de cima, e ela veio correndo até mim sorrindo e gritando um pouco, vindo me abraçar. Aquilo foi uma das coisas que me ajudou, e que aprecio aquele momento até hoje. Enfim, no final desse ano, nós três nos separamos. A Layla foi pra outra escola quando estávamos indo pro 6 ano (2019), eu e a Unicórnia fomos pra mesma escola. Mas o lance é o seguinte, indo pro final do ano quando a gente tava no 5 ano, eu havia brigado com a Layla que por um motivo que nem sabia. Nós estávamos fazendo nossa formatura do Proerd, foi quando briguei com ela, mas nos resolvemos depois e ainda somos amigas. Depois eu briguei com a Unicórnia, por um motivo bem besta pra falar a verdade, vou explicar. A Unicórnia me mandou mensagem falando sobre uma nova amiga virtual que ela havia feito amizade, eu respondi com um '';-; bom pra tu'' (eu acho) e ela começou a falar que eu não podia falar nada porque ela tinha feito uma amizade nova. Pra falar a verdade já me esqueci o que ela falou, mas foi algo assim. Eu também briguei com ela e depois ela acabou me bloqueando e nunca mais nos falamos. Na época que isso aconteceu eu já tinha me mudado pra minha terceira casa no bairro Oficinas Velhas, a casa ficava atrás do colégio que eu estudo atualmente. Eu sempre ficava vendo aquele conversa, ficava chorando sempre que lia, outras ocasiões que fazia isto eu apenas ficava com raiva e dizia ''foda-se''. Mas nunca conseguia ficar em. No Natal eu chorei no meu quarto porque não pude dar um ''Feliz Natal'' pra Unicórnia Suprema e nem pra L.Burke. No ano novo eu fui pra varanda, me encostei no muro de lá e comecei a chorar porque a Unicórnia não estava lá comigo, sendo que era só eu descer a rua, descer a minha direita, andar um pouco e apertar a campainha e falar com ela. Mas eu não podia fazer isso. Minha mãe me viu chorar e me chamou de trouxa me falando pra eu superar ela. Dizendo que eu não morrer, que eu ia ficar bem. Mas eu não acreditei nisso.
Em 2019 já no 6 ano, no primeiro dia de aula eu fui para o colégio em que eu morava logo atrás. A Diretora começou a chamar os nomes de quem ia ficar na sala 601. Até que meu nome e o da Unicórnia foram chamados, eu não estava acreditando nisso. Eu fiquei aflita, triste, confusa e pensando no que eu ia lhe falar. Até que um dia eu tive a coragem para chamar ela para fora da sala e lhe falar o que eu estava acumulando. Segue a conversa:
- Unicórnia, eu quero lhe falar que eu tô' ficando muito incomodada de te ver sendo amiga de outras garotas - eu disse ( mais ou menos isso)
- É só não olhar - ela disse (mais ou menos isso)
Nós ficamos falando sobre a nossa briga e meio que ''resolvemos tudo''. Eu acho que chorei um pouco, não me lembro. Lembram da Dyan O'Brien? Pois então, eu, a Unicórnia e ela viramos melhores amigas. Sempre falávamos sobre a Layla, e do quanto sentíamos sua falta. Eu me diverti muito com as duas, mas não iria querer voltar a falar com elas.
Em 2019, eu fiz minha mãe chorar muito. Me meti em brigas. Me ''apaixonei'' por alguns garotos, sendo que amava outro desde 2016 (sobrinho da ex do meu pai, um dia falo sobre ele). Me descobri bissexual. E a pior coisa de todas, que eu acho que fez a nossa amizade acabar... as drogas.
Não vou falar coisas que não fiz como fingir que eu era um bandido pra Dyah, falando que eu estava em uma boca de fumo e que se ela falasse alguma coisa pra alguém, iriam dar um tiro na minha cabeça. Confesso que não sei o porquê eu fiz tudo aquilo, mas eu acho que eu só queria atenção, não, eu tenho certeza. Com essa mentira eu acabei prejudicando a Dyah, ela ficou frustada e quando minha mãe soube (a Dyah mandou mensagem pra minha irmã pedindo ajuda e minha mãe soube. Minha mãe veio com uma barra de madeira do trabalho dela só pra me sentar o cacete) Pra mim a Dyah fez o certo, eu mereci apanhar. No dia seguinte após esse, minha mãe me fez abrir as minhas pernas na frente das minhas irmãs pra ver se eu ainda era virgem, e se, não tinha feito algo de errado comigo, um dos meus traumas. Minha mãe foi até a escola saber o que tinha acontecido, ela associou um garoto que eu gostava achando que era o bandido, só porque tinha uma foto dele no meu celular, e porque minha irmã do meio falou que uma vez viu ele fumando maconha no banheiro. Eu fui falar com ele sobre o que tinha feito, mas ele não quis me deixar terminar quando eu falei que a mãe dele poderia vir a escola, e acabei acabando com uma amizade. A Dyah ficou muito frustada com isso tudo, mas depois de um tempo essa confusão se ''acalmou''.
Não vou mentir, a Dyah me chamava de problemática algumas vezes, o que não era tão mentira na época, mas também me machucava.
Enfim, indo agora para as drogas. Isso mesmo, drogas. Na verdade, eram medicamentos psicotrópicos, o que poderiam sesão drogas já que eu me apoiava naquilo como um porto seguro, quando os meus problemas estavam me pesando muito. Um dia quando estava no meu quarto, eu fui usar um dos medicamentos, e minha cabeça começou a doer muito. Doía tanto que eu chegava a me debater na cama. Quando estava doendo eu fiquei me debatendo, até que resolvi me levantar e tomar um banho frio, mas adivinha, não resolveu. Depois eu peguei gelo, e pus em minha toalha, colocando a parte que estava com gelo na minha cabeça para a dor ''passar''. Ainda me debatendo, eu não consegui parar a dor, até que eu apaguei. Por conta daquela dor, sempre que eu usava a droga, eu desmaiava, pois da primeira vez que tive a dor, quase tive uma overdose (foi o que me pareceu). Quando eu desmaiava eu não sentia dor, só apagava.
Como um exemplo disso, uma vez eu levei a droga pra escola, e usei com uma amiga minha, vou chamá-la de Nick. Ela não sabia usar direito, e eu sabia o efeito que ia causar nela, então eu usei tudo pra ela não ficar tão mal. Eu falei pra Nick que tinha drogas, e ela quis usar. Mas eu não queria que ela ficasse tonta e depois apagasse no meio da aula, então usei tudo por ela. Quando eu usei a droga, nós estávamos rindo, até que eu vi a cara da Dyah, e meu sorriso se desfez. Eu sabia que eu estava fazendo algo de errado, mas eu não parei. Depois voltei a sorrir, já temendo que eu sofresse uma overdose de verdade agora. No meio da aula, o garoto que eu amava, vou chamá-lo de Coxinha, e outro amigo dele, vou chamá-lo de Cafetão, viram que a Nick estava meio sonolenta, então me pediram pra trazer ela pra perto de nós. Quando eu me levantei minha cabeça começou a dar pontadas de dor, mas eu não liguei. Eu fui pegar a Nick e coloquei ela sentada logo atrás de nós. Quando a aula começou as dores pararam, mas eu estava muito tonta e sonolenta. Eu coloquei meu caderno e meu estojo pra debaixo de minha mesa, e depois coloquei minhas mãos na minha cabeça, tentando ficar acordada...até que eu apaguei. Eu não lembro do que estava acontecendo quando eu estava apagada, mas enquanto estava apagada eu vi minha mãe chorar, e comecei a ouvir a voz do Coxinha e do Cafetão. Eles me ajudaram a levantar e eu fui pra sala perto da diretoria, esperar minha família vir me buscar. Depois desse dia, a Dyah e a Unicórnia começaram a se afastar de mim, mas não foi tão rápido assim.
Um dia, elas simplesmente pararam de falar comigo. Não falaram comigo o por quê de estarem indo embora. Ou o que eu tinha feito. Não me eixaram explicar, apenas foram. Eu insisti tanto, tentei falar com elas, mandar alguns amigos meus perguntarem o motivo delas terem ido embora, mandei carta, tentei falar o assédio que havia sofrido. Mas elas não vieram.
Na verdade, esse assédio aconteceu quando eu tinha 8 anos. Eu comecei a gostar de um garoto quando tinha 8 anos e eu estava no 2 ano nessa época. Eu estava logo atrás do armário de materiais pra artes e afins, e fiquei olhando pra ele sentado na cadeira, por um espaço que tinha lá. Ele chamou a prima dele, e falou algo no ouvido dela. Eu ainda estava sorrindo, pensei que ele mandou a prima dele dizer pra mim algo carinhoso de criança. Mas na verdade, ela veio e falou: '' Carls me pediu pra fazer isso em você'' e mexeu no meu peito. Eu fiquei confusa e depois voltei a olhar pra ele no espaço que tinha ali, nessa hora já não estava mais sorrindo. Depois ela voltou, falou a mesma coisa, e mexeu na minha vagina. Eu cobri meu peito com meus braços, e quando ela foi embora, eu comecei a escorregar pela parede até cair no chão chorando. E aquilo doeu muito. Meu melhor amigo de infância, Ricardo, falou pra professora que eu estava ali. Ela me perguntou o que aconteceu, mas eu não disse nada, porque eu olhei pra aquele garoto, e senti medo e raiva. Eu vi ele sorrindo pra mim. E quando eu falei pra elas sobre o assédio, eu não falei sobre esse garoto. Eu inventei uma história sobre um cara mais velho que na verdade eu nem conhecia. E por quê eu fiz isso? Porque na época que eu falei sobre o assédio, esse mesmo garoto estava me mandando mensagens, e eu estava assustada, ms não conseguia falar pra ninguém, mais um dos meus traumas. Por isso inventei a história e um homem mais velho. Tomara que elas não tenham acreditado, porque eu realmente estava com muito medo na época, e não queria que ninguém acreditasse naquilo. Mas que invés disso, me perguntassem o que realmente acontecendo, só que a vida não é tão boa assim. Quando eu falei sobre o assédio, eu ainda me desculpei por ter parado de falar com elas, sendo que elas que parara de fala comigo. A Unicórnia apenas disse ''Tá bom'', mas eu sabia que nada tinha se resolvido. Um grupo de apoio de adolescentes do colégio veio até nossa sala, e eu quis falar a verdade, ele estavam falando sobre assédio virtual. Eu fui até eles, mas eu só disse ''Quando eu estiver pronta eu posso vir aqui?' eles me disseram sim e eu voltei pra sala. A minha amiga Nick me perguntou se eu falei sobre o assédio, e eu disse que não.
Enfim, eu nunca soube o que era ao certo o motivo delas terem partido da minha vida. Eu achava que eram as drogas, mas até hoje não tenho certeza. Uma vez pedi um amigo meu e da Unicórnia pra perguntar à ela qual foi o real motivo, e ela disse ''Ah ela tava insuportável''. Eu vi o print da conversa. Eu não chorei, não senti raiva, ódio, repúdio, dor e nem nada. Só um vazio de decepção.
Depois de um tempo eu falava delas algumas vezes pros meus amigos, reclamando que elas não tiveram a coragem nem de me dizer o que eu fiz. Mas aí eu parei, e ''esqueci'' tudo.
Hoje em dia, pra mim, elas são apenas lembranças de algo bom e ruim que aconteceu na minha vida. Não gosto da ideia delas terem me deixado sem dizer nada, mas também não as culpo. Elas foram importantes pra mim por um tempo. Eu excluí fotos e vídeos delas do meu celular e das minhas redes sociais, pras não lembrar mais delas, mas ainda as tenho na minha lembrança. Sempre que fico me sentindo triste, com raiva ou vazia, eu escuta a música ''Home'' da Daughter de um vídeo que eu fiz pra Dyah O'Brien. Quando eu fiz esse vídeo, eu fiz pela letra da música, pois eu sabia que ela iria embora, e ia ser breve a sua partia. Não vou por o vídeo aqui pois está com uma foto dela. Mas essa música sempre me acalma, pois lembro do dia que estávamos no segundo pavilhão do colégio, tirando fotos ou apenas conversando esperando nossos pais chegarem. Eu estava deitada no colo dela no banco. Um dos dias mais especiais pra mim. Elas não são uma lembrança ruim, mas também não são uma lembrança boa. Com a partida delas eu amadureci mais, me indireitei, me resolvi com minha família (mais ou menos) e estou querendo um futuro pra mim vida.
Agora depois do apagão que eu tive em 2019, eu nunca mais usei medicamentos psicotrópicos. Eu estou estudando mais, pensando em fazer medicina e virar neuro-cirurgiã, pra ajudar pessoas com problemas iguais ao de minha mãe, ou virar General do exército das Forças Armadas. Quero arrumar um/uma namorada/namorado, que espere eu ter meus 15 anos pra namorar. Que fique comigo por muito tempo, e que respeite minhas decisões sobre sexo, política, religião, família ou qualquer outra coisa. Quero vencer na vida e dar orgulho pra minha família.
Estou juntando dinheiro pra pagar minha faculdade e ter uma boa via morando com minha melhor amiga Emilly.
Mas pra falar a verdade, a Dyah O'Brien e a Unicórnia não me ajudaram a pensar nisso tudo, ou até, a querer mudar. Eu só mudei.
E em relação a aquele garoto do assédio, eu falei poucas e boas pra ele esses dias, pra ele me deixar em paz, e ele finalmente foi embora.
Espero que quem leia a história da minha recuperação se apoie nela, e se ajude a melhorar. Lubixco e for contar minha história, faça dela também como uma história de auto-ajuda. Mas passar bem, e ah antes que eu me esqueça.
Fui babaca em relação a Dyah e a Unicórnia?
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2020.06.12 04:50 altovaliriano Para onde vai o dinheiro dos homens sem rosto?

Este tópico foi uma sugestão de u/frdnt. Eu nunca havia pensado sobre a questão, de forma que eu não tinha uma resposta quando comecei a escrever o texto. Contudo, conforme pesquisava, cheguei a uma conclusão pessoal, que está no fim deste post.
Desde o primeiro livro da série somos apresentados à noção de que, apesar de mundialmente famosa, a Casa do Preto e Branco pratica preços inacessíveis até mesmo para o Trono de Ferro:
Em Bravos há uma sociedade conhecida como os Homens Sem Rosto – sugeriu o Grande Meistre Pycelle.
Faz alguma ideia do preço que eles cobram? – protestou Mindinho. – Poderíamos contratar um exército de mercenários comuns por metade do preço, e isso para dar cabo de um mercador. Nem me atrevo a pensar no que pediriam por uma princesa.
(AGOT, Eddard VIII)
Vale notar que o comentário veio do mesmo mestre da moeda que teve que levantar fundos para um torneio em que foram distribuídos 90 mil dragões de ouro só em prêmios. Não sabemos quanto o evento em si custou, mas não seria impensável que a coisa toda ultrapassasse em muito os 100 mil dragões. Então para que Mindinho protestasse, era porque o preço embaraçaria até mesmo seu trabalho como Mestre da Moeda.
Porém a fala de Petyr em A Guerra dos Tronos revela uma coisa: o preço dos homens sem rosto não é fixo. Martin chegou a comentar sobre o preço em uma correspondência com uma fã:
Os Homens sem Rosto não publicam uma lista de preços na porta. Funciona de uma forma que você vai até eles e diz quem quer que seja morto, e aí eles negociam o preço. Quanto mais proeminente for a vítima, quanto mais difícil for de se aproximar, quanto mais perigoso para o assassino e a guilda, mais alto será o preço.
(SSM 15/11/1999, tradução de Felipe Bini)
Essa idéia é reforçada nos livros seguintes. A primeira vez que um homem sem rosto matou uma pessoa diferente do próprio suplicante, o preço cobrado foi a servidão vitalícia:
Você ofereceu tudo o que tinha pela morte deste homem, mas escravos não têm nada além de suas vidas. É isso o que o deus deseja de você. Pelo resto de seus dias na terra, você o servirá”. E, daquele momento em diante, éramos dois.
(ADWD, A Garota Cega)
A Criança Abandonada afirma que o preço pela morte de sua madastra, pago por seu pai, foi em dinheiro e em deixar a filha na Casa do Preto e do Branco:
[…] ele veio até aqui e fez um sacrifício, oferecendo toda sua riqueza e a mim. O das Muitas Faces ouviu suas preces. Fui trazida para o templo para servir, e a esposa do meu pai recebeu o presente.
(AFFC, Gata dos Canais)
Todavia, talvez não devamos levar a sério as palavras destas pessoas tão bem treinadas para mentir. Seja como for, o fato é que pessoas de fora da seita reconhecem que o custo pode ser exorbitantemente caro a depender do alvo. E aí chegamos à pergunta do título: o que a Casa do Preto e do Branco faz com tanto dinheiro?
A primeira explicação seria a mais simples:

Custos de manutenção de suas atividades

Os homens sem Rosto viajam mundo afora para matar os mais diversos tipos de pessoas. Então, são necessários recursos para custear este tipo de coisa. São passagens, armas, comida, acomodações e trajes adequados ao disfarce. Há ainda os venenos raros, como Lágrimas de Lys, Sangue de Basilisco, Sonodoce e o que quer que seja que eles ponham no poço do templo:
Venenos. Então compreendeu. Todas as noites depois das preces, a criança abandonada esvaziava um jarro de pedra nas águas do tanque negro.
(AFFC, Arya II)
Além disso, há a manutenção da Casa do Preto e do Branco em si. Fora os custos normais, ainda existem itens especiais como as velas aromáticas cujo incenso traz memórias do passado e conforta as pessoas que estão morrendo:
Aqueles que vêm beber da taça negra estão em busca do seu anjo. Se têm medo, as velas os acalma. Em que você pensa quando sente o cheiro de nossas velas ardendo, pequena?
Winterfell, podia ter dito. Sinto cheiro de neve, fumaça e agulhas de pinheiro. Sinto cheiro de estábulos. Sinto o cheiro do riso de Hodor e da luta de Jon e Robb no pátio, e de Sansa cantando sobre uma estúpida bela senhora qualquer. Sinto cheiro das criptas onde estão os reis de pedra, sinto o cheiro de pão quente assando, sinto o cheiro do bosque sagrado. Sinto o cheiro da minha loba, de seu pelo, quase como se ainda estivesse comigo.
Não sinto cheiro de nada – respondeu, esperando para ver o que ele diria.
Mente – ele disse –, mas pode guardar seus segredos, se quiser, Arya da Casa Stark […]
(AFFC, Arya II)
Entretanto, esta resposta é largamente insuficiente. Mesmo que somadas, nenhuma destas despesas parece justificar o preço dos homens sem rosto. Os valores e sacrifícios exigidos superam em muito qualquer despesa eventual que os assassinos poderiam ter ao longo dos anos.
Sem falar que, a julgar por Jaqen H’aghar, fica parecendo que os agentes da seita improvisam muito quando estão em campo, tendo que arranjar recursos por si mesmo, por vezes perdendo algum tempo trabalhando para consegui-los.
Ainda devemos lembrar que os servos da Casa do Preto e Branco tiram o dinheiro e os bens carregado por aqueles que vêm ao templo para morrer. Portanto, o templo também pode contar com tais “doações”.
Isso nos leva a segunda teoria popular sobre o dinheiro dos homens sem rosto, que seria:

Eles não ligam para o dinheiro

Segundo esta linha de pensamento muito difundida no fandom, o preço estabelecido pela seita não teria relação com seus custos, mas com sua visão de mundo. Exigir um alto preço e/ou um duro sacrifício de seus clientes seria uma forma de não banalizar suas missões.
Neste sentido, o cliente dos homens sem rosto seriam pessoas que não os estariam procurando levianamente, pois saberiam que o preço se baseia em fazer o cliente cortar na própria carne. Caso contrário, como bem colocou um leitor em um fórum, de que outra forma a Casa do Preto e Branco evitaria se tornar uma ferramenta para os ricos e poderosos oprimirem os mais fracos que eles?
Assim, eles não pedem apenas uma quantia em dinheiro. A quantia em dinheiro deve ser extorsiva, quase levando o cliente à bancarrota, para que o cliente, a seita e todo mundo entenda que a encomenda foi um péssimo negócio, em que ambos os lados tenham enormes prejuízos.
Essa linha de pensamento tem várias virtudes. Analisando um caso que conhecemos, o dono da companhia de seguros marítimos morto por Arya, podemos ver isso com certa clareza. Muito prrovavelmente, alguém que deseje ardentemente a morte deste homem é alguém que foi agudamente prejudicado por ele, e que portanto já pode estar até mesmo falido. Nesse caso, seria natural que a guilda exigisse sacrifícios pessoais ao invés de dinheiro.
Mas a linha de pensamento de que os homens sem rosto somente pedem dinheiro como uma forma de autosacrifício também se aplica bem a um caso surgido via teorias de leitores. É muito popular a teoria que afirma que Euron Greyjoy teria pago homens sem rosto para matar Balon e que o preço teria sido um ovo de dragão (aquele que ele disse a Victarion que atirou ao mar).
Uma vez que Euron é conhecido por não ficar com a “parte do leão” de seus saques, caso ele tenha ficado com um ovo de dragão para si, isso pode indicar que o objeto teria um valor relevante para ele. Dessa forma, supondo que a Casa do Preto e Branco tenha exigido exatamente este tipo de pagamento revela que os homens sem rosto estariam sendo coerentes com o conceito de exigir um enorme sacrifício do cliente.
Porém, como vocês podem reparar, esta solução não resolve a questão principal que é para onde o dinheiro vai e não a forma como ele é adquirido. A seita pode não negociar preços pensando no lucro, mas diante dos preços que eles praticam, o lucro virá.
Chegamos então à terceira explicação e de longe a mais popular:

Eles guardam no Banco de Ferro

Todo tipo de teoria da conspiração surge desta ideia, que se subdivide em duas linhas:
  1. Eles são os maiores correntistas do banco e por isso controlam o Banco;
  2. Eles apenas guardam o dinheiro lá.
A segunda hipótese é plenamente risível e não resolve a questão que estamos investigando. Simplesmente haver um cofre no Banco de Ferro que se assemelha ao tesouro de Smaug em Erebor ou ao de Tio Patinhas não tem serventia alguma. Estariam os homens sem rosto acumulando dinheiro sem motivo algum? Não me parece ser verdade.
A primeira hipótese é mais difícil de dissuadir, mas tampouco faz sentido. A história do Banco de Ferro é conhecida e envolve gente demais, com cerimônias demais, para que um segredo dessa magnitude não tenha vazado ao longo da história. Além disso, os modus operandi de ambas organizações é muito distinto um do outro.
Por que uma organização liderada pelos mais letais assassinos do mundo gastariam fortunas patrocinando os inimigos de seus mutuários inadimplentes quando poderia enviar agentes especializados em fazer com que as mortes de seus alvos parecessem acidentes?
“Mas as moedas dos homens sem rosto são feitas de ferro, o que é uma clara alusão ao Banco de Ferro”, alguns dizem. Mas estas pessoas esquecem um simples fato: as moedas correntes em Braavos são todas feitas de ferro (ADWD, A garotinha feia). Todas elas podem ser cunhadas pelo Banco de Ferro, claro, mas o que eu quero dizer é que o fato delas serem feitas de ferro nada revela.
Por outro lado, a forma como o Banco de Ferro está amalgamado com a política de Braavos, tendo ido até Valíria para pagar pelos navios tomados na fuga de seus fundadores – mas não pelos escravos fugidos (TWOIAF, As Cidades Livre: Braavos) – revela que o Banco tem interesses na luta contra escravidão e outras bandeiras braavosis que são totalmente ignoradas pela Casa do Preto e do Branco.
A religião do Deus de Muitas Faces é uma religião de não-intervenção, inerte até que seja provocada por um suplicante que pague o preço. Eles não interveem no mundo exterior, nem escolhem seus alvos como partes de planos deliberados. Ou, como mesmo disse o Homem Gentil:
Não somos mais que instrumentos da morte, não a morte em si. Quando assassinou o cantor, você tomou os poderes do deus para si. Matamos homens, mas não pretendemos julgá-los.
(ADWD, A garota cega)
Assim, os objetivos da Casa do Preto e Branco é algo mais imaterial do que política. O que nos leva à quarta hipótese:

Eles tem um objetivo secreto que exige MUITO dinheiro

Só que ninguém tem ideia de qual seria este objetivo.
Alguns leitores chegam a especular que eles estão de olho nos Outros e que controlar o Banco de Ferro é apenas um meio para enfrentá-los. Segundo este pensamento os Outros representariam uma corrupção da dádiva Daquele de Muitas Faces ao levantarem os mortos. Porém, não há qualquer evidência que fundamente isto.
Sem mais delongas, vamos às minhas conclusões

Minhas conclusões pessoais

Eu não acho que o mistério de para onde vai o dinheiro dos homens sem rosto seja um enigma central em ASOIAF, apenas um detalhe que exige explicação para que a criação de mundo fique redonda.
Não acho que a quantidade de dinheiro que a Casa do Preto e Branco tenha guardada será crucial para a história, tampouco saber onde este dinheiro esta guardado. Por essa razão, eu proponho que este dinheiro tem que ser aplicado de maneira mundana, sem direito a teorias da conspiração complexas.
E eu imagino que este dinheiro tenho uma destinação bem simples: permitir que a Casa do Preto e Branco continue a existir, sem retaliações ou perseguições. Aí você poderia me perguntar “E quem em Braavos iria querer o fim de uma seita tão útil?”. Bem, qualquer pessoa que tenha inimigos.
A simples existência da guilda deve ser um fator de muita tensão na política braavosi. Os ricos e poderosos que levam suas contendas às últimas consequências na cidade devem viver sob a ameaça de que seu inimigo qualquer dia atravesse as portas de ébano e represeiro no centro da cidade. Por outro lado, que Senhor do Mar poderia assegurar que não seria assassinado por seus concorrentes-inimigos a qualquer momento? Ou, ainda pior, alguém de fora de Braavos poderia solicitar o serviço dos Homens Sem Rosto para influenciar na ordem interna da cidade.
Portanto, eu acho bastante provável que todo este dinheiro seja usado pela Casa do Preto e Branco para pagar propinas e “taxas” ao governo de Braavos, ao Banco de Ferro e às famílias nobres mais proeminentes em determinada época.
A sensação de que estavam enriquecendo com as atividades dos homens sem rosto pode dar aos braavosis beneficiados a sensação de que estavam fazendo um investimento de risco calculado ao permitir que a Casa do Preto e Branco continue a operar. Este é o tipo de negócio que combina bastante com a personalidade dos bravosis.
Com efeito, Fogo & Sangue nos deu alguns insights com relação a isso. Quando a cidade entra na mira do Trono de Ferro, após uma troca de ameaças veladas, o Senhor do Mar de Braavos assim resume o jeito braavosi:
Ameaças me incomodam. Os westerosis podem ser guerreiros, mas nós, braavosis, somos negociantes. Vamos negociar.
(F&S, Jaehaerys e Alyssane: Triunfos e Tragédias)
Se isto não lhe soar suficientemente persuasivo, Fogo & Sangue novamente volta a se referir aos braavosis como burgueses heréticos e gananciosos (um ponto de vista certamente carregado com algum preconceito de Arquimeistre Gyldayn):
[…] os braavosis eram um povo pragmático, pois a cidade deles é formada de escravos fugidos onde mil deuses falsos são honrados, mas só o ouro é verdadeiramente adorado. Lucro é mais importante do que orgulho, nas cem ilhas.
(F&S, Sob os regentes: Guerra e Paz e Exposição de Gado)
Estas são as minhas especulações.
O que vocês acham?
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2020.05.09 21:42 BrGuy10 Explicando Marcação a Mercado e o que a taxa básica tem a ver com isso

Fala pessoal. Frequento essa sub há algum tempo e tenho notado que com o crescimento da sub, e sendo a maioria de buy-and-holders, tem surgido algumas dúvidas sobre marcação a mercado de ativos financeiros. Longe de mim esgotar o assunto aqui, mas meu trabalho envolve estudo e ensino de matérias relacionadas, então acredito que possa esclarecer algumas coisas. Aceito correções e sugestões de outros membros. (Texto longo)

Costumo sempre falar que o preço de qualquer ativo de renda fixa está na fórmula básica da matemática financeira (VPL = soma dos fluxos futuros descontada a valor presente por uma taxa). Pra títulos simples como CDBs não tem nem somatório, é um fluxo futuro só. Enquanto os fluxos futuros costumam ser fáceis de se estimar em renda fixa - pela remuneração contratada e com auxílio das curvas de juros -, a taxa que vai descontar esses fluxos depende. Se você quiser marcar o título pela curva de emissão, basta descontar os fluxos pela mesma taxa contratual que você projetou, e você vai achar o chamado valor ao par, que conta apenas com valor nominal + juros. Agora, eventualmente as instituições precisam estimar o valor de mercado dos ativos. O valor de mercado nada mais é que o valor justo do ativo financeiro, o preço pelo qual o ativo ou passivo seria transacionado na data de avaliação, numa transação não forçada (isso bem por cima, aqui no Brasil o CPC 46 dá mais detalhes conceituais).
Essa costuma ser a forma mais segura de marcar os ativos em carteira porque, por mais que as instituições possam querer segurar seus ativos até o vencimento (muitas vezes não querem), existe sempre o risco de algum evento demandar liquidez imediata e ela ter que se desfazer dos ativos. Aí o que vai contar é o valor de mercado, que pode estar acima ou abaixo do valor ao par.
Agora voltando pra fórmula do VPL, aquele i embaixo, que significa a taxa de desconto, vai mudar. Na marcação a mercado, a taxa de desconto vai ser a remuneração que o mercado está esperando/cobrando daquele ativo atualmente. Como o pagamento futuro de um título de renda fixa não muda (pode ser uma taxa flutuante, mas ainda assim o pensamento é válido), a única forma de obter um rendimento difierente do contratual é pagar um preço menor ou maior do que o título vale. E esse preço vai ser dado pela fórmula do VPL lá em cima. Intuitivamente (e pela fórmula), podemos concluir que se a taxa de mercado for a mesma da emissão, o preço de mercado do título vai ser o par (valor nominal + juros). Se a taxa de mercado estiver acima da taxa de emissão, então o preço vai estar abaixo do par (pra obter uma remuneração melhor recebendo o mesmo valor, você precisa pagar menos do que ele vale). Assim, quando você compra um título e a taxa dele sobe, o preço dele cai, e dizemos que o título se desvalorizou. Do contrário, se a taxa do ativo desce, seu preço sobe e dizemos que o ativo valorizou. Agora, como chegar nessa taxa de mercado pro ativo?
O melhor método de conhecer a taxa de mercado de um título é ver por quanto ele está sendo negociado. Mas como o mercado secundário por aqui é relativamente pequeno, vários ativos não vão apresentar liquidez suficiente pra avaliar isso com confiança. A ANBIMA costuma divulgar taxas referenciais pra vários títulos, como títulos públicos, debêntures e créditos, e essas taxas costumam ser bem aceitas pelo mercado. Mas pra outros títulos, é preciso ser mais criativo.
A taxa de mercado de um título é composta de dois fatores: um fator livre de risco e um adicional pelo risco de crédito. A fórmula (em juros compostos) é "i_MtM = [(1 + RF)*(1 + s)]-1". O RF é o componente livre de risco, ele representa o quanto um ativo livre de risco está remunerando (esse é o basico que um título privado deve remunerar, já que esses sempre têm risco). Assim, essa taxa é geralmente extraída da remuneração dos títulos públicos de um país. Aqui no Brasil utilizamos a Selic e o CDI. Mas não se engane, não é usado o nível da taxa agora, mas sim a projeção de quanto essa taxa estará de acordo com os vencimentos dos fluxos a serem descontados. É por isso que as instituições montam projeções de vencimentos futuros e níveis de taxa naqueles vencimentos, as chamadas curvas de juros. A curva de juros livre de risco geralmente é formada utilizada títulos públicos e derivativos. Já o spread de crédito é a parte mais díficil de se obter, porque diz respeito a cada emissor - e pode até variar dentro de um mesmo emissor, de acordo com a dívida. Por isso geralmente as instituições pegam os preços negociados e estimam o spread implícito naquele preço.
Agora que já vimos a fórmula do preço de um título e a fórmula da taxa que forma esses preços, ficou fácil de ver como a taxa básica influencia nos preços de títulos. Toda vez que o COPOM corta a taxa Selic, o CDI vai junto e as curvas de juros livres de risco vão reduzir suas projeções. Reparem por exemplo na diferença já nos primeiros vértices da curva referencial DI x Pré da B3 (projeção do CDI, basicamente) entre 06/05 e 07/05, seguindo a última decisão do COPOM de corte da taxa selic para 3% ao ano. Vendo a nossa fórmula da i_MtM (taxa de mercado) lá em cima, isso significa que, supondo que o spread de crédito continue o mesmo, o preço do título vai subir mesmo ele tendo o mesmo risco, simplesmente porque a curva livre de risco se moveu pra baixo. Economicamente, isso significa que os rendimentos mínimos esperados hoje são menores do que os esperados no dia 06/05. Por isso, a remuneração cobrada agora para títulos com um dado perfil de risco é inferior à que era cobrada anteriormente. Se a remuneração cobrada é menor, então o preço pago será maior (já que a remuneração futura dos títulos de renda fixa é fixa). Assim, os títulos de renda fixa emitidos antes dos cortes se valorizaram, enquanto os novos títulos agora tendem a ser emitidos com taxas mais baixas.
Bom, é isso. Espero ter ajudado pessoal, novamente qualquer pessoa que tiver uma sugestão ou correção, fique à vontade.
Abraços e bons investimentos!
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2020.04.12 04:33 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 7

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7

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Sinais e Portentos

Uma das habilidades mais impressionantes doeGRRM como escritor, em minha opnião, é sua capacidade de ocultar prenúncios [foreshadows] em cenas aparentemente irrelevantes a serem revisitadas pelo leitor, que maravilhará com elas. Por exemplo:
Quando Podrick quis saber o nome da estalagem onde esperavam passar a noite, Septão Meribald apegou-se avidamente à pergunta [...].
– Alguns a chamam Velha Estalagem. Ali existe uma estalagem há muitas centenas de anos, embora esta só tenha sido construída durante o reinado do primeiro Jaehaerys […].
Mais tarde, passou para um cavaleiro aleijado chamado Jon Comprido Heddle, que se dedicou a trabalhar o ferro quando ficou idoso demais para combater. Ele forjou um novo sinal para o pátio, um dragão de três cabeças em ferro negro que pendurou em um poste de madeira. [...]
– O sinal do dragão ainda está lá? – Podrick qui saber também.
– Não – Septão Meribald respondeu. – Quando o filho do ferreiro era já um velho, um filho bastardo do quarto Aegon ergueu-se em rebelião contra seu irmão legítimo e escolheu como símbolo um dragão negro. Estas terras pertenciam então a Lorde Darry, e sua senhoria era ferozmente leal ao rei. Ver o dragão de ferro negro o deixou furioso, e por isso derrubou o poste, fez o sinal em pedaços e os atirou ao rio. Uma das cabeças do dragão foi dar à costa na Ilha Quieta muitos anos mais tarde, embora nessa época estivesse vermelha de ferrugem. O estalajadeiro não voltou a pendurar outro sinal, e os homens esqueceram-se do dragão.
(AFFC, Brienne VII)
Aqui está a essência da teoria de que Aegriff é um pretendente de Blackfyre explicada por meio de brasões. O dragão negro retornando a Westeros via mar disfarçado de vermelho. Existem inúmeros pequenas recompensa nos livros para os fãs desenterrarem e, geralmente, quanto mais importante é a história, mais difusas são as dicas. R + L = J é provavelmente o atual campeão disso, com alusões a ela freqüentemente despontando em diálogos casuais sobre Jon ou envolvendo-o. Como por exemplo, esta conversa de quando ele soltar Val na Floresta Assombrada para encontrar Tormund:
[Jon:] Você voltará. Pelo menino, se não por outra razão. [...]
[Val:] Assegure-se de que esteja protegido e aquecido. Pelo bem da mãe dele, e pelo meu. E o mantenha longe da mulher vermelha. Ela sabe quem ele é. Ela vê coisas nas chamas.
Arya, ele pensou, esperando que fosse assim.
– Cinzas e brasas.
– Reis e dragões.
Dragões novamente. Por um momento, Jon quase os viu também, serpenteando na noite, suas sombras escuras delineadas contra um mar de chamas.
(ADWD, Jon VIII)
Muito irônico que, mais cedo, em seu próprio capítulo, Melisandre olhe para as chamas e veja Jon, como ela faz há algum tempo. Jon, que é é rei e dragão (se R+L=J for verdade).
Portanto, a questão agora é se o GRRM deixou pistas que levem à Grande Conspiração Nortenha.
Mais homens de neve haviam sido erguidos no pátio quando Theon Greyjoy voltou. Para comandar as sentinelas de neve nas muralhas, os escudeiros haviam erigido uma dúzia de senhores de neve. Um claramente pretendia ser Lorde Manderly; era o homem de neve mais gordo que Theon já vira. O senhor de um braço só podia ser Harwood Stout, a boneca de neve, Barbrey Dustin. E um que estava mais perto da porta com a barba feita de pingentes de gelo devia ser o velho Terror-das-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Que escolha interessante de bonecos de neve para citar e assim chamar à atenção. No mesmo capítulo, especula-se que Manderly, Terror-das-Rameiras, Stout e a Senhora Dustin formam uma espécie de corrente humana para transmitir informações sobre os Starks (a sobrevivência de Bran e Rickon, com certeza) com o fim derradeiro de trazer a Senhora Dustin e os Ryswells para a secreta liga anti-Bolton.
Ainda mais intrigante é o fato de que isso também pode ser lido como um jogo de palavras que sugerem o apoio norte de Jon. Assim como Wylla Manderly proclama sua lealdade aos Starks durante a audiência de seu avô com Davos, dizendo que os Manderlys juravam ser sempre “homens Stark”, se Lord Wyman e seus co-conspiradores decidissem apoiar o decreto de Robb de nomear Jon seu herdeiro, eles seriam "homens de neve" [Snow men].
Outro conjunto de pistas em potencial está na escolha de músicas de Manderly durante a festa do casamento (ADWD, O príncipe de Winterfell). Por que Manderly quer que Abel contemple os Freys com uma música sobre o Rato Cozinheiro já foi discutido, mas qual das outras duas músicas ele pede pelo nome? Os tristes contos de Danny Flint e "A Noite que Terminou".
Fortenoite surgia em algumas das histórias mais assustadoras da Velha Ama. Tinha sido ali que o Rei da Noite reinou, antes de seu nome ter sido varrido da memória dos homens. Foi ali que o Cozinheiro Ratazana serviu ao rei ândalo seu empadão de príncipe e bacon, que as setenta e nove sentinelas mantiveram-se de vigia, que o bravo jovem Danny Flint foi violado e assassinado.
(ASOS, Bran IV)
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[Jon:] Mance alguma vez cantou Bravo Danny Flint?
[Tormund:] Não que eu me lembre. Quem era ele?
– Uma garota que se vestiu de menino para tomar o negro. Sua canção é triste e bonita. O que aconteceu com ela não foi. – Em algumas versões da canção, seu fantasma ainda caminhava pelo Fortenoite.
(ADWD, Jon XII)
Já foi teorizado que o elemento chave da história de Danny Flint que Manderly tem em mente é a farsa por meio de uma identidade falsa. Jeyne Poole é outra garota que finge ser alguém que não é e, embora o faça sob coação, seu destino é tão terrível quanto o de Danny Flint.
Manderly pode ter desvendado a falsa Arya? Como? Na verdade, duas falsas Aryas são analisadas e julgadas não convincentes - primeiro Jeyne por Theon (ADWD, Fedor II), depois Alys Karstark por Jon (ADWD, Jon IX). Theon percebe imediatamente que os olhos de Jeyne são castanhos, não cinza. Jon também verifica o cabelo e a cor dos olhos de Alys, que combinam com os de Arya, mas percebe que ela é velha demais para ser sua irmã mais nova. O mesmo vale para Jeyne, que era a melhor amiga de Sansa e, portanto, provavelmente da mesma idade dela, alguns anos mais velha que Arya. A questão é que o estratagema dos Bolton não é perfeito, e uma pessoa familiarizada com Arya pode identificar as discrepâncias. Existe alguém assim em Winterfell além de Theon?
Os Cerwyns são bons candidatos, em minha opinião. Eles moram a apenas meio dia de viagem de Winterfell (ACOK, Bran II) e pode-se esperar que tenham visitado os Starks com frequência suficiente para observar Arya de perto. O próprio Mance Rayder é outro, tendo supostamente aparecido em Winterfell durante o festim real em A Guerra dos Tronos com o propósito declarado de espiar. Harwin, se ele é realmente o misterioso homem encapuzado que Theon encontra. Outros senhores do Norte talvez também suspeitem, pois se interessariam em Arya pelas perspectivas de seu casamento.
Por fim, “A Noite que Terminou” é aparentemente uma música que comemora a última Longa Noite e a vitória da humanidade sobre os Outros.
Muito mais tarde, depois de todos os doces terem sido servidos e empurrados para baixo com galões de vinho de verão, a comida foi levada e as mesas encostadas às paredes para abrir espaço para a dança. A música tornou-se mais animada, os tambores juntaram-se a ela, e Hother Umber apresentou um enorme corno de guerra encurvado com faixas de prata. Quando o cantor chegou à parte de A Noite que Terminou, em que a Patrulha da Noite avançava ao encontro dos Outros na Batalha da Madrugada, deu um sopro tão forte que fez todos os cães latirem.
(ACOK, Bran III)
Em conjunto, a playlist de Manderly no casamento diz àqueles inteligentes o suficiente para ouvir que ele não está se deixando enganar pelas mentiras dos Bolton, ele já derramou sangue Frey às escondidas e seu lado será o vencedor no final. Há outra singularidade em sua seleção de músicas, no entanto. Uma que sugere novamente uma conexão com Jon. Todos as três cançoes são sobre a Patrulha da Noite.
O Rato Cozinheiro era um irmão negro que se vingou, e Danny Flint queria ser um. " A Noite que Terminou " apresenta a Patrulha em glorioso triunfo sobre os Outros, salvando o reino no processo. Certamente, há outras músicas sobre garotas bonitas disfarçadas e mentirosas recebendo sua punição, ou sobre vitórias Stark sobre os ândalos, selvagens ou homens de ferro que Manderly poderia ter pedido. A menos que ele (ou GRRM!) esteja, de fato, inserindo outro ponto muito sutil com isso: que Jon Snow não tenha sido esquecido pelos vassalos leais de seu falecido pai e irmão.
E há uma terceira referência a Jon! Quais são os nomes das duas garotas que tão comovente e retumbantemente falam do amor do Norte pelos Starks? Wylla Manderly e Lyanna Mormont. Pode ser simples coincidência que uma compartilhe um nome com a ama de leite de Jon (que Ned afirmou ser sua mãe) e a outro tenha o nome da verdadeira mãe biológica de Jon (assumindo R + L = J como verdadeiro). Uma vez que estamos falando das Crônicas de Gelo e Fogo , no entanto, eu digo que provavelmente não é coincidência.
Um último potencial prenúncio tem a ver com Stannis e sua campanha para ganhar o Norte.
Stannis estendeu uma mão, e seus dedos fecharam-se emvolta de uma das sanguessugas.
– Diga o nome – ordenou Melisandre.
A sanguessuga retorcia-se na mão do rei, tentando se prender a umde seus dedos.
– O usurpador – disse ele. – Joffrey Baratheon. – Quando atirou a sanguessuga no fogo, ela enrolou-se entre os carvões como uma folha de outono e incendiou-se.
Stannis agarrou a segunda.
– O usurpador – declarou, dessa vez mais alto. – Balon Greyjoy. – Deu-lhe um piparote ligeiro para dentro do braseiro […]
A última sanguessuga estava na mão do rei. Estudou aquela por ummomento, enquanto se contorcia entre seus dedos.
– O usurpador – disse por fim. – Robb Stark. – E atirou-a para as chamas.
(ASOS, Davos IV)
Joffrey, Balon e Robb morrem nas mãos de homens, cujos planos estão em andamento muito antes de Stannis realizar qualquer ritual, não porque sejam amaldiçoados magicamente ou porque R'hllor quer que seja assim. Para que serve Stannis queimando as sanguessugas? Em seu capítulo em A Dança dos Dragões, vimos Melisandre apostar pesado nas aparências como uma maneira de conservar sua influência, mantendo os homens admirados por sua aura de misticismo. Uma demonstração de poder, a fim de recuperar a confiança de Stannis, não seria ruim após a derrota desastrosa no Àgua Negra e, por mais risíveis que tenham sido suas interpretações sobre Azor Ahai, Melisandre consegue prever eventos de importância política em suas chamas, às vezes com detalhes e precisão impressionantes.
[Jon:] Outros senhores se declararam por Bolton também?
A sacerdotisa vermelha deslizou para mais perto do rei.
– Vi uma cidade com muralhas de madeira, ruas de madeira, cheia de homens. Estandartes se agitavam sobre suas muralhas: um alce, um machado de batalha, três pinheiros, machados de cabos longos cruzados sob uma coroa, uma cabeça de cavalo com olhos flamejantes.
– Hornwood, Cerwy n, Tallhart, Ryswell e Dustin – informou Sor Clayton Suggs. – Traidores, todos. Cãezinhos de estimação dos Lannister.
(ADWD, Jon IV)
Melisandre vê nas chamas que Joffrey, Balon e Robb não demorarão muito no mundo dos vivos e orquestra uma pequena farsa para Stannis; portanto, quando a notícia de suas mortes chegar até ele, sua crença nela e em suas habilidades será reforçada. Como tudo isso é relevante para a Grande Conspiração Nortenha? Lorde Bolton é chamado por alguns de Senhor Sanguessuga pelas sanguessugas que frequentemente usa para tratamentos de saúde.
[Roose:] Tem medo de sanguessugas, filha?
[Arya:] São só sanguessugas. Senhor.
– Meu escudeiro poderia aprender alguma coisa com você, ao que parece. Sangramentos frequentes são o segredo de uma vida longa. Um homem tem de se purgar do sangue ruim.
(ACOK, Arya IX)
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O quarto do senhor estava cheio de gente quando [Arya] entrou. Qyburn encontrava-se presente, bem como o severo Walton com seu camisão e grevas, além de uma dúzia de Frey, todos eles irmãos, meios-irmãos e primos. Roose Bolton estava na cama, nu. Sanguessugas aderiam à parte de dentro de seus braços e pernas e espalhavam-se por seu peito pálido, longas coisas translúcidas que se tornavam de um cor-de-rosa cintilante quando se alimentavam. Bolton não prestava mais atenção nelas do que em Arya.
(ACOK, Arya X)
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– O que você quer agora? – Gendry perguntou numa voz baixa e zangada.
[Arya:] Uma espada.
– O Polegar Preto mantém todas as lâminas trancadas, já lhe disse mais de cem vezes. É para o Senhor Sanguessuga?
(ACOK, Arya X)
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Os olhos de Harwin desceramdo rosto de Arya para o homem esfolado que trazia no gibão.
– Como é que me conhece? – disse, franzindo a testa, desconfiado. – O homem esfolado... quem é você, algum criado do Lorde Sanguessuga?
(Arya II, ASOS)
Qyburn, Jaime e a Senhora Dustin também observam a associação de Roose com sanguessugas (ASOS, Jaime IV / ADWD, O Príncipe de Winterfell). Figurativamente falando, Stannis está novamente queimando sanguessugas para se exibir em sua guerra contra os Boltons, esperando convencer os nortenhos a apoiarem sua tentativa pelo Trono de Ferro. Mas, assim como o teatro de Melisandre não resulta em nada além de aprofundar a confiança de Stannis nela, os experimentos de Stannis em A Dança dos Dragões podem ser inúteis caso outro Stark seja proclamado rei no norte. E há uma dica de que isso acontecerá.
A voz de Melisandre era suave. – Lamento, Vossa Graça. Isso não é um fim. Mais falsos reis irão se erguer em breve para tomar a coroa daqueles que morreram.
– Mais? – Stannis parecia comvontade de esganá-la. – Mais usurpadores? Mais traidores?
– Vi nas chamas.
(ASOS, Davos V)
Em A Dança dos Dragões, mais reis falsos parecem ter substituído os que morreram, como profetiza Melisandre. Tommen assume a coroa de Joffrey e Euron a de Balon. E a coroa de Robb? Quem é o novo rei do norte?
Roose pode ter algumas ambições por lá (ADWD, O Príncipe de Winterfell), mas ele ainda não desafiou o Trono de Ferro ou os Lannisters, que o nomearam Protetor do Norte. De qualquer forma, é improvável que ele pudesse ganhar o apoio dos nortenhos, que prefeririam que um Stark os governasse. Pessoalmente, acho que a opção mais dramática para o próximo usurpador e traidor é Jon, que ganhou o respeito relutante de Stannis por um conselho honesto e pode continuar tendo discussões tensas (leia-se: divertidas!) com ele, de uma maneira que Rickon, de cinco anos de idade, bem, realmente não conseguiria.

Um tempo para lobos

Uma objeção comum à Grande Conspiração Nortenha é que, por mais persuasivo que seja, é otimista demais acreditar que GRRM permitirá que os Starks e seus aliados triunfem. Afinal, ele ganhou reputação por subverter clichês de fantasia de bem vs. Mal, e por matar ou mutilar personagens amados enquanto saboreia as lágrimas amargas de seus leitores.
GRRM é realmente tão pouco convencional? A morte de Ned Stark em A Guerra dos Tronos é frequentemente citada como o momento em que a ASOIAF rompe com as tradições de gênero, transcendendo a tendência juvenil da fantasia por finais de contos de fadas cortando a cabeça do protagonista. No entanto , eu argumentaria que não apenas os críticos da fantasia são os culpados por estereotipar e simplificar outros trabalhos como Senhor dos Anéis a ponto de não fazer sentido, em uma demonstração de memória seletiva. A própria estrutura narrativa da ASOIAF disfarça o fato de que Ned nunca foi o herói da história de GRRM, para começo de conversa.
Ned é uma figura paterna, um mentor protetor e guia do tipo que quase sempre morre, às vezes antes de o primeiro ato de uma fantasia épica terminar (vide Obi-wan Kenobi). As crianças Stark nunca se desenvolveriam de verdade por si mesmas, a menos que o “porto seguro” Ned fosse removido, assim como Harry Potter não pôde depender de Dumbledore em seu confronto final com Voldemort. Dadas as habilidades de vidente verde de Bran, Ned pode até aparecer do além-túmulo para transmitir sabedoria ou divulgar segredos como fizeram Obi-wan e Dumbledore. Tudo isso é bastante convencional. GRRM é simplesmente um mestre da desorientação, e sua manipulação é evidente em muitas das grandes reviravoltas de ASOIAF.
Robb? Nunca teve um ponto de vista. Contos da carochinha sobre reinos perdidos por coisas pequenas são tão comuns quanto as sagas de reis guerreiros heróicos vitoriosos em conquista. As lendas arturianas, por exemplo, contam sobre a fundação da utópica Camelot e a morte de Arthur nas mãos de seu filho bastardo com sua meia-irmã, e sua rainha fugindo com um de seus cavaleiros.
GRRM explora inteligentemente o desejo do leitor de ver Ned vingado. Os Starks se reúnem para distrair os leitores para o prenúncio da morte de Robb no sonho de Theon (com um banquete de mortos em Winterfell) e as visões de Dany na Casa dos Imortais, ambos em A Fúria dos Reis.
Portanto, se a previsibilidade no desdobramento de um enredo não serve como teste para teoria dos fãs, em quais critérios os leitores da ASOIAF podem confiar? Penso que a questão-chave que deve ser colocada em qualquer especulação é: "como isso faz a história avançar?"
A Guerra dos Cinco Reis está marcada pelas mortes de Ned e Robb, a primeira instigando o conflito e a segunda efetivamente encerrando-o – ou pelo menos limpando a lousa para a próxima rodada. Por outro lado, em minha opinião, é narrativamente fraca a ideia de que Jon Snow está permanentemente morto e que seu assassinato levará à queda da Muralha, pensando-se que o atentado sozinho seja capaz de trazer caos a Castelo Negro, pois assim também perderemos Jon como personagem pelo resto da série, tornando inúteis todas aquelas páginas gastas em fazer dele indivíduo e não um simples instrumento do enredo.
Voltando finalmente à Grande Conspiração Nortenha, o que vejo como um dos principais problemas de GRRM em Os Ventos do Inverno é que, depois de cinco livros e quase duas décadas, os Outros ainda não causaram muito impacto. O apocalipse dos zumbis de gelo prometido no prólogo de A Guerra dos Tronos é bom acontecer em breve ou GRRM pode ser justamente acusado de deixar sua história inchar até ficar anticlimática.
Além disso, quando os Outros invadirem inevitavelmente Westeros, eles devem fazê-lo com poder devastador, a fim de estabelecer sua credibilidade como uma ameaça ao reino. No entanto, como pode o Norte, nas condições em que se encontra em A Dança dos Dragões – já devastado pela guerra e pelo inverno, dividido pela política e pelos conflitos de sangue, além de amplamente ignorante do perigo para-lá-da-Muralha –, suportaria realisticamente esse ataque? E as casas do norte, assim como os homens, devem sobreviver em número significativo.
Caso contrário, a tarefa de vencer a Batalha da Alvorada recairá inteiramente sobre Dany, seus dragões, quaisquer forças que a acompanhem de Essos e quaisquer senhores do sul que possam ser convencidos a prestar atenção nela. Acho essa uma perspectiva bastante desagradável, sem mencionar tematicamente inconsistente com o título da série, em que apenas os seres inumano feitos de gelo desempenham papéis principais.
Se for verdade, a Grande Conspiração Nortenha tem o benefício de rapidamente unificar o Norte novamente sob o comando dos Starks, que provavelmente serão liderados por Jon como o mais velho e com mais experiência militar aparente. Isso não recupera magicamente as baixas sofridas pelo Norte durante a guerra, nem produz colheitas para alimentar seu povo faminto e com frio (a menos que Sansa conquiste o Vale), mas garante que as Casas do norte viverão para, em minha opinião, participar do objetivo final de ASOIAF.
As bases para um ressurgimento Stark foram lançadas durante Festim e Dança. Os senhores do rio derrotados estão descontentes e os nortenhos mantêm fé nos Stark. Os Frey são párias para inimigos e aliados, enquanto os Lannisters estão em declínio ignominioso; O legado de Tywin compara-se pejorativamente ao de Ned, apesar da conveniência política do primeiro ser elogiada em detrimento do idealismo rígido do último. Parece que a honra muitas vezes ridicularizada de Ned alcançou uma vitória póstuma, o amor misturado com um respeito saudável provando ser uma influência muito mais duradoura sobre as pessoas do que um reino garantido pelo medo e pela força, que não apenas morre com você, mas também transforma seus filhos em herdeiros inadequados .
Além disso, a mera existência de um complô para coroar Jon não significa que ele será rei no norte. Por acaso, acho que o maior problema nos planos que especula-se que os nortenhos têm é que, após a devida consideração, Jon recusará categoricamente a legitimação e os títulos oferecidos. Considerando que ele seja filho de Lyanna e Rhaegar e que isso o põe como o herdeiro Targaryen do trono de ferro antes mesmo de Dany, seria bastante estranho Jon ser formalmente reconhecido como o rei Stark do norte separatista; Um imperativo dramático exige que Jon seja livre para aceitar o governo de todos os Westeros, quer ele o faça ou não. Jon ouvir a intenção de Robb de reconhecê-lo um verdadeiro filho de seu pai é suficiente para completar o arco de personagens discutido na Parte 1, e os Starks sobreviventes se aliariam a Jon, independentemente de como ele fosse estilizado, por ainda serem um alcatéia.
Não há necessidade de provar o vínculo de afeto de Jon e Arya. Ao resolver a disputa pelas terras de Hornwood, Bran prefere nomear herdeiro bastardo de Lorde Hornwood tendo Jon em mente (ACOK, Bran II). Enquanto isso, Sansa ficou completamente desiludida com o futuro como rainha e quer apenas ir para casa em Winterfell, a salvo de homens que desejam seu dote. É irônico, então, que Jon é um cavaleiro direto das canções outrora queridas de Sansa, pois é um príncipe oculto, cavalheiresco e verdadeiro, seu papel confirmado pela execução que fez de Janos Slynt. Não importa as maldades infantis que Sansa fez a Jon para agradar sua mãe e decorrentes de um senso de adequação, ela pensa com carinho nele agora e entende melhor como ser um bastardo o afeta.
Lorde Slynt, o da cara de sapo, sentava-se ao fundo da mesa do conselho, usando um gibão de veludo negro e uma reluzente capa de pano de ouro, acenando com aprovação cada vez que o rei pronunciava uma sentença. Sansa fitou duramente aquele rosto feio, lembrando-se de como o homem atirara o pai ao chão para que Sor Ilyn o decapitasse, desejando poder feri-lo, desejando que algum herói lhe atirasse ao chão e lhe cortasse a cabeça. Mas uma voz em seu interior sussurrou: Não há heróis.
(AGOT, Sansa VI)
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[Sansa] havia séculos que não pensava em Jon. Era apenas seu meio-irmão, mesmo assim... Com Robb, Bran e Rickon mortos, Jon Snow era o único irmão que lhe restava. Agora também sou bastarda, como ele. Oh, seria tão bom voltar a vê-lo. Mas estava claro que isso nunca poderia acontecer. Alayne Stone não tinha irmãos, ilegítimos ou não.
(AFFC, Alayne II)
E Rickon?
A procissão passara a não mais de um pé do local que lhe fora atribuído no banco, e Jon lançara um intenso e demorado olhar para todos eles. O senhor seu pai viera à frente, acompanhando a rainha. [...]Em seguida, veio o próprio Rei Robert, trazendo a Senhora Stark pelo braço. [...] Depois vieram os filhos. Primeiro o pequeno Rickon, dominando a longa caminhada com toda a dignidade que um garotinho de três anos é capaz de reunir. Jon teve de incentivá-lo a seguir, quando Rickon parou ao seu lado.
(AGOT, Jon I)
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Bran bebeu da taça do pai outro gole do vinho com mel e especiarias, [...] e se lembrou da última vez que tinha visto o senhor seu pai beber daquela taça.
Havia sido na noite do banquete de boas-vindas, quando o Rei Robert trouxera a corte a Winterfell. Então, ainda reinava o verão. Seus pais tinham dividido o estrado com Robert e sua rainha, com os irmãos dela a seu lado. Tio Benjen também estivera lá, todo vestido de preto. Bran e os irmãos e irmãs tinham se sentado com os filhos do rei, Joffrey, Tommen e a Princesa Myrcella, que passou a refeição inteira olhando Robb com olhos de adoração. Arya fazia caretas do outro lado da mesa quando ninguém estava olhando; Sansa escutava, em êxtase, as canções de cavalaria que o grande harpista do rei cantava, e Rickon não parava de perguntar por que motivo Jon não estava com eles.
– Porque é um bastardo – Bran teve de segredar-lhe por fim.
(ACOK, Bran III)
Jon tem duas vantagens adicionais sobre qualquer pessoa de fora para conseguir que Rickon o obedeça: 1) Fantasma, que pode subjugar Cão Felpudo. 2) Sua semelhança com Ned, de quem Rickon provavelmente se lembra como seu pai de tempos mais felizes. Assim como a semelhança de Sansa com Catelyn leva Mindinho a uma falsa sensação de segurança, a aparência de Jon pode reforçar sua posição como uma figura de autoridade para Rickon.
Em resumo, sinto que há boas chances de que o primeiro ato do rei Bran ou Rickon, da rainha Sansa ou de Arya seja nomear Jon seu conselheiro, confiável acima de todos os outros, e dê a ele o comando estratégico de seus exércitos, ou se não legitimá-lo como um Stark conforme os últimos desejos de Robb. E, francamente, a noção de que Stannis, Mindinho ou Manderly possamem convencer os Starks a uma disputa de sucessão mesquinha quando Jon é claramente o mais qualificado para liderar o Norte em uma segunda Longa Noite me parece implausível, contradizendo a caracterização estabelecida e a dinâmica familiar.
O que me leva à outra objeção comum a todas as variações de Jon como rei. Jon é honrado demais para quebrar seus votos, certo? Também usurpar os lugares de direito de seus irmãos enquanto eles estão vivos!
Lembremos a lição que Qhorin Meia-mão ensina a Jon: "Nossa honra não significa mais que nossas vidas, desde que o reino esteja seguro". (ACOK, Jon VII) No final de Dança dos Dragões, Jon resolveu fazer o que considerava certo e condenar o que as pessoas dizem sobre ele.
– Tem minha palavra, Lorde Snow. Retornarei com Tormund ou sem ele. – Val olhou o céu. A lua estava meio cheia. – Procure por mim no primeiro dia da lua cheia.
– Procurarei. – Não falhe comigo, pensou, ou Stannis terá minha cabeça. “Tenho sua palavra de que manterá nossa princesa por perto?”, o rei dissera, e Jon prometera que sim. Mas Val não é nenhuma princesa. Disse isso a ele meia centena de vezes. Era uma desculpa fraca, um triste farrapo enrolado em sua palavra quebrada. Seu pai nunca teria aprovado aquilo. Sou a espada que guarda os reinos dos homens, Jon recordou-se, no fim, isso deve valer mais do que a honra de um homem.
(Jon VIII, ADWD)
Apesar de sua aparência essencialmente Stark, Jon não é um clone de Ned, o qual, de todo modo, confessou uma traição que não cometeu, a fim de poupar a vida de Sansa e quase completsmente só sustenta a maior mentira da série em nome de Jon (supondo que R+L=J), por muitos anos antes disso. O entendimento de Jon sobre obrigações, juradas ou não, sempre foi flexível, porque sua própria existência é a prova de que o mais honroso dos homens pode falhar em seu dever. Se Ned, seu modelo de comportamento, não pode cumprir seus votos de casamento, como Jon pode esperar ser melhor, já que é um bastardo?
Depois de seu período com Meia-mão e Ygritte, a tarefa sísifa original de Jon, de alcançar padrões de honra impossivelmente altos, transformou-se em uma dedicação firme ao mais alto mandamento da Patrulha da Noite – ou seja, defender o reino contra os Outros. Existem inegáveis complicações emocionais por parte de Jon ao lidar com o Norte, já que ele não pode reprimir totalmente suas preocupações com a família e o lar, mas assumir o comando de nortenhos que não querem dobrar os joelhos para Stannis garantirá que o Muralha receba reforços e suprimentos necessários. Jon consideraria sua honra pessoal mais importante do que isso? Eu duvido.
Isso tudo, é claro, pressupõe que a Patrulha da Noite continue a existir de alguma forma após o fiasco do assassinato de Bowen Marsh, o que de maneira alguma é certo que ocorrerá.
Que a última cena de Jon em Dança dos Dragões faz paralelo com a morte de Júlio César é uma ideia amplamente aceita. Agora, considere que os senadores que mataram César, em vez de salvar a república romana de um tirano, precipitaram sua queda, descobrindo, para seu choque, que o povo não estava particularmente agradecido pelo assassinato de um líder popular, embora cometido em seu nome.
Guerras civis se seguiram, um império surgindo das ruínas. Ainda não se sabe se Jon é Otaviano / Augusto nesta reconstituição na fantasia. Ele tem à sua disposição um exército pessoal – depois de inconscientemente se tornar rei dos selvagens na ausência de Mance Rayder –e um contrato com o Banco de Ferro (ao que tudo indica).
Concluindo, passo a proibir que discussões posteriores a esta teoria de argumentem que uma conspiração para coroar Jon Rei do Norte esteja fora do mão para os (hipotéticos) conspiradores e os pretendentes Stark para Winterfell ou para GRRM, devido a sua aversão crônica a clichês. Ambas as afirmações foram usadas para descartar a teoria sem abordar as evidências que sustentariam a falta de substância, especialmente tendo em vista a maleabilidade de personagens e tropes nas mãos de um bom escritor (o que eu acredito que a maioria dos fãs da ASOIAF confia que o GRRM seja). Todo mundo deseja a ele boa sorte com Os Ventos do Inverno!
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2020.03.06 07:45 -Doku_ Uma mente com duas opiniões

Olá, você verá vários erros de português e pontuação horríveis, então prepare a sua cabeça que vai doer... Também eu não tenho tantas lembranças dos acontecimentos, eu não sei porque. Então poderá ficar confuso
Bem, eu sou um adolescente de 16 anos que está em um momento ruim. Eu era(e ainda sou) introvertido e muito preocupado com as coisas, eu tinha uma avó no qual eu depositava toda a minha confiança, mas quando eu tinha 9 anos ela faleceu, junto com ela todo os pilares de confiança que eu tinha começaram a desmoronar aos poucos.
Com o passar o tempo(1 ou 2 anos após a morte da minha vó) eu comecei a criar um medo sobre os olhares e pensamento das pessoas, praticamente me sentia observado e julgado por todos. Uma vez eu tive que fazer um trabalho que eu deveria amarar algo, mas sentir o olhar de todos me deixava extremamente desconfortável, me fazendo cair em um completo choro, e uma voz surgia na minha cabeça.
2 anos a trás(2018) eu comecei a chorar toda noite enquanto me culpava, toda noite eu esperava todos irem dormir para eu ficar chorando muito, uma hora eu comecei a pensar em suicídio, esperando que meus pais saírem de casa para eu me enforcar ou quando eu fosse para a escola, pular em um carro, eu não fiz nem um dos dois, porque eu sabia que minha família iria sofrer e eles teriam uma mancha na família (eu imaginei que todos iriam rir de mim por morrer por um sentimento "estúpido") quando 2019 chegou eu explodi de tantos pensamentos guardados e eu chorei muito, tanto que chamei meus pais.
Nesse mesmo ano eu pensava em fazer algo novo, mais essa voz sempre dizia que eu não conseguiria, que era uma perda de tempo. Tinha outra parte de mim que ficava achando legal desenhos e músicas, eu queria tentar isso, mais essa voz sempre me jogava para a real, "você sabe que não consegue" era o que eu ouvia, eu comecei a perceber que eu tinha uma ansiedade, sempre criava rotas e caminhos do que poderia dar errado sobre as minha escolhas, os meus pais começaram a não ligar muito para isso, que me deixou desapontado e mais triste.
Os pensamentos começaram a ficar mais fortes e eu não conseguia lembrar ou fazer ações muito rápidas qualquer coisa sumia na minha mente(que já acontecia a tempos).
2020 com mais uma regra deles para eu ficar longe do celular me fez fica com raiva e ter um "ataque de Pânico" no qual eu fiquei chorando, olhos arregalados, me contorcendo todo, tremendo e etc...
Hoje em dia meus pais vão estão tentando me levar no psicólogo, afinal esses pensamentos saíram do controle. Eu não consigo mais acreditar em mim mesmo, qualquer coisa nova que eu tente, essa voz diz, "você não consegue, não gaste seu tempo" e me faz desistir na hora, eu não consigo mais lutar contra essa voz e essas brigas mentais que acontecem, sempre eu mude de opinião ou eu desisto de algo antes de começar, como se tivesse duas pessoas de opiniões diferentes lutando, não consigo mais aguentar essa briga.
Bem tudo deve ter ficado extremamente confuso, eu não sou bom com texto, também e meu primeiro posto em qualquer Reddit, eu não sei se eu tenho algum tipo de ansiedade, mais eu sinto muitos sentimentos fortes e essas duas "pessoas" não param de brigar, eu não sei como me sentir mais
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2020.03.06 03:56 altovaliriano A glorificação da guerra e o sonho de Dunk

Em uma “segunda de SSM”, eu tratei sobre uma entrevista que o jornal britânico The Guardian fez com Martin. No final do artigo, o jornalista relata que perguntou a Martin qual era sua cena favorita nos livros e recebeu uma resposta inesperada:
Com isso em mente, ele tem uma cena favorita em que sentiu a escrita realmente acertou em cheio? Eu perguntei plenamente esperando que ele mencionaria um dos momentos mais famosos, como o Casamento Vermelho, por exemplo, ou a morte chocante de Ned Stark no primeiro livro.
Houve uma longa pausa antes que a resposta surpreendente chegasse. “Lembro que houve um discurso que um septão [a versão westerosi de um padre] faz a Brienne sobre homens quebrados e como eles se quebram. Eu sempre fiquei muito satisfeito em ter escrito aquilo”.
O discurso em questão é um pesado e longo monólogo do Septão Meribald dá em O Festim dos Corvos, no 5º capítulo de Brienne. Podrick pergunta se desertores e foras-da-lei de equivalem e Brienne responde laconicamente, mas Septão Meribald dá um resposta longa sobre como os desertores são o resultado da destruição que a guerra dos nobres causa na vida dos plebeus.
A quem conhece um pouco do pensamento de GRRM, a resposta ao jornalista apenas parece refletir sua posição pessoal anti-guerra que permeia toda sua obra, desde a primeira história que vendeu profissionalmente, “O Herói”. Em As Crônicas de Gelo e Fogo, o autor expõe o tempo todo as consequências catastróficas da guerra, tanto para o lado vitorioso quanto para o perdedor.
Inclusive, existe um longo e excelente texto escrito por um expert em armas nucleares que demonstra como Martin se inspirou nestes dispositivos de destruição em massa para criar os dragões de seu mundo e todo o jogo político ao redor de quem vai dominá-los. O fato de alguém conseguir puxar tantos paralelos entre armas nucleares e dragões dá uma pista do tom antiguerra de ASOIAF, além de mostrar o quanto ser baby-boomer influencia na visão de mundo de GRRM.
Como era natural de se esperar, os contos de Dunk e Egg não escapam a este tipo de abordagem. Porém, aqui Martin preferiu manifestar o tema de forma onírica.
Em um recente tópico aqui no valiria, eu tentei explorar as razões que fizeram com que GRRM nos contasse sobre a viagem de Dunk e Egg à Dorne, quando ele parece ter mudado de ideia sobre qual seria o enredo da história sucessora de O Cavaleiro Andante.
Dentre várias razões que apontei para a manutenção da jornada dornesa nos flashbacks de Dunk, eu especulei que a história da morte de Castanha serve como mote para o sonho de Dunk, pois essa história revela como inocentes podem morrer por decisões estúpidas de seus senhores. Mas eu gostaria de acrescentar que inocentes e votos de cavaleiro também morrem quando cavaleiros põem o cumprimento dos deveres para com seus senhores acima de proteger os fracos.
Este é o sentido do sonho de Dunk, emanado do sentimento anti-guerra de Martin, conforme analisarei a seguir.

Um cavaleiro antes de uma espada juramentada

De fato, desde o primeiro treinamento dos plebeus que obedeceram ao chamado de Sor Eustace para a guerra contra a Rohanne fica claro que eles não teriam qualquer chance contra os cavaleiros da viúva.
Quando Dunk afirma que a necessidade de mandar todos a morte por um disputa tão pequena é uma escolha que não cabe a eles, Egg responde com uma alegoria à lição de Sor Arlan, de não dar nomes a cavalos para evitar sofrer quando eles morrem:
– Isso não é você nem sou eu quem vai dizer – Dunk respondeu. – É dever de todos eles ir para a guerra quando Sor Eustace os convoca... e morrer, se necessário.
– Então não devíamos ter dado nomes para eles, sor. Isso só vai tornar a dor mais difícil para nós quando morrerem.
(A Espada Juramentada)
De fato, é incrível a quantidade de parágrafos que GRRM leva descrevendo o processo de “batismo” dos camponeses que tinham nomes iguais. A princípio, eu não entendi porque Martin achou que isso era importante, até que eu comecei a decodificar o sonho de Dunk.
Essencialmente, o que aconteceu com Castanha nas areias de Dorne é o mesmo que está acontecendo em Pousoveloz antes de Dunk começar a pensar em uma saída pacífica para o impasse entre Osgrey e Webber. O sonho é a forma como Dunk, um homem de lealdade inquestionável e raciocínio lento, começa a perceber as consequências da obediência cega que tem prestado a Sor Eustace.

O Prólogo de um sonho

Antes de passarmos à análise do sonho, um pequeno parágrafo precisa ser examinado. Quando Dunk se deita para dormir, ele lembra dos eventos do torneio de Vaufreixo, especialmente das tragédias que ocorreram naquele dia:
Supostamente, estrelas cadentes traziam boa sorte, então ele pediu para Tanselle pintar uma em seu escudo. Mas Vaufreixo trouxera tudo menos sorte para ele. Antes que o torneio acabasse, ele quase perdera uma mão e um pé, e três bons homens perderam a vida. Ganhei um escudeiro, no entanto. Egg estava comigo quando deixei Vaufreixo. E essa foi a única coisa boa de tudo o que aconteceu.
Esperava que nenhuma estrela caísse naquela noite.
(A Espada Juramentada)
Estes pensamentos antes do sonho provavelmente é o que desperta a memória de Dunk e faz com que Baelor e Valarr surjam em seu sonho. Contudo, Dunk cita que três pessoas morreram naquele dia, mas Valarr não era era uma delas.
Essa distinção é importante para entendermos como o subconsciente de Dunk parece estar funcionando durante o sonho. Como veremos a seguir.

Decodificando

Vamos analisar o sonho na íntegra.
Havia montanhas vermelhas a distância e areias brancas sob seus pés. Dunk estava cavando, enfiando uma pá no solo seco e quente e jogando a fina areia branca por sobre os ombros. Estava fazendo um buraco. Um túmulo, pensou, um túmulo para a esperança. Um trio de cavaleiros dorneses estava parado observando e zombando dele em voz baixa. Mais além, comerciantes esperavam com suas mulas, carroças e trenós de areia. Queriam ir embora, mas não partiriam até que ele enterrasse Castanha. Ele não deixaria seu velho amigo para as cobras, escorpiões e cães da areia.
Aqui Martin estabelece a cena, mas eu quero comentar especificamente as partes em negrito.
Aqueles que lembrarem do que realmente aconteceu no enterro de Castanha, devem desde já estranhar os comerciantes esperando Dunk enterrar o cavalo.
Eu não entendi a parte do túmulo à esperança quando li a primeira vez. Mas agora que sabemos que Castanha está sendo usada como alegoria às vítimas das guerras caprichosas dos nobres e à lealdade cega de seus cavaleiros, seu significado fica evidente.
Dunk está pessoalmente cavando um túmulo para os mais fracos, as pessoas que um cavaleiro jura proteger. As pessoas que viram valor nele quando ele enfrentou Aerion por Tanselle. E ao virar as costas para elas, Dunk se torna um cavaleiro hipócrita, como os demais.
Quanto aos três cavaleiros dorneses, a seguir veremos que eles não são os cavaleiros dorneses que estavam com Dunk, mas Sor Arlan, Baelor Quebralanças e Valarr. Martin preferiu apresenta-los aos poucos durante o sonho, por isso suas identidades não são reveladas nesse momento.
Por outro lado, quem lembrar dos detalhes do enterro de Castanha, saberá que não foi assim que os cavaleiros dorneses se portaram.
O castrado morrera de sede, na longa travessia entre o Passo do Príncipe e Vaith, com Egg em suas costas. Suas patas dianteiras pareciam ter se dobrado sob ele e o cavalo ajoelhou, rolou de lado e morreu. Sua carcaça estava ao lado do buraco. Já estava dura. Logo começaria a feder.
Esta realmente parece ter sido a forma como Castanha morreu. Mesmo que valha a pena debater se Martin não está criando um paralelo entre a sede que matou o cavalo e a seca que levaria a morte dos plebeus, me parece que essa parte só está aí para estabelecer o pano de fundo do acontecimento.
Dunk chorava enquanto cavava, para diversão dos cavaleiros dorneses.
Água é preciosa para se desperdiçar – um deles disse. – Não devia desperdiçá-la, sor.
O outro riu e disse:
– Por que está chorando? Era só um cavalo, e bem feio.
Castanha, Dunk pensou enquanto cavava, o nome dele era Castanha, e ele me levou nas costas por anos e nunca empacou ou mordeu. O velho castrado parecia uma coisa lamentável ao lado dos corcéis de areia lustrosos que os dorneses cavalgavam, com suas cabeças elegantes, pescoços longos e crinas se agitando, mas Castanha dera tudo o que podia dar.
É notável perceber que dois dos “cavaleiros” dão mais valor a água do que a Castanha, assim como Eustace (e Rohanne) do que a vida dos plebeus. Contudo, estes “cavaleiros” montam cavalos melhores do que um velho castrado, indicando que eles são de uma estirpe acima da pequena nobreza (como veremos a seguir).
– Chorando por um castrado de costas arqueadas? – Sor Arlan disse, em sua voz de velho. – Ora, rapaz, você nunca chorou por mim, que o colocou sobre as costas dele. – Deu uma risadinha, para mostrar que não queria causar mal com a censura. – Esse é Dunk, o pateta, cabeça-dura como uma muralha de castelo.
– Ele não derrubou lágrimas por mim tampouco – disse Baelor Quebra-Lança, do túmulo. – Embora eu fosse seu príncipe, a esperança de Westeros. Os deuses nunca pretenderam que eu morresse tão jovem.
– Meu pai tinha só trinta e nove anos – lembrou o Príncipe Valarr. – Tinha tudo para ser um grande rei, o maior desde Aegon, o Dragão. – Olhou para Dunk com frios olhos azuis. – Por que os deuses o levariam e deixariam você? – O Jovem Príncipe tinha o cabelo castanho-claro do pai, mas uma mecha loura-prateada o atravessava.
Vocês estão mortos, Dunk queria gritar, vocês três estão mortos, por que não me deixam em paz? Sor Arlan morrera de um resfriado, o Príncipe Baelor, de um golpe dado pelo irmão durante o julgamento de sete de Dunk, e seu filho Valarr, durante a Grande Praga daPrimavera. Não tenho culpa por esse. Estávamos em Dorne, nem mesmo ficamos sabendo.
Sor Arlan é o terceiro cavaleiro, mas o primeiro que vimos ser revelado. Depois, Baelor e, por fim, Valarr. Isso ocorre porque foi nesta ordem que eles morreram, e é a ordem inversa de suas idades.
Enquanto a fala de Valarr é uma repetição quase idêntica do último diálogo entre Dunk e o príncipe (até mesmo as descrições), as falas de Sor Arlan e Baelor se concentram no fato de que Dunk não havia chorado a morte deles, mas agora chorava a morte de um cavalo.
A razão para isso é porque Dunk não foi responsável pelas mortes de nenhum dos três, nem mesmo a de Baelor Quebralanças (ao menos não totalmente). Mas ele foi responsável pela morte de Castanha.
No caso de Valarr, o próprio Dunk não vê culpa sua.
Sor Arlan morreu de um resfriado e os pensamentos de Dunk foram de que “ele teve uma vida longa” e “Devia estar mais perto dos sessenta do que dos cinquenta anos, e quantos homens podem dizer isso? Pelo menos vivera para ver outra primavera” (O Cavaleiro Andante). Portanto, salvo por sentimentalismo, Dunk não havia porque achar que tinha culpa na morte do velho.
Já o Príncipe Baelor entrou no Julgamento dos Setes por conta própria, sem que Dunk sequer cogitasse convidá-lo e para a total surpresa dos Targaryen na equipe dos acusadores. Então, objetivamente não há culpa real de Dunk. Ele não tinha uma escolha real.
Entretanto, mesmo que Dunk sinta-se a culpado, ele sabe que só poderia ser responsável por uma parcela. De fato, como o próprio cavaleiro admite, ele divide o fardo com Maekar: “Você o acertou com a maça, senhor, mas foi por mim que o Príncipe Baelor morreu. Então eu o matei tanto quanto o senhor” (O Cavaleiro Andante).
Contudo, Castanha morreu exclusivamente porque Dunk estava caprichosamente correndo atrás de uma mulher em uma das regiões mais inóspitas dos Sete Reinos.
– Você é louco – o velho disse para ele. – Não vamos cavar nenhum buraco para você quando se matar com essa tolice. Nas areias profundas, um homem deve estocar sua água.
Vá embora, Sor Duncan – Valarr disse. – Vá embora.
A mensagem aqui é bem direta: sacrificar os plebeus em nome do dever como espada juramentada era teimosia inútil, uma “guerra estúpida” como alegara Egg, pois ninguém realmente ligaria se ele morresse ou vivesse.
Egg o ajudava a cavar. O garoto não tinha pá, só as mãos, e a areia voltava para o túmulo tão rápido quanto eles a tiravam. Era como tentar cavar um buraco no mar. Tenho que continuar cavando, Dunk disse a si mesmo, embora suas costas e ombros doessem com o esforço. Tenho que enterrá-lo profundo o bastante para que os cães de areia não o encontrem. Tenho que...
– ... morrer? – perguntou Grande Rob, o simplório, do fundo do túmulo. Deitado ali, tão quieto e frio, com uma ferida vermelha irregular escancarando sua barriga, ele não parecia tão grande.
Dunk parou e o encarou.
– Você não está morto. Você está dormindo no porão. – Olhou para Sor Arlan, em busca de ajuda. – Diga para ele, sor – pediu. – Diga para ele sair do túmulo.
A primeira menção a Egg no sonho é como ajudante de Dunk na missão inútil, o que reflete a última discussão que teve com o escudeiro, na qual conseguiu sua obediência na base da rispidez.
Porém, no meio da tarefa, há a primeira indicação clara de que o ocorrido com Castanha serve de alegoria à situação atual, na qual Dunk está colocando inocentes em perigo ao convoca-los, treiná-los e ficar em negação sobre suas chances.
Até mesmo Sor Bennis, o Marrom, está mais desperto para isto do que Dunk. É claro que o cavaleiro marrom não queria mais trabalho, porém suas atitudes estavam mais voltadas a evitar um banho de sangue do que as tomadas por Dunk.
Com efeito, o cavaleiro não só era contrário a levar a notícia da represa a Sor Eustace, como também não se enganava quanto às chances dos camponeses que estava treinando.
Dunk estava em tamanha negação, que mesmo ao ver Grande Rob mortalmente ferido no buraco em que estava cavando, virtualmente perguntando a Dunk “Tenho que morrer?”, o cavaleiro ainda pediu auxílio a Sor Arlan, seu carinhoso mentor, aquele que lhe ensinou sobre os deveres de uma espada juramentada, que atestasse que nada de errado estava ocorrendo.
Só que não era Sor Arlan de Centarbor que estava parado perto dele, mas Sor Bennis do Escudo Marrom. O cavaleiro marrom só gargalhou.
– Dunk, pateta – disse –, destripar é algo lento, certamente. Mas nunca conheci um homem que viveu com as entranhas penduradas. – Uma espuma vermelha borbulhou em seus lábios. Ele se virou e cuspiu, e as areias brancas beberam tudo.
Buco estava parado atrás dele com uma flecha no olho, chorando lentas lágrimas vermelhas. E lá estava Wat Molhado também, a cabeça cortada quase na metade, com o velho Lem e Pate olho-vermelho e todo o resto. Todos tinham mastigado folhamarga com Bennis, Dunk pensou de início, mas então percebeu que era sangue escorrendo por suas bocas. Mortos, pensou, todos mortos, e o cavaleiro marrom zurrava.
– Sim, melhor se manter ocupado. Tem mais covas para cavar, pateta. Oito para eles, uma para mim, uma para o velho Sor Inútil e a última para seu garoto careca.
Porém, no lugar de Sor Arlan estava Sor Bennis. Isto é o sinal de que não havia lição de honra a ser aprendida, só a realidade nua e crua finalmente se mostrando a Dunk.
Todos morreriam na guerra e tudo seria absorvido e justificado por ela. Até mesmo pessoas que Dunk julgava estarem fora do alcance do conflito, como Egg.
A pá escorregou das mãos de Dunk.
– Egg – gritou –, fuja! Temos que fugir! – Mas as areias escorregavam sob seus pés. Quando o garoto tentou se precipitar para fora do buraco, tudo desmoronou. Dunk viu as areias cobrirem Egg, enterrando-o enquanto ele abria a boca para gritar. Tentou abrir caminho até o escudeiro, mas as areias erguiam-se por todos os lados, puxando-o para o túmulo, enchendo sua boca, seu nariz, seus olhos...
Apesar da alegoria, o sonho aqui mostra bem claramente que a indolência de Dunk levaria todos para dentro do túmulo que Dunk estava escavando para aqueles que morreram porque ele fechou os olhos.
A mensagem anti-guerra que parece estar subjacente aqui é a de que o cumprimento cego do dever não absolve ninguém da responsabilidade pelos mortos, e o conflito atinge a todos indiscriminadamente. E as consequências nefastas da guerra estão por todo nas terras Osgrey. Seja nas vilas ou nas amoreiras.

O epílogo de um sonho

Para finalizar, é preciso analisar o que realmente aconteceu durante o enterro de Castanha.
A primeira coisa a entender é que Dunk não chorou e não houve enterro nenhum:
Nunca chorei. Posso ter tido vontade, mas nunca chorei. Ele tentara enterrar o cavalo também, mas os dorneses não esperaram.
Porém, a lição que Dunk ouviu de um dos cavaleiros dorneses era relativa ao ciclo da vida e a aceitação de que os animais carniceiros que viriam cear da carne de Castanha estavam protegendo a sua própria prole:
– Cães de areia precisam alimentar seus filhotes – um dos cavaleiros dorneses dissera para ele enquanto o ajudava a tirar a sela e os arreios do castrado. – A carne dele vai alimentar os cães ou as areias. Em um ano, seus ossos estarão totalmente limpos. Isso é Dorne, meu amigo.
A partir desta mensagem é que Dunk, já acordado, faz uma nova reflexão sobre as eventuais mortes dos plebeus. Porém, nem mesmo nesta nova meditação Dunk é capaz de achar significado algum para que os novos soldados de Osgrey percam suas vidas:
Ao lembrar-se daquilo, Dunk não pôde deixar de se perguntar quem se alimentaria das carnes de Wat, Wat e Wat. Talvez haja peixes xadrezes no Riacho Xadrez.
Encerrada a questão no plano onírico e no plano racional, não surpreende que Dunk tenha, logo depois do treinamento, perguntando a Sor Osgrey por uma alternativa.
Uma espada juramentada deve serviço e obediência ao seu suserano, mas isso é loucura.

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2020.02.24 03:57 altovaliriano A Mulher Morena

“Sábado de personagens” ainda no domingo. Fazer o quê?
A mulher morena é uma das mais misteriosas personagens de As Crônicas de Gelo e Fogo. Seu nome e origem nunca foi revelado ao leitor. Pouco mais sabemos sobre ela, mas em resumo a mulher foi entregue por Euron a Victarion como um prêmio. Sabemos que ela é muda e que Victarion a considera bonita.
Porém, em determinado momento da história, fica evidente ao leitor de que a mulher morena é mais do que parece ser. A tripulação de Victarion resgata do mar Moqorro, um sacerdote de R’hllor enviado pelo Templo Vermelho para auxiliar Daenerys em Meereen, e leva-o a Victarion, pois o homem afirma estar sabendo de que o Capitão de Ferro corre perigo de morte. Quando um mal súbito atinge Victarion, ele e Moqorro vão à sua cabine e o seguinte ocorre:
Quando abriu a porta da cabine do capitão, a mulher morena se virou em sua direção, silenciosa e sorridente... mas, quando viu o sacerdote vermelho ao lado dele, seus lábios se afastaram de seus dentes, e ela sibilou em súbita fúria, como uma serpente. Victarion a acertou com as costas da mão boa e a derrubou no chão.
– Quieta, mulher. Vinho para nós dois. [...]
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A hostilidade da mulher morena para com Moqorro parece uma indicação muito forte sobre a origem e propósito da personagem na história. A partir deste fato apenas, leitores foram levados às mais loucas especulações sobre a identidade da misteriosa serva-amante de Victarion. Entretanto, se o reino das especulações produz resultados estranhos, posso afirmar que as evidências presente no próprio texto não são menos estranhas. Se analisadas em sua literalidade, o texto produzido pelo próprio Martin aponta para direções completamente ininteligíveis.
Analisemos.

Fenótipo, aparência e semelhanças

Fenótipo é o resultado da expressão dos genes do organismo, da influência de fatores ambientais e da possível interação entre os dois. No contexto deste texto, o fenótipo da mulher morena é algo que poderia nos dar uma dica sobre sua herança genética.
Esse herança genética PODE nos ajudar a determinar a cultura na qual ela nasceu, mas é claro que isso não permite nos concluir com absoluta certeza que ela pertence esta cultura. Um bom exemplo de personagem cujo fenótipo pode ser usado para nos confundir é Sarella Sand, que pertence à cultura westerosi, apesar de que sua aparência denotaria ter nascido nas Ilhas do Verão.
Entretanto, diante das poucas informações disponíveis sobre a mulher morena, esta análise se torna necessária. Em verdade, o próprio Martin parece estar induzindo os leitores a realizar estas investigações, pois ele mesmo deposita dicas disso no texto:
Sua pele era negra. Não o marrom castanho dos ilhéus do Verão com seus navios cisne, nem o marrom-avermelhado dos senhores dos cavalos dothrakis, nem a cor de carvão-e-terra da pele da mulher morena*, mas negra. Mais negra que carvão, mais negra do que o azeviche, mais negra do que as asas de um corvo.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Na passagem acima, vê-se que Martin descarta através de Victarion que a mulher morena pertence às culturas dos Ilhéus do Verão e dos senhores de cavalo Dothraki. A exclusão das Ilhas do Verão é especialmente útil, haja vista onde Euron ALEGA ter encontrado a mulher morena:
INGLÊS: As a reward for his leal service, the new-crowned king had given Victarion the dusky woman, taken off some slaver bound for Lys.
PORTUGUÊS: Como recompensa por seu leal serviço, o recém-coroado rei dera a Victarion a morena, roubada de algum mercador de escravos a caminho de Lys*.*
(AFFC, O Pirata)
Eu acho curioso a forma como fica apenas implícito de que Euron teria capturado a Mulher Morena nos porões de um navio de escravos indo para Lys, quando, na verdade, nada disso está escrito no texto. Não se menciona qualquer navio, nem que ela era uma escrava. Tão facilmente como tomou Falia Flowers quando invadiram o Castelo dos Hewett, Euron poderia muito bem ter tomado a amante de um mercador de escravos.
Mas evitemos a interpretação segundo a qual Martin, a esta altura da história, está tentando nos confundir com jogos de palavras. Que outras opções de origem teria uma mulher “bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada”?
Aqueles que partirem para O Mundo de Gelo e Fogo em busca de auxílio encontrarão logo a seguinte referência sobre os habitantes de Naath:
O povo nativo da ilha é uma raça bonita e gentil, com rostos redondos, pele escura e grandes olhos suaves cor de âmbar, em geral salpicados de dourado.
[...~]
O Povo Pacífico sempre teve um bom preço, dizem, pois são tão inteligentes quanto gentis, belos de se olhar e rápidos em aprender a obediência*. É relatado que* uma casa de prazer em Lys é famosa por suas garotas naathi*, que usam diáfanos vestidos de seda e são adornadas com asas de borboletas alegremente pintadas.*
(TWOIAF, Naath)
As descrições tem certa compatibilidade com as características relatadas da mulher morena. Entretanto, os característicos olhos amarelados teriam sido notados facilmente mesmo por alguém tão tapado quanto Victarion. Por outro lado, depois da demonstração de fúria perante Moqorro, acredito que pouco classificariam a mulher morena como “gentil”.
Caso continuemos a pesquisa no livro de meistre Yandell, logo encontraremos uma outra descrição sobre o povo de Leng que é bastante capciosa:
Os lengii nativos são talvez os mais altos de todas as raças da humanidade, com muitos homens entre eles chegando a mais de dois metros de altura, e alguns até com dois metros e meio. De pernas longas e esguios, pele cor de teca oleada*, eles têm grandes olhos dourados e supostamente podem ver mais longe e melhor do que outros homens,* especialmente à noite. Embora formidavelmente altas*, as mulheres lengii são notoriamente ágeis e encantadoras, de* beleza insuperável*.*
(TWOIAF, Leng)
A descrição da pele é inteiramente simétrica àquela da mulher morena (fornecida por VIctarion). Na verdade, é curioso perceber que a única vez que a expressão “teca oleada” é usada para descrever a pele de alguém ocorre com a mulher morena. A única outra vez em que essa analogia é usada é como o povo de Leng, fora da saga principal, em um livro acessório.
Entretanto, há mais problemas aqui do que soluções. Novamente temos a descrição do dourado dos olhos (que seriam difíceis de Victarion ignorar), a altura formidável e a beleza insuperável. Ainda que possamos alegar que Victarion é um homem alto, próximo dos 2 metros de altura (segundo estimativas dos leitores), seria difícil que ele ignorasse que a mulher morena fosse muito alta para uma mulher e de beleza insuperável.
Desse modo, acredito ser seguro descartar Leng e seguir. Não há mais nenhuma referência a características que se assemelhem à da mulher morena (fora das Ilhas do Verão, que já foram descartadas em nossas premissas acima), porém existe uma referência a um povo no estrangeiro que por vezes sofre o mesmo destino reservado à mulher morena:
Não é surpresa que Sothoros seja pouco povoado quando comparado com Westeros ou Essos. Duas dezenas de pequenas vilas de comércio se amontoam na costa norte ‒ vilas de lama e sangue*, alguns dizem: molhadas, úmidas e cheias de miséria, onde aventureiros, trapaceiros, exilados e* prostitutas das Cidades Livres e dos Sete Reinos vêm fazer fortuna.
Há riquezas escondidas entre as selvas, pântanos e taciturnos rios banhados pelo sol do sul, sem dúvida, mas, para cada homem que encontra ouro, pérolas ou especiarias preciosas, há uma centena que encontra apenas a morte. Os corsários das Ilhas Basilisco atacam esses assentamentos, levando cativos que serão mantidos confinados em Garra ou na Ilha das Lágrimas antes de serem vendidos para os mercados de carne da Baía dos Escravos, ou para as casas de prazer e jardins de prazer de Lys*.*
(TWOIAF, Sothoros)
Embora seja muito vago afirmar que esta é uma origem em potencial para a mulher morena (pois, virtualmente, é o mesmo que dizer que ela poderia ter vindo de qualquer lugar do mundo), a menção de que prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos podem acabar em Lys pode nos ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre seu comportamento esquisito (vide abaixo).
Portanto, ainda que não possamos determinar sua origem, a análise acima nos permite começar a descartar algumas opções. Inclusive, percebemos que a mulher morena tem um pele de uma tonalidade ímpar (teca oleada), o que pode indicar que ela pertença a um povo que ainda não foi descrito pro Martin.
Entrentanto, há uma última analogia que não pode deixar de ser registrada:
“Não quero nenhuma de suas sobras”, dissera desdenhosamente ao irmão, mas quando Olho de Corvo declarou que a mulher seria morta se não a aceitasse, fraquejou. A língua dela tinha sido arrancada, mas exceto por este pormenor estava intacta, e era também bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada. Mas, por vezes, quando a olhava, surpreendia-se lembrando da primeira mulher que o irmão lhe dera*, para fazer dele um homem.*
(AFFC, O Pirata)
Sendo Euron alguém conhecido por apreciar jogos mentais, a escolha de alguém que se assemelhasse com a primeira mulher que Victarion havia recebido pode ter sido deliberada. Este detalhe pode ter sido essencial para capturar a memória afetiva de Victarion e fazer com que ele mais facilmente aceitasse o presente de Euron.
Não fica claro se por “primeira mulher” Victarion está falando de sua primeira esposa (que morreu no parto de uma menina natimorta) ou se ele estaria se referindo à primeira mulher com que se deitou. Curiosamente, esta dúvida se aprofunda quando vemos observamos os pensamentos de Victarion no capítulo liberado de Os Ventos do Inverno:
[Spoilers de Os Ventos do Inverno]Enquanto estava na proa do Vitória de Ferro vendo os navios mercantes de Uma-orelha desaparecem um a um ao oeste, as faces dos primeiros inimigos que matara voltaram a Victarion Greyjoy. Ele pensou em seu primeiro navio, em sua primeira mulher.
(TWOW, Victarion)
De todo modo, o importante é que a mulher morena desperta nele esta memória afetiva. Com efeito, o próprio Victarion não parece compreender porque aceitou a mulher ou mesmo porque não cumpriu seu desejo de sacrificá-la, a despeito de ter a perfeita noção de que qualquer presente de Euron é um presente de grego:
A mulher morena não respondeu. Euron havia cortado sua língua antes de dá-la para ele. Victarion não duvidada que o Olho de Corvo tivesse dormido com ela também. Era o jeito do seu irmão. Os presentes de Euron são envenenados, o capitão lembrara a si mesmo no dia em que a mulher morena veio a bordo*. Não quero nenhum de seus restos. Decidira, então, que cortaria a garganta dela e a atiraria ao mar, um sacrifício de sangue para o Deus Afogado.* De alguma forma, contudo, jamais chegara nem perto de fazer isso*.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Pior, esta sensação de familiaridade poderia justificar também a razão pela qual Victarion confiava seus segredos a ela. Não que a mudez da mulher não tenha parte nisso. Afinal, é o que os próprios pensamentos de Victarion indicam:
Cada vez mais, temia que tivessem navegado longe demais, em mares desconhecidos onde até mesmo os deuses eram estranhos... mas, essas dúvidas, ele confidenciava apenas para sua mulher morena, que não tinha língua para repeti-las.
[...]
Victarion podia falar com a mulher morena. Ela nunca tentava responder.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Contudo, isto não explica outros momentos em que Victarion observa ter uma conexão com a mulher morena que independem da confidencialidade verbal. Para estas situações, a memória afetiva me parece funcionar como uma justificativa muito melhor:
A mulher morena sabia o que ele queria sem que tivesse que pedir. Quando ele relaxou em sua cadeira, ela pegou um pano úmido e macio da bacia e o colocou em sua testa.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Outros exemplos disto são a forma como Victarion parece confiar na mulher morena não só mais do que em Meistre Kerwin, capturado em escudoverde (o que é até justificável, pois os nascidos do ferro parecem desconfiar dos meistres, especialmente em um que servia a uma Casa inimiga derrotada)...
– Pegue esta sujeira e vá. – Victarion acenou para a mulher morena. – Ela pode fazer o curativo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
... mas talvez até mais do que confia em Moqorro:
– [...] Gostaria que eu o sangrasse?
Victarion agarrou a mulher morena pelo pulso e a puxou para si.
Ela fará isso. Vá orar ao seu deus vermelho. Acenda seu fogo, e me diga o que vê.
Os olhos escuros de Moqorro pareceram brilhar.
– Vejo dragões.
(TWOW, Victarion)
No aspecto sexual, mesmo diante de sete mulheres treinadas para o prazer pelo Yunkaítas, Victarion diz-se satisfeito com sua mulher morena até que chegue o dia de tomar Daenerys para si:
Os senhores de escravos de Yunkai as haviam treinado no caminho dos sete suspiros, mas não era para isso que Victarion precisava delas. Sua mulher morena era suficiente para satisfazer seus apetites até que pudesse chegar a Meereen e reivindicar sua rainha.
(ADWD, Victarion)
A confiança na mulher morena é a tal ponto acentuada, que Victarion passa a suspeitar que seu meistre poderia estar causando a infecção do ferimento em sua mão. Ela é uma das duas únicas pessoas tratando seu ferimento em todo o barco, mas ele não só a exclui da lista de suspeitos como confidencia a ela suas suspeitas sobre Kerwin:
– Se não foi Serry, então quem? – perguntou para a mulher morena. – Poderia aquele rato daquele meistre estar causando isso? Meistres conhecem feitiços e outros truques. Ele pode estar usando um para me envenenar, esperando que eu o deixe cortar minha mão fora. – Quanto mais pensava nisso, mais provável lhe parecia. – O Olho de Corvo o deu para mim, criatura miserável que é. – Euron tirara Kerwin de Escudoverde, onde estava a serviço de Lorde Chester, cuidando de seus corvos e ensinando seus filhos, ou talvez de outros nas redondezas. E como o rato guinchava quando um dos mudos de Euron o entregara a bordo do Vitória de Ferro, arrastando-o pela corrente em seu pescoço. – Se isso é por vingança, ele se engana comigo. Foi Euron quem insistiu que ele fosse levado, para evitar que causasse danos com suas aves. – Seu irmão lhe dera três gaiolas de corvos também, para que Kerwin pudesse mandar notícias de sua viagem, mas Victarion proibira que fossem soltas. Que fique de molho, se perguntando o que está acontecendo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
É claro que pode-se arguir que Victarion simplesmente é burro e não vê coisas que simplesmente estão acontecendo sob seu nariz. Entretanto, o que me surpreende neste diálogo é que ele cita Kerwin ser um presente envenenado de Euron como motivo para sua suspeita, sendo que ele está falando diretamente para o primeiro presente que ele mesmo julgou envenenado.
Assim, me parece que isto demonstra que Victarion realmente desenvolveu um elo afetivo com a mulher, não APENAS que ele é burro.

Comportamentos e habilidades curiosos

A mulher morena é estranha e age de forma estranha.
A primeira coisa a se registrar são as suspeitas do fandom. Os leitores em geral acreditam que a mulher morena espia Victarion para Euron. Pouquíssimos arriscam dizer que ela é uma espiã dos magos de Qarth (Warlocks). Entretanto, tanto os primeiros quanto os últimos dizem que a espionagem se dá de forma mágica.
Alguns dizem que Euron entra na pele da mulher morena (assumindo como verdadeira a teoria de que Euron é um troca-peles poderoso) para interagir com Euron. Outros dizem que Euron ou os warlocks simplesmente usam os ouvidos e olhos da mulher morena para clariaudiência ou clarividência, sem propriamente ter controle sobre ela.
Porém, eu não acredito que essas especulações tenham fundamento textual, mas partem de um sentimento geral de suspeita que é causado pelo que está no texto. Examinemos cada caso.
Lembram-se que eu disse que a menção de O Mundo de Gelo e Fogo sobre “prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos poderem acabar em Lys” iria nos ajudar a esclarecer o comportamento esquisito da mulher morena? Pois bem, chegou a hora.
Victarion estava guerreando no Vago, quando retorna a sua cabine para ter com a mulher morena:
Em sua apertada cabine de popa, foi encontrar a mulher morena, úmida e pronta*; a batalha talvez também tivesse aquecido seu sangue.*
(AFFC, O Pirata)
Não é estranho que uma mulher que havia sido capturada e entregue a Victarion como uma escrava estivesse “úmida e pronta” assim que seu atual captor irrompesse pela porta vestido em armadura, suado e sangrando?
É claro que simplesmente poderíamos, como Victarion (mau sinal...), assumir que a batalha a tivesse excitado. Ou que Victarion seja mais atraente do que podemos pensar.
Mas não seria igualmente possível pensar que este seria um indício de que a mulher morena tem experiência como concubina?
É sabido que Martin fez com que os meistres da Cidadela tivesse um conhecimento de medicina mais avançado do que aqueles disponíveis para os praticante da medicina da Idade Média do mundo real. Entretanto, não está claro que este grau avançado de desenvolvimento também aconteça nas demais civilizações do resto do mundo que Martin criou.
Na verdade, parece que não, pois Mirri Maz Durr cita que aprendeu artes curativas com o Arquimeistre Marwyn, o que parece indicar que a Cidadela detém os melhores conhecimentos médicos do mundo:
Uma cantora de lua de Jogos Nhai deu-me de presente as suas canções de parto, uma mulher do seu povo cavaleiro ensinou-me as magias do capim, dos grãos e dos cavalos, e um meistre das Terras do Poente abriu um cadáver e mostrou-me todos os segredos que se escondem sob a pele.
Sor Jorah Mormont interveio.
– Um meistre?
– Chamava-se Marwyn – respondeu a mulher no Idioma Comum. – Do mar. Do outro lado do mar. As Sete Terras, disse ele. Terras do Poente. Onde os homens são de ferro e os dragões governam. Ensinou-me esta língua.
(AGOT, Daenerys VII)
Ocorre que a mulher morena parece ter bons conhecimentos sobre como tratar um ferimento:
A morena lavou o ferimento com vinagre fervido*. [...] Victarion dirigiu-se à morena enquanto ela enfaixava sua mão com* linho*. [...]*
(AFFC, O Pirata)
A mulher morena estava enfaixando sua mão com linho limpo, enrolando a faixa seis vezes ao redor da palma, quando Aguado Pyke apareceu [...].
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Em verdade, o tratamento que a mulher morena vinha aplicando a Victarion era justamente o que o meistre aplicava após punção dos ferimentos:
Sangue era bom. Victarion grunhiu em aprovação. Sentou-se firme enquanto o meistre secava, apertava e limpava o pus, com quadrados de tecido macio fervidos em vinagre*. Quando terminou, a água limpa na bacia tinha se tornado uma sopa espumante. A visão por si só podia fazer qualquer homem enjoar.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A mulher morena até demonstrou ter mais intimidade com este tipo de ferimentos do que o próprio meistre Kerwin. O rosado meistre não é referência de estômago forte, claro, mas a reação de nojo da mulher morena é tão econômica, que parece apontar para certa prática no assunto:
O pus que irrompeu era grosso e amarelo como leite azedo. A mulher morena torceu o nariz para o cheiro, o meistre segurou a ânsia de vômito e até Victarion sentiu seu estômago revirar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Por outro lado, apesar de ficar parecendo pela passagem abaixo que Victarion também poderia conhecer estes procedimentos (o que não seria impossível, já que o Cão de Caça demonstrou conhece-los também quando estava com Arya), eu acredito que Victarion simplesmente está com a memória ruim, pois quem lavou primeiro o ferimento foi a mulher morena (vide citação acima):
Um arranhão de um gatinho, Victarion disse para si mesmo, depois. Lavara o corte, despejara um pouco de vinagre fervido sobre ele, enfaixara-o e deixou de pensar naquilo, acreditando que a dor diminuiria e a mão se curaria com o tempo. Em vez disso, a ferida tinha infeccionado, até que Victarion começou a se perguntar se a lâmina de Serry estava envenenada. Por que mais a ferida se recusaria a sarar?
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
De fato, como o procedimento está correto e a medicina westerosi é mais avançada do que a medieval, muitos leitores se teorizam que a mulher morena poderia estar de alguma forma envenenando Victarion, ou ao menos matando-o devagar ao fazer algo para não permitir a cicatrização do corte.
Há até mesmo uma passagem em que vimos que o único procedimento sugerido pelo meistre que não é adotado pela mulher morena é tentar drenar o ferimento em local aberto:
O meistre sugerira que o ferimento seria mais bem drenado no convés, no ar fresco e à luz do sol, mas Victarion proibira. Aquilo não era algo que sua tripulação pudesse ver. Estavam a meio mundo de casa, longe demais para deixá-los ver seu capitão de ferro começar a enferrujar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Caso ela realmente estivesse piorando a condição de Victarion, evitar o convés seria uma atitude compatível. O problema é descobrir com que finalidade ela estaria fazendo isso. O que nos leva ao próximo e principal item desta lista
· Reconhece Moqorro como perigoso
A reação explosiva da mulher morena ao ver Moqorro parece significar que ela o acha perigoso. Mas perigoso como? Para quem? Bem, a resposta depende de saber quem realmente é a mulher morena e quais seus propósitos.
Aqueles que acham que ela está sendo possuída magicamente ou servindo de olhos e ouvidos para poderes de clarividência e clariaudiência, seja por parte de Euron ou dos Warlocks, pensam que estes sabem que Moqorro põe seus planos em riscos, pois os poderes do sacerdote vermelho permitem saber que a mulher morena é uma marionente.
Já aqueles que acreditam que a mulher morena está envenenando ou adoecendo Victarion pensam que a reação dela se deu em decorrência de que ela sabe dos poderes “curativos” do sacerdote e que todo o trabalho que ela está tendo será perdido no momento em que Moqorro entrar em ação.
E há aqueles que acreditam que a mulher morena sabe que Moqorro não está ali para curar Victarion, mas sim para trazer um sofrimento ainda maior. Nesta hipótese a mulher morena estaria tentando avisar Victarion sobre o perigo que Moqorro representa, mas não tem como expressar isso devido à mudez e à personalidade tosca de Victarion.
Porém, todos concordam em um ponto: a mulher reconheceu Moqorro. A pergunta não deveria ser “que tipo de perigo ela acha que Moqorro representa”. Isso acho dificílimo de adivinhar. Mas parece um pouco mais factível se especular sobre “de onde ela conhece Moqorro ou alguém como Moqorro”.
Para isso precisamos listar as características visíveis sobre Moqorro. Aquelas que fariam alguém entender quem ele é logo à primeira vista:
  1. Porte físico impressionante
  2. Cor de pele singular
  3. Tatuagens de chamas no rosto
Quanto ao porte físico, duvido que isso faça alguma diferença para a mulher morena, haja vista que há homens como Andrik, o Sério entre os homens de ferro.
A cor de pele da pele de Moqorro pode gerar duas reações. Uma demonstração simples de racismo, como ocorreu com os primeiros Ghiscari a chegarem às Ilhas do Verão (TWOIAF, As Ilhas do Verão). Ou a cor pode realmente vir de algo que lembre “um homem que foi tostado nas chamas até que sua carne carbonizou e caiu soltando fumaça de seus ossos”.
Nesse último caso, a cor da pele de Moqorro denunciaria algum grau avançado de poder místico. O fato de a mulher morena ter percebido isto induz a pensa que ela pode ter tido algum encontro com este tipo de pessoa no passado. Um encontro traumático, claro.
Por fim, se forem as tatuagens, simplesmente a mulher morena tem algo contra sacerdotes de R’hllor.
A parte interessante é que Moqorro não mostra interesse algum na mulher. Mas Moqorro não mostra interesse algum em ninguém, nem mesmo os tripulantes que pediram que Victarion o matasse.
Os homens de Euron são compostos de “mudos e mestiços”. Isso quer dizer que os mestiços não são necessariamente mudos. Vimos, inclusive, que um dos filhos bastardos mestiços de Euron fala. Portanto, cortar a língua da mulher morena foi uma atitude deliberada de Euron. Ou ela era parte da tripulação como os demais mudos?
Por outro lado, diante de tantas possibilidades de origens estrangeiras para a mulher, fica a pergunta: ela fala a língua comum? Sequer entende o que Victarion está falando?

Propósito e futuro

Se a mulher é uma espiã de Euron, então Euron está fazendo uma farta colheita. Mas de que serve toda esta informação agora? Será útil a Euron ou aos Warlocks no futuro saber que Moqorro está com Daenerys? Ou as notícias de que Daenerys está morta já podem ser suficientes?
Em suma, que futuro existirá para a mulher morena se tantas pessoas apostam na morte de Victarion? O próprio Victarion pensa em fazê-la de camareira:
– Ela será minha esposa, e você será minha camareira. – Uma camareira sem língua nunca deixaria escapar nenhum segredo.
Ele poderia ter dito mais, mas foi então que o meistre chegou, batendo na porta da cabine, tímido como um rato.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Há também a possibilidade de que ela carregue um filho de Euron em si. Afinal, o próprio VIctarion suspeita de que Euron já havia se deitado com a mulher antes de passa-la a ele.
Por terminar as especulações sem spoilers, seria a mulher morena uma feiticeira com poderes próprios e um objetivo claro em Meereen?

Especulações com spoilers de Ventos do Inverno

O capítulo de Victarion em Ventos do Inverno não é completo. Ele termina com algumas notas sem transcrição literal dos eventos:
❖ A mulher morena sangra o braço de Victarion em uma bacia. Victarion esfrega o sangue no berrante, murmurando suavemente para ele “​Meu berrante… dragões…”;
❖ Victarion masturba a mulher morena, não há penetração. Ele pensa que não gosta de transar antes da batalha;
❖ A mulher morena o ajuda a colocar a armadura, ele faz um discurso vibrante para a tripulação, e eles velejam em direção a Meereen.
(TWOW, Victarion)
Como a mulher morena é citada em todas as notas finasi, algumas perguntas ficam no ar:
Se Euron ou os Warlocks estão assistindo VIctarion reinvindicar o berrante via mulher morena, eles teriam algo preparado para fazer caso isso acontecesse? Fazia parte dos planos?
Qual é a importância de Victarion masturbar a mulher morena? Teria alguma relação com o braço que ele usa para fazer isso? Victarion usaria seu braço fumacento para fazer algo do tipo? Por que diabos ele faria algo do tipo?
A mulher morena fica para trás no navio quando os nascidos no ferro descem para atacar Meereen. Ela pode sabotar alguma parte dos planos? Teria alguma relação com o Atador de Dragões?
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2020.02.10 18:27 Zarvinus Jovem stalker apaixonado platonicamente há 4 anos por uma garota clama por ajuda

Olá sub, resolvi postar isso aqui porque eu nunca contei isso para ninguém e acho que seria bom me abrir um pouco, mesmo que para estranhos :) (tem tl;dr no final)
Tudo começou em 2016, era metade do ano, quando chegou uma menina nova na escola que eu acabei conhecendo na fila do lanche e que me deu um sorrisinho, ela era muito linda em todos os aspectos e eu até pensei comigo mesmo: ''será que eu vou conseguir namorar alguém assim algum dia?''. Enfim, com o passar dos meses, eu, como um bom Dom Juan, não fiz nada. A moça citada claramente demonstrava algum interesse por mim, sempre ficava me olhando e mordendo a boca quando me via e eu só demonstrava desinteresse por covardia mesmo. O ano estava acabando, eu consegui mandar um ''oi'' para ela no último dia de aula e depois disso eu nunca mais a encontrei pessoalmente, já que ela foi fazer faculdade e eu estava começando o EM.
A história poderia ter acabado aí, mais um romance adolescente que não deu em nada, mas o edgelord solitário aqui ficou tão feliz por ter recebido atenção da garota mais linda do colégio (pior que não é exagero, todo mundo era maluco por ela e até hoje é assim) que ele não podia simplesmente dar um ponto final no processo.
Eu encontrei os perfis dela nas redes sociais, que vai do Facebook até algumas mídias sociais mais obscuras do início da década que ninguém usa ou conhece. Fiquei monitorando a vida dela por tempão e posso afirmar que eu posso até escrever uma biografia falando sobre os principais pontos que ela viveu.
Em 2017, ela arranjou um namorado e eu acabei ficando bem abalado com aquilo porque eu acreditava que ainda era possível ficar com ela (como? eu não sei, só o eu daquela época sabe agora), fucei o Face do cara ao mesmo tempo que eu olhava para o do dela, sei quase tudo sobre a vida e circulo sociais dos dois (vocês sabem como o pessoal gosta de compartilhar as coisas pelas redes), eles viviam mandando posts que estavam relacionados com o momento que eles se encontravam no público mesmo, então ficava bem fácil deduzir o que se passava no relacionamento do casal mencionado. Isso foi até metade de 2018, os dois terminaram e eu senti um misto de emoções, eu fiquei um pouco feliz por aquilo ter acontecido, mas triste por saber que eu perdia tempo stalkeando e desejando fim de uma relação de pessoas que eu nem conhecia direito.
Pouco tempo depois ela achou outra pessoa (tive o mesmo abalo de 2017), esse durou bem pouco, uns dois meses mais ou menos, e foi o mesmo procedimento do outro sujeito de cima, só que nesse caso os dois eram mais conectados pelo Twitter.
O reveillon estava chegando e eu estava passando as minhas maravilhosas férias dentro de casa perdendo tempo na internet e, como de costume, trabalhando incessantemente no estudo da vida alheia no que se refere, principalmente, na minha jovem donzela, até o momento em que olhando os stories da moça e percebi que ela estava com um namorado novo (choque de 2017, o retorno), ela postou imagens e gifs mostrando as viagens deles. Passou-se um tempo, a minha rotina de stalker continuava a mesma e a dela de compartilhar os detalhes da sua vida também. Entretanto, eu iniciei o abandono desse costume nessa época. Já teve momentos em que eu tentei escapar disso, mas era muito difícil porque era quase como drogas, tendo crise de abstinência e tudo mais. Só que o senhor aqui já estava ficando de saco cheio desse troço, e acabei notando que isso estava caminhando para outro patamar, porque teve minutos que eu olhava para uma dobra no tecido da cortina ou observava os desenhos de um azulejo e via o rosto dela (esquizofrenia intensified).
Hoje em dia eu já diminui esses problemas, tanto as minha vigias diária tanto as minhas ''alucinações'', mas ainda me pego vendo as coisas dela ficando mal por causa disso. Não estou pedindo exatamente por dicas ou ajudas (o título foi meio clickbait mesmo), só que se você tiver alguma pode mandar aí embaixo. Acho que a melhor ajuda que algum indivíduo pode me dar deve vir de mim mesmo. Ora, fui eu que tive a determinação para ficar seguindo os outros, mas que não teve o suficiente para chegar em alguém e dizer um simples: ''olá, qual é o seu nome, quer sair para lanchar''. Admitir os próprios erros é uma maneira de sair do buraco e, como eu falei logo no começo do texto, essas informações nunca saíram de dentro de mim. Alias, se alguém tiver alguma história parecida pode nos informar também, aqui todo mundo é anônimo mesmo.
Só para fechar (juro que está acabando), teve uma vez que foi o maior sinal que esse relacionamento que sempre quis ter com ela nunca ia acontecer de fato. Um pouco depois dela ter terminado com o primeiro namorado dela e antes do segundo chegar (meados de 2018), eu resolvi mandar algumas mensagens para ela e tentar alguma coisa. Ela não reconheceu de primeira, mesmo eu contando tudo o que se passou na escola, ela não conseguia se lembrar. O estalo na memória só aconteceu quando eu mandei uma foto minha (sim, eu fiz besteira) para ela, que mandou mensagens bem simpáticas dizendo que me reconheceu e que ficou feliz em me rever. Fiquei bem alegre e já imaginei milhares de situações onde nós ficávamos juntos, íamos ao shopping, passaríamos um tempo agarrados na cama e mais algumas fantasias de nerd fracassado. Aconteceu que falei para ela que eu também estava feliz, e disse que vi o curso que ela resolveu fazer nos status do Face e questionei sobre o que ele fazia, mas adivinha só? eu fiquei esperando ela responder, e só depois de um mês que eu admiti que ela nunca mais ia responder mesmo.
tl;dr: É o que o titulo diz, fique monitorando a vida de uma menina que vi no ensino médio por quatro anos e só estou admitindo isso melhor agora.
ps.: não sei se alguém vai falar isso, mas isso não é fanfic.
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2020.02.01 02:36 altovaliriano O corvo (de sangue) de Jeor Mormont

Texto original: shorturl.at/lpA19
Autor: Desconhecido
Título original: Examining Bloodraven, Part 5: Corn

Este post examinará o uso do corvo do Lorde Comandante Jeor Mormont por Corvo de Sangue ao longo da série e o que podemos aprender sobre Corvo de Sangue a partir de seu uso do pássaro. Para mim, a maior evidência que Corvo de Sangue está entrando na pele do pássaro é o seu pedido constante por milho.
No primeiro sonho de Bran sobre o corvo de três olhos, Corvo de Sangue também pede milho a Bran. Penso que esta evidência (e outras que apresentarei mais tarde) indicam que Corvo de Sangue está se entrando na pele do corvo de Mormont e não um Bran do futuro, como alguns sugeriram.
Alguns podem perguntar, se Corvo de Sangue está realmente na pele do corvo, por que ele não diz as coisas com mais clareza? Eu acho que existem algumas respostas para isso.
Em primeiro lugar, ele não quer que as pessoas comecem a suspeitar que há um humano controlando o pássaro, o que pode levá-lo a perder os olhos, os ouvidos e a voz limitada que tem com o Lorde Comandante.
Em segundo lugar, sabemos por Bran, Jon, Arya e Varamyr Seis-Peles que, quando eles entram na pele, assumem algumas características do animal e o efeito é amplificado ao longo do tempo. Provavelmente, Corvo de Sangue está cuidando dessa ave há tanto tempo, que de vez em quando começa a fazer coisas de corvo.

A Guerra dos Tronos

Jon Snow apresenta o leitor a Mormont e seu corvo quando são enviadas notícias de que Bran está vivo. Jon observa:
Jeor Mormont, o Senhor Comandante da Patrulha da Noite, era um homem áspero e velho, com uma imensa cabeça calva e uma desgrenhada barba cinzenta. Tinha um corvo pousado no braço e alimentava-o com grãos de milho.
– Ouvi dizer que sabe ler – sacudiu o corvo, e a ave bateu as asas e voou até a janela, onde pousou, observando Mormont tirar do cinto um rolo de papel e entregá-lo a Jon. “Grão”, resmungou o corvo em voz roufenha. “Grão, grão.”
Acho muito curioso que, na primeira vez em que encontremos Jeor Mormont, Martin passe mais tempo nos falando sobre o corvo do que sobre o Lorde Comandante da Patrulha da Noite. Isso reforça ainda mais minha crença de que tudo o que o corvo faz é importante. Depois que Jon termina de ler a carta, ele pontua que Bran vai viver. Mormont diz que o garoto será aleijado, mas Jon não se importa e nem o corvo:
O corvo voou até seu ombro, gritando “Viver! Viver!”.
Como mentor de Bran, é claro, Corvo de Sangue só se importa com o fato de que o garoto vivera, não se ele será incapaz de andar novamente.
Quando o lorde comandante conta a Tyrion sobre o desaparecimento de Waymar Royce e se chama de tolo. O corvo concorda:
“Tolo”, concordou o corvo. Tyrion ergueu o olhar. O pássaro o olhou com aqueles olhos negros, pequenos e brilhantes, agitando as asas. “Tolo”, gritou de novo.
Tenho a impressão de que, na segunda vez em que o corvo diz tolo, ele está dirigindo esse comentário a Tyrion, em parte porque o pássaro está olhando diretamente para ele. Se Corvo de Sangue já sabe como Tyrion negligenciará a Muralha quando ele é Mão do Rei, apesar de ver a condição da Patrulha da Noite e se sentir desconfortável ao olhar além da Muralha, faria sentido que ele o considerasse tolo.
Curiosamente, quando Mormont inspeciona os cadáveres encontrados no bosque de represeiro ao norte da Muralha, o corvo não está com ele. Corvo de Sangue obviamente teria acesso a esse cenário através da rede de represeiros, então ele não envia o corvo. Talvez ele soubesse que todos os homens em Castelo Negro deviam ver as criaturas por si mesmos e, portanto, não usariam o corvo para aconselhá-los a serem queimados. Mais tarde, no capítulo em que a notícia da morte de Robert e da prisão de Ned chega à Muralha, o Corvo está esperando na luz solar de Mormont:
Quando entrou no aposento, o corvo de Mormont gritou: – Grão! Grão! Grão! Grão!
– Não lhe dê ouvidos, acabei de alimentá-lo – resmungou o Velho Urso.
Achei interessante que o corvo ainda peça por milho, mesmo que tenha acabado de ser alimentado. Isso me diz que pode haver mais na palavra do que simplesmente pedir comida. Enquanto a conversa continua, o corvo permanece em silêncio até Mormont dizer:
– Seu dever agora é aqui – lembrou-lhe o Senhor Comandante. – Sua vida antiga terminou quando vestiu o negro – sua ave soltou um eco rouco. “Negro.”
Corvo de Sangue está lembrando Jon de seu dever para com a Patrulha. Além disso, isso me diz que Corvo de Sangue acredita que Jon precisa permanecer na Muralha, pois é aí que seu destino acontecerá de um jeito ou de outro, junto à Patrulha da Noite. Jon deixa Mormont e desce para brigar com Sor Alliser Thorne. Quando Mormont chega, diz a Jon:
– Disse-lhe para não fazer nada estúpido, moço – resmungou o Velho Urso. “Moço”, papagueou o pássaro.
Corvo de Sangue expressando sua decepção por Jon. Ele precisa que ele cresça e rápido. Quando Jon permanece em sua cela, eventualmente, Fantasma percebe que algo está errado e Jon começa a se aproximar dos aposentos do Lorde Comandante quando:
De repente, ouviu o guincho do corvo de Mormont. “Grão”, gritava a ave. “Grão, grão, grão, grão, grão, grão.” Fantasma deu um salto para a frente e Jon seguiu atabalhoadamente logo atrás.
É claro que isso acontece quando o cadáver de Othor tenta matar o Lorde Comandante Mormont. Corvo de Sangue está tentando acordar o Lord Commander para que ele possa se defender e também alertar qualquer pessoa que esteja por perto criando uma algazarra. Eventualmente, Jon chega a enfrentar Othor e, durante a longa batalha da qual não sinto vontade de transcrever o corvo grita: grão. Lorde Comandante Mormont ainda não está acordado neste momento e Corvo de Sangue está tentando acordá-lo, mas eventualmente ele chega na sala nu com uma candeia de azeite:
Jon tentou gritar, mas não tinha voz. Pondo-se em pé com dificuldade, chutou o braço para longe e arrancou a candeia das mãos do Velho Urso. A chama tremeluziu e quase se extinguiu. “Queime! ”, grasnou o corvo. “Queime, queime, queime! ”
Rodopiando, Jon viu as cortinas que arrancara da janela. Atirou com ambas as mãos a candeia para cima do monte de pano. Metal rangeu, vidro estilhaçou-se, óleo derramou-se e as cortinas se transformaram numa enorme chama.
Quando uma fonte de fogo surge, Corvo de Sangue entra imediatamente em ação e diz a Jon o que fazer para matar a criatura. Claramente, este não é um corvo falante normal; na verdade, ele dá bons conselhos em momentos de crise. Ele sabe o que fazer e quando fazê-lo. Para qualquer leitor neste momento, o corvo é claramente mais do que aparenta. No próximo capítulo de Jon, ele pergunta a Mormont se eles receberam uma ave com notícias de seu pai, no que o corvo de Mormont responde:
“Pai”, escarneceu o velho corvo, inclinando a cabeça enquanto passeava pelos ombros de Mormont. “Pai.”
O pássaro está provocando Jon sobre seu pai, porque Corvo de Sangue, como será visto inúmeras vezes, sabe que Eddard não é o pai de Jon (sim, pressuponho que R+L=J seja verdade, mas não quero discutir isso aqui).
Eventualmente, Mormont diz:
Temos sombras brancas na floresta e mortos irrequietos que caminham furtivamente por nossos salões, e é um rapaz que ocupa o Trono de Ferro – disse, desgostoso.
O corvo riu estridentemente. “Rapaz, rapaz, rapaz, rapaz.”
Até Corvo de Sangue sabe que Joffrey é um idiota! Mas também mostra a opinião de Corvo de Sangues sobre o assunto. Ele sabe que o reino precisa estar unido sob um forte líder para enfrentar os Outros, mas o que eles têm é Joffrey e uma guerra civil. Então, Mormont oferece Garralonga a Jon, causando o corvo entrar em erupção em ataques de:
“Tome”, repetiu o corvo num eco, arranjando as penas com o bico.
Tome, tome.
Corvo de Sangue quer que Jon pegue a espada. Acho que isso mostra que ele sabe que Jon precisará de Garralonga no futuro. O que me faz duvidar que Corvo de Sangue planeje dar Irmã Sombria a Jon (presumindo que ele ainda a possua). Eventualmente, Mormont explica sua razão:
Lutou bravamente… e, mais importante, pensou depressa. Fogo! Sim,maldição. Já devíamos saber. Devíamos ter lembrado. A Longa Noite já caíra antes. Ah, oito mil anos é bastante tempo, com certeza… mas, se a Patrulha da Noite não recorda, quem recordará?
“Quem recordará”, concordou o corvo falador. “Quem recordará.”
O fato é que foi o corvo que disse a Jon para queimar Othor, e agora ele está basicamente respondendo a Mormont: "Eu lembrei, eu e os Filhos da Floresta, e salvamos sua pele".
Depois que Jon faz sua rápida fuga para o sul e é trazido de volta, Mormont diz que ele sabia disso o tempo todo, eles acabaram conversando.
Acha que seu tio Benjen foi o único patrulheiro que perdemos neste último ano?
Ben Jen”, crocitou o corvo, inclinando a cabeça, com pedacinhos de ovo caindo do bico. “Bem Jen. Ben Jen.”
– Não – disse Jon. Tinha havido outros. Muitos.
– Julga que a guerra do seu irmão é mais importante que a nossa? – ladrou o velho.
Jon mordeu o lábio. O corvo bateu as asas em sua direção. “Guerra, guerra, guerra, guerra”, cantou.
Achei as menções de Corvo de Sangue sobre Benjen particularmente interessantes. A partir dessa passagem, senti que Corvo de Sangue sabe exatamente o que está acontecendo com Benjen, mas está mantendo isso perto de seu peito por enquanto, todavia acho que ele revela uma pista interessante nos livros logo depois:
– O senhor seu pai o enviou até nós, Jon. O motivo, quem poderá dizê-lo?
Por quê? Por quê? Por quê?”, gritou o corvo.
Acho que Corvo de Sangue sabe exatamente o que Jon está fazendo na Muralha e por que Ned o enviou para lá. Observe que, embora Martin use pontos de interrogação, ele não diz que o corvo pergunta usando o verbo [no original em inglês, diferente da tradução em português, só há um ponto de interrogação, no terceiro “por quê”]. Acho que o modo como Martin escolhe o verbo sempre que escreve o que o corvo diz é importante para decifrar o significado de suas palavras.

A Fúria dos Reis

O corvo aparece pela primeira vez em A Fúria dos Reis quando Jon leva Sam a Mormont com os mapas que Sam tinha a tarefa de encontrar para a grande patrulha. Mormont está decepcionado com os mapas:
– Estes são velhos – queixou-se Mormont, e o corvo serviu de eco com um grito penetrante de “Velhos, velhos”
Acho que é provável que os mapas sejam da época em que Corvo de Sangue era Lorde Comandante. Mapas mais recente não são mencionados e duvido que alguém como Corvo de Sangue se contentasse em estar às cegas. Ele gostaria de mapas atualizados para seus patrulheiros e que estes mapas estivessem na galeria para quando chegasse a hora em que seriam necessários. O comentário do corvo sobre a idade dos mapas parece indicar isso.
Mormont começa a contar a Jon Snow como propuseram a Meistre Aemon que sentasse no Trono, e recebemos uma informação interessante:
Aerys casou com a irmã, como os Targaryen costumavam fazer, e reinou durante dez ou doze anos.
Mormont está falando de Aerys, o rei a quem Corvo de Sangue serviu como Mão. Não conhecemos outras Mãos de Aerys I e, embora isso não diga muito, sabemos que Corvo de Sangue foi nomeado Mão logo após Aerys subir o trono, portanto, seria razoável supor que Corvo de Sangue foi Mão durante todos os dez ou doze anos do reinado de Aerys.
No final da aula de história de Mormont sobre os reis Targaryen:
[...] até Jaime Lannister pôr fim à linha dos Reis-Dragão.
“Rei”, crocitou o corvo. A ave atravessou o aposento privado e foi pousar no ombro de Mormont. “Rei”, voltou a palrear, pavoneando-se de um lado para outro.
– Ele gosta dessa palavra – Jon sorriu.
– Uma palavra fácil de dizer, e fácil de gostar.
“Rei”, a ave voltou a se manifestar.
– Acho que ele deseja que tenha uma coroa, senhor.
– O reino já tem três reis, e isso são dois a mais para o meu gosto.
Mormont afagou o corvo sob o bico com um dedo, mas os olhos nunca deixaram Jon Snow.
Aí está Corvo de Sangue, nos fornecendo mais provas para R+L=J. O corvo diz rei depois que Mormont afirma que os reis Targaryen estão todos mortos. Se Lyanna se casasse com Rhaegar, Jon seria o herdeiro do trono, presumindo-se que Aegon seja uma fraude (e acho que aí está mais uma evidência de que é).
Durante a patrulha, os membros da Patrulha da Noite admiram o grande represeiro em Brancarbor:
– Uma árvore velha – Mormont estava montado, franzindo o cenho. “Velha”, concordou o corvo empoleirado no seu ombro. “Velha, velha, velha.”
– E poderosa – Jon conseguia sentir o poder.
Provavelmente Corvo de Sangue viu através desta árvore desde as suas origens e sabe quantos anos ela tem. Enquanto a patrulha está olhando a vila:
“Foram” gritou o corvo de Mormont, esvoaçando até o represeiro e empoleirando-se acima de suas cabeças. “Foram, foram, foram.”
Corvo de Sangue está dizendo a eles exatamente o que aconteceu em Corvarbor, já que ele provavelmente viu através do represeiro. Mormont decide que não acamparão em Brancarbor, mas:
– Procure Tarly e certifique-se de que ele ponha isto a caminho – Mormont disse enquanto entregava a mensagem a Jon. Quando assobiou, o corvo desceu batendo as asas e foi pousar na cabeça do cavalo. “Milho”, sugeriu a ave, balançando-se. O cavalo relinchou.
Novamente, vemos o uso da palavra milho do corvo no momento em que estão prestes a enviar uma mensagem com informações incompletas.
Eventualmente, a Patrulha chega à Fortaleza de Craster, onde:
– São poucos aqui, e isolados – disse Mormont. – Se desejar, destacarei alguns homens para os escoltarem para sul até a Muralha.
O corvo pareceu gostar da ideia. “Muralha”, gritou, abrindo as asas negras como se fossem um colarinho elevado atrás da cabeça de Mormont.
[...]
A mulher passou a língua por lábios finos.
– Este é o nosso lugar. Craster nos mantém a salvo. É melhor morrer livre do que viver como um escravo.
“Escravo”, o corvo resmungou.
Corvo de Sangue claramente acha que seja melhor que Craster e suas esposas vão para a Muralha. Ele provavelmente sabe o que Craster tem feito pelos Outros e enviá-lo para a Muralha acabaria com isso. Ele também comenta como as esposas de Craster são escravas. Quando eles saem da Fortaleza, Jon diz a Mormont:
– Ele dá os filhos à floresta.
Um longo silêncio. E então:
– Sim – “Sim”, o corvo resmungou, pavoneando-se. “Sim, sim, sim”.
Corvo de Sangue está muito ciente do que Craster está fazendo e provavelmente sabe muito mais sobre o que acontece com esses filhos do que nós.
Eventualmente, a Patrulha atinge o Punho dos Primeiros Homens. Jon e Mormont conversam sobre Benjen Stark,
– Sim – Jon respondeu –, mas… e se…
– … estiver morto? – Mormont concluiu, num tom que não era desprovido de gentileza.
Jon confirmou, relutante, com a cabeça.
“Morto”, disse o corvo. “Morto. Morto.”
– Pode vir mesmo assim até nós – o Velho Urso disse. – Como fez Othor, e Jafer Flowers. Temo isso tanto quanto você, Jon, mas temos de admitir a possibilidade.
“Morto,” crocitou o corvo, sacudindo as asas. A voz da ave subiu de intensidade e tornou-se mais estridente. “Morto.”
Eu acho que essa é uma evidência muito forte de que Corvo de Sangue acha que Benjen está morto. Para mim é difícil de admitir porque sempre esperei que ele voltasse, mas acho essa evidência muito forte. Eventualmente, Qhorin Meia-Mão e os homens da Torre Sombria chegam ao Punho. Qhorin começa a conversar com Mormont, sobre esperar no Punho até que os patrulheiros explorarem as Presas de Gelo. Isso leva o corvo de Mormont a dizer:
“Morre”, resmungou o corvo, percorrendo os ombros de Mormont. “Morre, morre, morre,morre.”
Corvo de Sangue sabe que destino aguardará muitos daqueles que ficam no Punho quando os Outros atacam ou durante a marcha de volta à Muralha.

A Tormenta de Espadas

Primeiro encontramos o corvo em ASOS durante o prólogo de Chett. Depois que Chett não encontra nenhuma caça, Mormont diz:
Podíamos ter ficado todos melhores com um pouco de carne fresca. – O corvo em seu ombro inclinou a cabeça e ecoou: “Carne. Carne. Carne”.
Eu acho que isso é Corvo de Sangue prenunciando o que acontecerá com os amotinados que traem Mormont. Eles são comidos por Bran, Meera, Jojen, Hodor e Verão. Mormont faz seu discurso dizendo aos homens o plano de enfrentar Mance Rayder que alguém grita:
– Vamos morrer. – Era a voz de Maslyn, verde de medo.
“Morrer”, gritou o corvo de Mormont, batendo as asas negras. “Morrer, morrer, morrer.”
É claro que muitos desses homens estão prestes a morrer, e o próprio Maslyn morre durante a batalha no Punho.
Quando a Patrulha finalmente retorna à Fortaleza de Craster, Craster anuncia:
– Tenho um filho.
“Filho”, crocitou o corvo de Mormont. “Filho, filho, filho.”
Novamente, o corvo mostra muito interesse nos filhos de Craster, dizendo que ele sabe exatamente o que acontece com eles. Durante o funeral de Bannen, Mormont diz:
– E agora terminou a sua vigia – ecoou Mormont.
“Terminou”, gritou seu corvo. “Terminou.”
Acho que aqui Corvo de Sangue está indicando que a vigia de Mormont está prestes a terminar devido ao motim. Depois do fim do motim, quando Gilly está com ele, ela diz:
– [...] Se não o levar, eles levam.
– Eles? – disse Sam, e o corvo ergueu a cabeça negra e repetiu, numeco: “Eles. Eles. Eles.”
Durante essa conversa, o pássaro continua avisando a Sam que ele precisa sair e seguir para a Muralha com a garota. É claro que Corvo de Sangue não quer que os Outros levem outro filho de Craster. Se Corvo de Sangue estivesse realmente trabalhando com os Outros, não acho que ele tentaria levar aquela criança de volta à Muralha. Após o motim, o corvo de Mormont não é visto por muito tempo até a escolha do próximo lorde comandante:
O caldeirão estava no canto junto à lareira, uma enorme coisa negra de fundo redondo, com duas enormes alças e uma tampa pesada. Meistre Aemon disse algo a Sam e Clydas, e eles agarraram as alças e arrastaram o caldeirão para a mesa. Alguns dos irmãos já estavam fazendo fila junto aos barris de penhores quando Clydas tirou a tampa e quase a deixou cair em cima do pé. Com um grito roufenho e um bater de asas, um enorme corvo saltou de dentro do caldeirão. Voou para cima, talvez em busca das vigas, ou de uma janela por onde escapar, mas não havia vigas no porão e também não havia janelas. O corvo estava encurralado. Crocitando ruidosamente, voou aos círculos pela sala, uma, duas, três vezes. E Jon ouviu Samwell Tarly gritar:
– Eu conheço aquela ave! É o corvo de Lorde Mormont!
O corvo pousou na mesa mais próxima de Jon. “Snow”, crocitou. Era uma ave velha, suja e enlameada. “Snow”, voltou a dizer, “Snow, snow, snow”. Caminhou até a borda da mesa, abriu de novo as asas e voou para o ombro de Jon.
Lorde Janos Slynt sentou-se tão pesadamente que fez tum, mas Sor Alliser encheu a adega com uma gargalhada zombeteira.
– Sor Porquinho pensa que somos todos tolos, irmãos – disse. – Ele ensinou à ave este truquezinho. Todos eles dizem snow, é só ir à colônia e escutar com seus ouvidos. A ave de Mormont sabia mais palavras além dessa.
O corvo inclinou a cabeça e olhou para Jon. “Grão?”, disse com ar esperançoso. Quando não obteve nem grão nem uma resposta, soltou um cuorc e resmungou: “Caldeirão? Caldeirão? Caldeirão?”
Corvo de Sangue claramente quer que Jon seja Lorde Comandante e manipula o voto para que ocorra. Por que o corvo quer Jon especificamente como Lorde Comandante? Eu penso que Corvo de Sangue acha que a identidade de Jon (outro produto dos Primeiros Homens e Valirianos) o faz importante também. Além disso, Corvo de Sangue provavelmente está usando informações das quais não temos conhecimento para tomar sua decisão.

A Dança dos Dragões

Em ADWD, o corvo trata Jon como Mormont, acompanhando-o e grasnando conselhos. A certa altura, Jon percebe:
O corvo de Mormont o olhava com astutos olhos escuros, e então voou até a janela.
– Você acha que sou seu servo? – Quando Jon abriu a janela com seus grossos painéis de vidro amarelo em forma de diamante, o frio da manhã bateu em seu rosto. Respirou para limpar os vestígios da noite enquanto o corvo voava para longe. Esse pássaro é muito espertinho. Tinha sido companheiro do Velho Urso por longos anos, mas isso não o impedira de comer o rosto de Mormont quando ele morreu.
Jon pode ser o servo [thrall, no original em inglês] de Corvo de Sangue em alguns aspectos, porque ele é subconscientemente influenciado pelo corvo. Eu não acho que Corvo de Sangue esteja entrando na pele de Jon ou algo assim, mas ele está influenciando suas decisões através dos corvos. Ele sabe que algo não está certo com aquele corvo, mas não faz nada a respeito.
Eventualmente, Jon ordena a Sor Alliser Thorne que saia em uma patrulha:
– Então o garoto bastardo vai me mandar para a morte.
Morte, gritou o corvo de Mormont. Morte, morte, morte.
Você não está ajudando. Jon espantou a ave.
Isso me diz que Corvo de Sangue espera que Sor Alliser morra em sua patrulha (ainda a ser conhecido) ou acha que Jon realmente quer que Sor Alliser morra nessa missão. Jon acha que ele pode não gostar de Sor Alliser, mas que nunca desejaria um irmão morto. No entanto, também pensa:
Thorne está em mãos melhores do que merece.
e
Oito homens de bem, pensou, e um... bem, veremos.
Acho que Jon quer que Sor Alliser morra, mas não se sente confortável em admitir. Entretanto, Corvo de Sangue vê através dele.
Depois que Jon recebe uma surra de "Camisa de Chocalho” no pátio:
Ficarão amarelas antes de sumir – ele disse para o corvo de Mormont. – Parecerei tão doentio quanto o Senhor dos Ossos.
Ossos, a ave concordou. Ossos, ossos.
É a primeira vez que o corvo diz ossos. Eu acho que provavelmente Corvo de Sangue sabe que Mance ainda está vivo e não é o Senhor dos Ossos, no entanto, o corvo especificamente concorda, então é possível que Melisandre o tenha enganado – mas eu realmente duvido disso. Não quero dizer que Corvo de Sangue é onipotente, mas como alguém treinado no uso de seduções [glamours, no original], duvido que ele seja enganado por alguém. Eventualmente, Jon pensa no que pode esperar por Arya em seu casamento com Ramsay:
Certa vez ele pedira a Mikken para fazer uma espada para Arya, uma lâmina de espadachim, feita num tamanho menor para caber na mão dela. Agulha. Ele se perguntava se ela ainda a possuía. Espete neles a ponta aguçada, dissera a ela, mas se ela tentasse espetar o Bastardo, isso poderia custar sua vida.
Snow, murmurou o corvo de Lorde Mormont. Snow, snow.
Acho que Corvo de Sangue está tentando lembrar Jon de que ele é um Snow, não um Stark e, ligado à Patrulha da Noite, deve esquecer de Arya em seu dever como um homem da Patrulha.
Eventualmente, Jon trata Tycho Nestoris, do Banco de Ferro de Bravos. Nestoris diz:
Se ele [Stannis] se provar mais digno da nossa confiança, é claro que teremos grande prazer em lhe emprestar toda a ajuda de que ele necessitar.
Ajuda, o corvo gritou. Ajuda, ajuda, ajuda.
[...] Haverá um preço.
Preço, gritou o corvo de Mormont. Preço, preço.
Corvo de Sangue sabe que o Banco de Ferro ajudará Stannis e está mostrando que eles também podem ajudar a Muralha. Ainda assim, sabe que há um preço. No entanto, o corvo grita “ajuda” uma vez a mais do que “preço”, então eu acho que Corvo de Sangue está tentando dizer a Jon para aceitar o preço inevitável, porque eles precisam da ajuda.
Jon recebe notícias de que uma garota foi encontrada ao sul da Muralha:
– Uma garota? – Jon se sentou, esfregando o sono dos olhos com as costas das mãos. – Val? Val retornou?
– Não é Val, ‘nhor. Foi deste lado da Muralha.
Arya. Jon se endireitou. Tinha que ser ela.
Garota, gritou o corvo. Garota, garota
Corvo de Sangue está tentando deixar Jon saber que a garota não é Arya, mas na verdade é Alys Karstark.
Quando Jon vai encontrar Tormund Giantsbane fora da Muralha, ele pensa:
Fantasma era a única proteção que Jon precisava; o lobo gigante podia farejar seus inimigos, mesmo aqueles que escondiam sua inimizade atrás de sorrisos.
Mas Fantasma tinha partido. Jon tirou uma das luvas negras, colocou dois dedos na boca e deu um assobio.
– Fantasma! Comigo.
De cima veio o súbito som de asas. O corvo de Mormont voou do galho de um velho carvalho para pousar na sela de Jon. Grão, gritou. Grão, grão, grão.
O fantasma não é a única proteção de Jon. Corvo de Sangue tenta cuidar dele também em situações perigosas. Ele ajudou com o morto-vivo e pode facilmente alertar as pessoas sobre o perigo através do pássaro.
Depois que Jon acorda de um sonho sobre matar lutando com uma espada flamejante sozinho na Muralha, ele acorda e:
Levantou-se e vestiu-se na escuridão, enquanto o corvo de Mormont reclamava pelo quarto. Grão, a ave dizia, e Rei e Snow, Jon Snow, Jon Snow . Aquilo era estranho. A ave nunca dissera seu nome completo antes, pelo que Jon se lembrava.
O corvo dizendo isso logo após esse sonho é muito significativo. O corvo está novamente dizendo que Jon é o rei, mas dizê-lo logo após um sonho que parece terrivelmente com a profecia de Azor Ahai me diz que Corvo de Sangue tinha alguma idéia do que Jon estava sonhando e queria imprimir nele sua própria importância. Como Jon observa, esta é a primeira vez que o corvo diz seu nome completo.
Depois que Jon volta de tentar convencer Selyse sobre outra expedição da Hardhome e ignora o conselho de Melisandre, ele volta aos seus aposentos para descobrir:
O grande lobo gigante branco não parava quieto. Andava de um lado para o outro do arsenal, passava pela forja fria e voltava.
– Calma, Fantasma. – Jon chamou. – Quieto. Senta, Fantasma. Quieto. – No entanto, quando tentou tocá-lo, o lobo se eriçou e mostrou os dentes. É aquele maldito javali. Mesmo aqui, Fantasma pode sentir seu fedor.
O corvo de Mormont parecia agitado também. Snow, a ave gritava. Snow, Snow, Snow. Jon o espantou, pediu para Cetim acender o fogo e depois ir atrás de Bowen Marsh e Othell Yarwyck.
Tanto o Fantasma quanto o corvo estão agitados e agindo de forma estranha, mas Jon não entende a deixa. Eles estão tentando avisá-lo do perigo. Isso ocorre pouco antes de ele convidar o homem que acabará se voltando contra ele para seus aposentos.
Eventualmente, Jon está se encontrando com Tormund Terror do Gigantes e eles têm a seguinte conversa:
Garotas, gritou o corvo de Mormont. Garotas, garotas.
Aquilo fez Tormund gargalhar novamente.
– Agora, eis um pássaro com juízo. Quanto quer por ele, Snow? Eu lhe dei um filho, o mínimo que podia fazer era me dar o maldito pássaro.
– Eu daria – disse Jon –, mas provavelmente você o comeria.
Tormund rugiu daquilo também.
Comer, o corvo disse, sombriamente, batendo as asas negras. Grão? Grão? Grão?
Imediatamente depois disso, Jon recebe a "Carta Rosa". E não ouvimos nem vemos mais nada do corvo pelo resto do capítulo. O que isso significa? Por que a única coisa que o corvo diz, em advertência, é "Milho"? Voltando a A Guerra dos Tronos, há duas explicações possíveis:
Quando entrou no aposento, o corvo de Mormont gritou: – Grão! Grão! Grão! Grão!
– Não lhe dê ouvidos, acabei de alimentá-lo – resmungou o Velho Urso.
O corvo usa milho como mentira aqui, ele acabou de comer, mas está pedindo comida. Poderia ser Corvo de Sangue tentando indicar a Jon que a carta é uma falsa manobra, como muitos teorizaram. E:
De repente, ouviu o guincho do corvo de Mormont. “Grão”, gritava a ave. “Grão, grão, grão, grão, grão, grão.” Fantasma deu um salto para a frente e Jon seguiu atabalhoadamente logo atrás.
É quando Mormont está sendo atacado pelo morto-vivo. O corvo grita “Grão” como um aviso. Jon deve se lembrar disso. Ele costuma pensar na noite em que lutou contra o morto-vivo. Ele deve poder fazer a conexão de que “grão” é um aviso. Eu acho que esse é o aviso e que Jon não faz nada acerca ele. Eu acho que Corvo de Sangue estava tentando protegê-lo e avisá-lo, mas novamente ele não queria se arriscar a revelar mais sobre o corvo, pois sabe que Jon já tem suas suspeitas sobre isso. Isso me leva a algumas outras possibilidades:
  1. Talvez Corvo de Sangue soubesse que Jon tinha que morrer ou sofrer uma traição, mas queria avisá-lo. Quando Jon voltasse, estaria mais aberto a ouvir o corvo, supondo que Jon seria capaz de juntar as peças.
  2. Corvo de Sangue é limitado por Melisandre. Até onde eu sabia, o corvo de Mormont nunca interage ou está presente em volta de Melisandre. Sabemos que Melisandre queimou a águia de Orell durante a batalha na Muralha, portanto ela deve saber reconhecer os troca-peles. Corvo de Sangue não quer arriscar que isso aconteça e, quando Jon vai fazer seu discurso para a Patrulha e os selvagens, o corvo fica para trás porque Melisandre está presente. Isso daria credibilidade à ideia de que Melisandre seria de alguma forma responsável pelo que acontecesse com Jon e que desempenhará um papel em trazê-lo de volta. Eu acho que essa é a opção mais provável.

Conclusões

O corvo é o meio pelo qual Corvo de Sangue mantem um olho na Patrulha e influencia sutilmente o Lorde Comandante. Ele dá dicas de verdades maiores, mas não as revela completamente para manter sua posição. O uso mais direto de sua influência foi ao instalar Jon como Lorde Comandante. Isso me diz que ele queria Jon neste cargo. Juntamente com seus esforços para levar o filho de Craster à Muralha [...], me diz que Corvo de Sangue não está trabalhando com os Outros como alguns têm sugerido.
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2020.01.04 03:14 altovaliriano O Leão na teia da Aranha

Texto original: https://warsandpoliticsoficeandfire.wordpress.com/2016/02/05/heirs-in-the-shadows-the-young-lion/
Autores: GoodQueenAly; @BryndenBFish
Título original: Heirs in the Shadows - The Young Lion

Introdução

Tyrek Lannister pode ser considerado pelos leitores pouco mais que um personagem terciário em As Crônicas de Gelo e Fogo. A avaliação não é irracional: nem mesmo mencionado pelo nome no primeiro livro, aparecendo apenas duas vezes antes de seu misterioso desaparecimento na revolta violenta em Porto Real em A Fúria dos Reis , o jovem Tyrek merece pouco mais do que uma nota de rodapé entre seus parentes Lannister mais proeminentes, muito menos no grande elenco de personagens. Caso notado, ele pode ser lembrado apenas como uma vítima, no mesmo plano que seu primo Willem: um infeliz peão das ambições dinásticas de Lannister, um inocente assassinado pelo povo revoltado da capital.
No entanto, Tyrek desapareceu tão completamente - e tão misteriosamente - que, afinal, seu "simples" desaparecimento pode não ser tão simples. Em vez de ser um dos muitos corpos retirados das ruas nos dias e semanas após o tumulto, Tyrek pode estar vivo e bem (ou pelo menos relativamente bem). Ainda mais, Tyrek pode estar esperando para fazer um reaparecimento dramático em Westeros, enquanto é instruído e preparado por um improvável "aliado". Quem iria querer o jovem primo Lannister e o que poderia estar reservado para ele no futuro?
[...]

Apresentando o Peão

Tyrek Lannister nasceu por volta de 286 dC, o único filho de Sor Tygett Lannister e sua esposa Darlessa Marbrand. Sor Tygett era o terceiro filho de Lorde Tytos Lannister, um irmão mais novo do futuro Lorde Tywin e Sor Kevan. Como os dois irmãos mais velhos de Tygett se casaram e tiveram filhos antes do nascimento de Tyrek, não houve grande pressão sobre esse terceiro filho para se casar e procriar também (embora ainda não saibamos quando Tygett e Darlessa se casaram).
Em uma família mais pobre, Tygett poderia ter sido levado para a Muralha, a Fé ou a Cidadela para reduzir os estoques familiares, mas os Lannisters eram ricos o suficiente para sustentar as famílias dos filhos mais novos. Tygett também não teve que abaixar os olhos para encontrar sua noiva: Darlessa era uma Marbrand, uma casa vassala respeitável dos Lannisters (e parente da mãe de Tygett, Jeyne Marbrand).
Na época em que o bebê Tyrek nasceu, ele era possivelmente o nono na fila de Casterly Rock (dependendo se seus primos Martyn e Willem Lannister e Joffrey Baratheon já haviam nascido e se o pai de Tyrek já havia morrido). Ainda que outros pretendentes tenham enfrentado probabilidades menores (Aegon V pode ter sido o décimo primeiro na fila no momento de seu nascimento), a possibilidade de um recém nascido sentar-se no assento dos Reis do Rochedo parecia muito improvável.
Ainda assim, o jovem Tyrek não teve nenhuma sorte. Como Lannister (e especialmente Lannister do Rochedo), neto da linha masculina de Lorde Tytos, Tyrek nunca teria falta de dinheiro ou influência. De fato, sendo a rainha uma Lannister (e havendo um herdeiro “meio”-Lannister da idade de Tyrek), carregar o nome de "Lannister" faria com que até um membro da família de status relativamente baixo como Tyrek ganhasse importância.
Seu pai, Tygett, recebeu alguns elogios durante a Guerra dos Reis Ninepenny: embora muito jovem - possivelmente até mais jovem do que Tyrek quando desapareceu - Tygett matou um homem em sua primeira batalha e depois matou um cavaleiro da Companhia Dourada. Portanto, Tyrek descendia de uma safra de boa qualidade das Terras Ocidentais e, pelo menos, poderia ter esperado se casar com uma donzela nascida nas Terras Ocidentais quando tivesse mais idade.
A rainha Cersei, no entanto, tentaria elevar seu jovem primo Lannister ainda mais do que ele poderia ter imaginado:
Não conseguiu deixar de reparar nos dois escudeiros: rapazes bonitos, loiros e bem constituídos. Um tinha a idade de Sansa, com longos cachos dourados; o outro teria talvez uns quinze anos, cabelos cor de areia, um fio de bigode e os olhos verdeesmeralda da rainha.
– Aqueles rapazes – Ned lhe perguntou– são Lannister?
Robert assentiu, limpando as lágrimas dos olhos.
– Primos. Filhos do irmão de Lorde Tywin. Um dos mortos. Ou talvez o vivo, agora que penso nisso. Não me lembro. Minha esposa vem de uma família muito grande, Ned.
Uma família muito ambiciosa, Ned pensou. (AGOT, Eddard VII)
Ned foi perspicaz em sua conclusão: a rainha Lannister teve bastante iniciativa no aprofundamento das relações dos Lannister na corte (uma característica que mais tarde ela criticaria na noiva de seus filhos, Margaery Tyrell). Consequentemente, Cersei convenceu o rei Robert a nomear o jovem Tyrek seu escudeiro, junto com o primo de ambos, Lancel (o filho mais velho de Kevan Lannister).
Não se sabe quando Tyrek começou a servir o rei, embora provavelmente não tenha sido mais de alguns anos (se muito) antes do início de A Guerra dos Tronos. Para efeito de comparação, os dois Walders em Winterfell começaram a servir Ramsay Bolton por volta dos oito ou nove e Edric Dayne a Beric Dondarrion aos dez. Assim, Tyrek deveria estar com Robert há cerca de três anos antes da morte do rei, no máximo.
Quanto mais alto o cavaleiro ou senhor, maior seria a honra de ser escudeiro (a razão pela qual, entre outras concessões, Walder Frey exigiu que seu filho Olyvar se tornasse escudeiro do então Lorde Robb Stark), e nenhuma honra maior poderia ser concedida a um menino Westerosi que ser escudeiro do próprio rei.
A nomeação como escudeiro do rei poderia ser o começo de uma carreira na corte para Tyrek, semelhante ao começo cortês do tio Tywin como um pagem para Aegon V. O príncipe Rhaegar, afinal, transformou seus escudeiros, Myles Mooton e Richard Lonmouth, em firmes aliados e amigos. Se Tyrek provasse ser um espadachim tão talentoso quanto seu pai, poderia se tornar o mestre de armas da Fortaleza Vermelha (uma posição que Tywin realmente tentou, mas falhou, em garantir para Tygett). Com um primo na Guarda Real, uma capa branca poderia até estar no futuro de Tyrek (de fato, uma colocação na Guarda Real poderia ter servido para remover cuidadosamente um excesso de Lannisters do Rochedo). Dyanne Dayne pode ter assegurado um casamento real devido à sua nomeação para a corte da rainha Mariah Martell. Um noivado com a princesa Myrcella provavelmente era impossível para um mero primo Lannister, mas na corte Tyrek não careceria de conexões poderosas - enquanto os Lannister permanecerem no poder.
No entanto, também pode ter havido um lado mais sombrio em Tyrek ter se tornado escurdeiro - um não explorado nos livros, mas que, no entanto, é importante considerar à luz do possível papel de Tyrek no futuro. Espera-se que escudeiros sigam seus cavaleiros em todos os lugares, e o exemplo de Justin Massey demonstra que Robert poderia levar seus escudeiros a lugares estranhos:
Massey quer a princesa selvagem também. Ele certa vez serviu meu irmão Robert como escudeiro e adquiriu o seu apetite por carne feminina. (ADWD, Jon IV)
Esse "apetite por carne feminina" quase certamente incluía os bordéis de Porto Real que Robert visitava com alguma frequência. Tyrek era um pouco jovem demais para participar da maneira que Stannis disse que Justin Massey fazia (ou mesmo da maneira que Lancel poderia ter feito, se incentivado por Robert), mas ele não teria que passar tempo com nenhuma prostituta para observar algo muito mais perigoso que os adúlterios do rei.
Os leitores sabem que Robert tinha pelo menos um bastardo de uma prostituta de Porto Real: a bebê Barra, nascido de uma jovem prostituta de Chataya. A bebê, como todos os bastardos conhecidos de Robert, tinha o cabelo preto de seus antecedentes Baratheon - um fato que Mindinho não deixou de notar, o fez levar Eddard para ver a bebê e revelar a conspiração incestuosa dos Lannister.
Certamente, seria demais supor que Tyrek, um garoto de 12 anos, tivesse descoberto que os verdadeiros filhos bastardos de Robert tinham aparência de Baratheon, e que seus primos em primeiro grau eram, na verdade, bastardos nascidos do incesto de Lannisters. No entanto, Tyrek talvez tenha visto demais, mesmo que ele próprio não tivesse juntado as peças do quebra-cabeça. O escudeiro mais jovem do rei provavelmente viu em primeira mão os filhos bastardos de cabelos pretos do rei (com nove bastardos não registrados do rei, parece provável que pelo menos um outro além de Barra e Gendry tenha nascido onde o rei passava a maior parte do tempo: a capital) e, presumivelmente, era amigo de confiança e companheiro dos filhos de aparência Lannister da rainha. Se esse conhecimento fosse posto a disposição de um indivíduo mais ardiloso do que o inocente Tyrek, o garoto poderia se tornar uma testemunha útil na derrubada do regime de Baratheon-Lannister.
No entanto, Tyrek não precisaria servir Robert como escudeiro (ou segui-lo em suas aventuras lascivas) por muito tempo. Em 298 dC, Robert morreu – aparentemente de um acidente de caça, mas de fato por um meio-assassinato criado por Cersei para impedir a descoberta de seu incesto. O veículo que ela usou foi o primo de Tyrek e também escudeiro, Lancel Lannister.
Aparentemente, Tyrek não acompanhou o rei em sua última caçada, mas ele pode ter ouvido trechos da trama via Lancel. Seu status duplamente íntimo - como primo em primeiro grau e companheiro escudeiro (os dois parecem ter sido os únicos escudeiros de Robert no momento de sua morte) - dão a Tyrek maior potencial de conhecer os fatos por trás do assassinato de Robert - fatos que também serviriam para derrubar Linha real de Cersei.
Naquele momento, Tyrek era simplesmente um antigo escudeiro real, então alocado na corte de Joffrey sem qualquer objetivo maior. Os eventos, no entanto, logo perturbariam a existência relativamente pacífica de Tyrek e o empurrariam para uma tempestade de caos político - e ambição secreta.

Um Desaparecimento Estranho

Para acrescentar a todo o mistério que cerca seu desaparecimento, em A Fúria dos Reis, Tyrek é visto apenas uma vez:
Lorde Gyles tossia, enquanto o pobre primo Tyrek vestia sua capa de noivo de pele de esquilo e veludo. Desde seu casamento com a pequena Senhora Ermesande, três dias antes, os outros escudeiros tinham começado a chamá-lo de “Ama de Leite”, perguntando-lhe que tipo de cueiros sua noiva usara na noite de núpcias. (ACOK, Tyrion VI)
Longe de ser a noiva filha de um glamuroso cortesão que Tyrek esperava que sua posição de corte lhe desse - ou mesmo da donzela das Terras Ocidentais que ele poderia ter antecipado em circunstâncias normais - o "primo pobre" de Tyrion fora casado com Ermesande Hayford. Dinasticamente, a combinação foi agradável: a Casa Hayford era uma respeitável dinastia das Terras da Coroa, com pelo menos uma casa de cavaleiros juramentada. Sua atual dama, Ermesande, era a última de sua linhagem, o que significa que as terras e rendas de Hayford seriam graciosamente transferidas para os Lannisters.
Infelizmente para Tyrek, Ermesande também era um bebê. O novo lorde de Hayford teria que esperar até os vinte e poucos anos para contemplar a consumação de seu casamento. No entanto, se era pessoalmente humilhante ser casado com uma garota ainda não desmamada, Tyrek não tinha instância para reclamar. Ele, como todos os seus contatos Lannister, era um peão em um grande jogo de política dinástica e se casaria na forma que pudesse trazer maior vantagem à Casa Lannister.
Tyrek, no entanto, não viu sua noiva infantil amadurecer. Em 299 dC, Tyrion arranjou o casamento da prima de Tyrek, Myrcella, com o príncipe Trystane Martell, de Dorne. A corte fez um evento para acompanhar Myrcella até as docas para vê-la partir para Lançassolar, e Tyrek - como primo da princesa e também representante dos interesses de Lannister - juntou-se à família real, cortesãos, guardas reais e até o Alto Septão na procissão. Um homem na corte, no entanto, estava visivelmente ausente: o mestre dos sussurros, Varys.
A cidade estava em um clima nefasto. A Guerra dos Cinco Reis havia isolado a Capital dos tradicionais celeiros de Westeros. Com as Terras Fluviais em chamas e a Campinas firmemente apoiando de Renly Baratheon no ínico, Porto Real teve que confiar em Rosby e Stokeworth para trazer suprimentos, e as restrições resultaram em fome entre as classes mais pobres da cidade. O que o jovem rei Joffrey não possuía em charme e tato político, mais do que compensava em crueldade. Tyrion, sua Mão, foi responsabilizado pela má sorte após a morte de Robert, odiado por sua retaliação contra Janos Slynt e Pycelle e por seus seguidores mercenários e selvagens. Rumores sobre o incesto dos Lannister e a corrupção real em geral já haviam se espalhado pelas ruas; o ar saturado precisava apenas da faísca certa para explodir.
Quando explodiu, a fúria foi horrível de se ver. Sor Aron Santagar, o mestre de armas da Fortaleza Vermelha, foi espancado até a morte por quatro homens, enquanto Sor Preston Greenfield, da Guarda Real, foi retalhado e esfaqueado tão brutalmente que sua armadura branca ficou manchada de vermelho e marrom. O Alto Septão fora arrancado de sua liteira e despedaçado por membros da multidão, e a Senhora Lollys Stokeworth fora estuprada nas ruas por vários homens. Nove Mantos Dourado foram mortos pela multidão, enquanto mais 40 da Patrulha da Cidade foram feridos nos combates; o número de plebeus mortos não foi registrado, mas provavelmente foi muito maior.
Não foi registrado entre os mortos, porém, o jovem Tyrek Lannister. Presumivelmente, "Ama de Leite" estava na "longa comitiva de outros cortesãos" atrás da liteira do Alto Septão, formada no final da procissão real. Esse posicionamento explicaria por que foi Horas Redwyne, também naquele grupo, quem informou que Tyrek não havia retornado. Tyrion, assumindo o comando logo após o tumulto, ordenou a Jacelyn Bywater, seu novo Comandante da Patrulha da Cidade, que encontrasse seu primo desaparecido:
Tyrek continuava desaparecido, tal como a coroa de cristais do Alto Septão. Nove homens de manto dourado tinham sido mortos, e havia quarenta feridos. Ninguém se incomodara em contar quantos haviam morrido entre a multidão.
– Quero Tyrek, vivo ou morto – Tyrion disse secamente quando Bywater se calou. – Ele não passa de um garoto. Filho do meu falecido tio Tygett. O pai sempre foi bom para mim. (ACOK, Tyrion IX)
Com a confusão e o caos do tumulto, não surpreende que Tyrek Lannister tenha se perdido. Sua aparência óbvia de Lannister e sua associação com a família real pode ter tornado Tyrek um alvo fácil para os manifestantes. Se ele fosse tratado com tanta brutalidade quanto Sor Preston ou Sor Aron, seu corpo poderia nunca ter sido encontrado entre os muitos mortos.
No entanto, o que é insatisfatório nessa explicação simples é o foco que o desaparecimento de Tyrek é dado por vários livros, muito depois que os incêndios na Baixada das Pulgas foram extintos. Em três momentos distintos, Tyrek e o mistério de seu desaparecimento após o tumulto são expressamente mencionados, muito embora nenhum personagens presentes pareça ser capaz de determinar o destino do pobre escudeiro.
O primeiro momento ocorre durante A Tormenta de Espadas. Tyrion, tentando uma reunião com seu pai (a nova Mão), encontra Sor Addam Marbrand na escada. Um cavaleiro bastante talentoso e amigo de infância de Jaime Lannister, Addam havia sido nomeado o novo comandante da Patrulha da Cidade, mas sua primeira tarefa provou ser um fracasso:
– Você vem dos aposentos de meu pai? – perguntou.
– Venho. Temo não tê-lo deixado no melhor dos humores. Lorde Tywin acha que quatro mil e quatrocentos guardas são mais do que suficientes para encontrar um escudeiro perdido, mas seu primo Tyrek continua desaparecido.
Tyrek era filho do falecido tio Tygett, um rapaz de treze anos. Desaparecera no tumulto, não muito tempo depois de se casar com a Senhora Ermesande, um bebê de peito que calhava ser a última herdeira sobrevivente da Casa Hayford. E provavelmente a primeira noiva na história dos Sete Reinos a enviuvar antes de ser desmamada.
– Também não fui capaz de encontrá-lo – confessou Tyrion. (ASOS, Tyrion I)
Pode ou não ser verdade que Sor Addam enviou todos os quatro mil guardas da cidade à procura do jovem Tyrek, mas o tamanho de sua força-tarefa em potencial só fez com que o fracasso em encontrar essa relação Lannister fosse maior – e mais intrigante. Sor Addam é um comandante respeitado, mas ninguém na capital era capaz de revelar maiores informações sobre o paradeiro de Tyrek, ou mesmo mais detalhes sobre o que aconteceu com o escudeiro Lannister durante o tumulto - um fato tornado mais notável em face da autoridade emanada por Addam. Lorde Tywin Lannister manifestou sua intenção de encontrar seu sobrinho, porém nem mesmo a mágica de seu nome conseguiu extrair mais uma gota de informação daqueles que poderiam saber sobre Tyrek.
É verdade que, durante a rebelião de Robert, Jon Connington não conseguiu extrair informações do povo de Septo de Pedra: ele havia oferecido subornos e ameaçado com punições, mas as pessoas se recusavam a revelar onde Robert Baratheon estava escondido na cidade. No entanto, lorde Tywin tinha uma reputação muito mais pavorosa do que Lorde Jon.
]Tywin não tinha vergonha de anunciar sua brutal extinção dos Reynes e Tarbecks por seu desafio aos Lannisters; alguns dos portorrealenses podem até se lembrar do Saque no fim da rebelião de Robert, quando os homens de Tywin mataram crianças na rua e estupraram mulheres em suas casas. Se os portorrealenses mentissem agora e fossem flagrados na mentira mais tarde, a retribuição que Tywin traria sobre eles e seus vizinhos seria implacável.
Então, por que ninguém deu a menor dica sobre o que aconteceu com Tyrek? Não há rumor de que ele teria sido morto (embora Bronn considerasse essa como a opção mais provável); em vez disso, Tyrek parece ter simplesmente sumido.
Mais tarde, o próprio Tywin enfatizou seu desejo de encontrar o filho de seu irmão em uma reunião do pequeno conselho:
– Dragões e lulas-gigantes não me interessam, independentemente de quantas cabeças tenham – disse Lorde Tywin. – Seus informantes terão por acaso encontrado algum rastro do filho de meu irmão?
– Infelizmente, nosso bem-amado Tyrek desapareceu por completo, pobre e bravo rapaz. – Varys parecia perto de rebentar em lágrimas. (ASOS, Tyrion III)
Pode-se questionar por que Tywin procuraria informações de Varys. Se milhares de policiais não puderam extrair o paradeiro de Tyrek daqueles que testemunharam o caos do tumulto, a próxima fonte de informação era naturalmente Varys e sua extensa rede de espionagem. O mestre dos sussurros pode não ser tão onisciente quanto muitos acreditam que ele é, mas seu catálogo de informantes é vasto e suas habilidades na coleta de informações são bem afiadas e praticamente inigualáveis.
Os plebeus podem relutar em admitir a oficiais sob a autoridade de Lorde Tywin que viram Tyrek assassinado e seu corpo destruído ou despejado no Água Negra, mas declarações casuais feitas em ambientes mais informais podem ser facilmente captadas por um agente da Varys e entregues ao mestre de sussurros. Era assunto oficial da coroa desde imediatamente após o tumulto encontrar Tyrek Lannister; era, ostensivamente, a responsabilidade premente de Varys coletar qualquer informação sobre esse ponto.
No entanto, embora Varys ostensivamente não tenha recebido informações, sua conduta nessa cena deve ser analisada. Não foi a primeira vez que Varys exibiu teatralmente uma tristeza dramática diante de um Lannister. Em A Fúria dos Reis, Tyrion organizou a prisão de Janos Slynt e seu exílio na Muralha, muito embora Slynt tivesse se recusado a revelar quem o havia ordenado a perseguir os assassinatos do bebê Barra e sua mãe. Após a cena com Slynt, Tyrion teve a seguinte conversa com Varys:
– [...] Foi a minha irmã. Foi isso que o Ah... tão... leal Lorde Janos se recusou a dizer. Cersei enviou os homens de manto dourado àquele bordel.
Varys sufocou um riso nervoso. Então, ele sempre soubera.
– Não me havia contado essa parte – Tyrion disse, acusadoramente.
– A sua querida irmã – Varys respondeu, tão desgostoso que parecia perto das lágrimas. – É duro contar isso a um homem, senhor. Tive receio de como receberia a notícia. É capaz de me perdoar? (ACOK, Tyrion II)
Mais uma vez, Varys conhecia um segredo que a Mão Lannister não conhecia. Encurralado para revelar a verdade ou passar uma mentira plausível, Varys optou por lágrimas dramáticas para transmitir uma sensação de pesar real à situação em ambos os casos. Suas habilidades na pantomima não haviam desvanecido, apesar de seus anos fora da profissão: como um pantomimeiro perfeito, Varys estava utilizando uma distração em sua demonstração de tristeza para desviar as atenções do público das questões prementes reais apresentadas a ele.
O truque não funcionou em nenhum dos dois homens - Tyrion insistiu em maior transparência do mestre dos sussurros, e Tywin estava pronto para "expressar a sua óbvia insatisfação" antes de ser desviado por Kevan - mas o fato de Varys usar a mesma tática duas vezes, diante de público similar, pode sugerir que Varys está mais uma vez privando os Lannisters de um segredo e que ele sabe exatamente o que aconteceu com o jovem Tyrek.
A conversa de Marbrand com Tyrion, no entanto, não seria a última vez que o herdeiro de Cinzamarca comentaria o caso do desaparecimento de Tyrek. Ao partir da capital, Jaime Lannister levou seu amigo de infância consigo. Permanecendo como convidados em Hayford - o assento brevemente ocupado por Tyrek - Addam falou o seguinte sobre a situação:
– Eu mesmo liderei uma busca, por ordens de Lorde Tywin – interveio Addam Marbrand enquanto tirava as espinhas de seu peixe –, mas não descobri mais do que o Bywater antes de mim. O rapaz foi visto pela última vez a cavalo, quando a força da turba quebrou a formação de homens de manto dourado. Depois disso... Bem, sua montaria foi encontrada, mas o cavaleiro não. O mais provável é terem-no derrubado e matado. Mas, se foi assim, onde está o corpo? A multidão deixou os outros cadáveres no local, por que não o dele? (AFFC, Jaime III)
Addam Marbrand levanta um ponto importante. Os corpos de Santagar e Greenfield foram descobertos mais tarde - mutilados, quase a ponto de não serem reconhecidos, mas identificáveis ​​-, sendo que a multidão não faz nenhuma tentativa de descartar os dois, que eram obviamente funcionários da corte. Certamente, o castigo pelo assassinato de um Lannister, primo em primeiro grau do rei (assumindo que a multidão soubesse quem Tyrek era), seria terrível. No entanto, o assassinato alguém de nascimento nobre como Santagar, ou um cavaleiro da Guarda Real, provavelmente também levaria terríveis punições.
As multidões de tumultos estavam em um estado caótico, mais em busca de sangue do que em fazer cálculos frios sobre suas vítimas, e com Tyrek não teria sido diferente. Por que apenas o corpo de Tyrek seria descartado de maneira tão completa que não restava nenhum vestígio dele?
Lyle Crakehall, outro homem do oeste na companhia de Jaime, fez a seguinte observação:
– Ele teria sido mais valioso vivo – sugeriu Varrão Forte. – Qualquer Lannister traria um robusto resgate. (AFFC, Jaime III)
O pensamento, no entanto, foi rápida e efetivamente descartado por Marbrand:
– Sem dúvida – concordou Marbrand –, e no entanto nunca houve um pedido de resgate. O rapaz simplesmente desapareceu. (AFFC, Jaime III)
Mais uma vez, Marbrand foi direto ao cerne da questão. Bronn havia observado anteriormente a oferta de Varys de uma “bolsa gorda” pela devolução de Tyrek, e sem dúvida Marbrand também acreditava que o eunuco mestre de espionagem tornara pública a oferta. Havia muitas oportunidades para os portorrealenses ganharem dinheiro com o desaparecimento de Tyrek, mantendo-o como refém quando a revolta estourou ou, posteriormente, alegando conhecimento do destino de Tyrek (talvez colocando a culpa pelo assassinato em vizinhos detestados).
No entanto, não havia um pingo de informação que pudesse revelar o que aconteceu com o escudeiro Tyrek. Uma gorda bolsa Lannister raramente falhara em soltar línguas antes, mas mesmo assim os rumores do destino de Tyrek não puderam ser arrancados dos habitantes da Baixada das Pulgas.
No comentário de Marbrand, Jaime fez sua própria conclusão - que os portorrealenses, tendo matado Tyrek, jogaram seu corpo no rio por medo da ira de Tywin - mas isso é insatisfatório, mesmo para o próprio Jaime. Por um lado, Tywin não estava na capital na época do tumulto e não retornaria até a Batalha do Água Negra. Na verdade, os portorrealenses poderiam temer o retorno de Lorde Lannister, mas o corpo de Tyrek teria que ser destruído durante o tumulto (uma vez que Tyrion enviou uma equipe de busca para ele logo ao retornar à Fortaleza Vermelha), fazendo do medo de Tywin uma motivação improvável.
Aprofundando-se na questão, Jaime avaliou o que Tyrek poderia representar:
Mas, mais tarde, sozinho no quarto de torre que lhe fora oferecido para a noite, Jaime deu por si com dúvidas. Tyrek servira o Rei Robert como escudeiro, ao lado de Lancel. O conhecimento podia ser mais valioso do que o ouro, mais mortífero do que um punhal. Foi em Varys que pensou então, sorrindo e cheirando a lavanda. O eunuco tinha agentes e informantes por toda a cidade. Seria coisa simples arranjar as coisas de forma que Tyrek fosse capturado durante a confusão... desde que soubesse de antemão que era provável que a turba entrasse em tumulto. E Varys sabia de tudo, ou pelo menos era isso que gostava de nos fazer acreditar. Mas não deu nenhum aviso a Cersei sobre esse tumulto. Nem desceu aos navios para se despedir de Myrcella. (AFFC, Jaime III)
Pode parecer óbvio demais que o destino de Tyrek nos seja transmitido através dos pensamentos internos de Jaime. Jaime certamente tem todos os fatos sobre o Tyrek aqui, mas o importante a se notar é que Jaime falha em juntar as peças. Ele sabe que Tyrek era um escudeiro, sabe que Lancel também era escudeiro, sabe que Lancel efetuou o plano de assassinato de Cersei, sabe que Varys poderia ter arrebatado Tyrek - mas depois para de pensar no assunto.
O monólogo interno de Jaime pode ser comparado à chance de Arya ouvir a trama entre Varys e Illyrio nos porões da Fortaleza Vermelha em A Guerra dos Tronos. De certa forma, é muito coincidente e direto - os leitores conseguem obter um ponto de vista dos dois conspiradores astutos discutindo abertamente seus planos acerca dos Targaryens exilados - mas porque Arya é apenas uma criança, não uma ladina, seu relatório da conversa é confusa e gentilmente descartada por Eddard. Jaime pode adivinhar que Tyrek pode ser útil, mas o modo como Varys poderia usá-lo está além do desejo ou habilidade analíticos de Jaime.
A evidência não resulta em uma conclusão simples. Todos os membros desaparecidos da comitiva real haviam sido devolvidos à Fortaleza Vermelha ou tiveram seus corpos encontrados - exceto Tyrek. Uma busca realizada após o tumulto não conseguiu encontrar mais do que o palafrém de Tyrek. Uma enorme força-tarefa da Patrulha da Cidade não fez nada para dissipar o mistério em torno do desaparecimento do garoto. Varys, o especialista em espionagem, parece ter deliberadamente ocultado informações que recebeu sobre Tyrek. Para onde o garoto poderia ter ido?
Pode ser que Tyrek não tenha sido assassinado nas ruas da Baixada das Pulgas – mas que ele esteja, de fato, vivo e escondido, sob os cuidados de Varys.

O Leão na teia da Aranha

O fato de Varys ter usado o motim em Porto Real para seqüestrar o jovem Tyrek parece uma conclusão possível, até mesmo provável. É improvável que Varys tenha planejado todo o tumulto em Porto Real - as pessoas estavam com fome e raiva o suficiente para não necessitarem de preparação -, mas uma instigação sutil poderia levar os portorrealenses a se aglomerarem nos pontos desejados, dentro dos quais Varys ou seu agente na multidão poderiam arrebatar Tyrek e o colocar sob custódia da Aranha.
Se ele era de fato o mentor por trás do tumulto, Varys havia improvisado uma hábil pantomima. A mulher com a criança morta que interrompeu a procissão real fora colocada na curva de uma rua morro acima; a comitiva real não apenas se moveria devagar, mas o fim da comitiva ficaria fora de vista. É provável que a mulher e o homem que jogaram sujeira em Joffrey tenham sido plantados, colocada em posição de detonar o conhecido pavio curto de Joffrey.
A mulher que se encaixa no gosto de Varys pelo teatral; e o atirador de estrume também parece obra dele, uma vez que a sujeira foi jogada de cima de um telhado. Previsivelmente, Joffrey enviou seu "cão" para a multidão para mutilar as pessoas obedientemente e assim, como era de se eseperar, a multidão de pessoas famintas e espumando tomou a brutalidade de Sandor Clegane como incentivo para retaliar. Plantando cuidadosamente seus agentes, Varys poderia garantir que o tumulto começasse na frente do desfile real, permitindo que o rei de repente corresse perigo a fim de distrair o sequestro de Tyrek na parte de trás da procissão e antes da curva do Caminho Lamacento.
O que Varys iria querer com Tyrek? Primeiro, Tyrek tem uma forte direito de sangue a Rochedo Casterly. Embora esteja agora distante do lugar em que nasceu, Tyrek saltou algumas posições desde então. Lorde Tywin está morto, Jaime inelegível por conta de seu manto branco e Tyrion, um regicida condenado e um traidor, está há dois continentes de distância de seu assento ancestral. Cersei, a Dama de Casterly Rock, está esperando para ser julgada por incesto, adultério e regicídio; ela provavelmente terá sucesso no julgamento, mas seu domínio sobre a coroa permanece tênue. Depois de Cersei e seus filhos viria Kevan Lannister, mas Sor Kevan foi recentemente assassinado - por ninguém menos que o próprio Varys. O filho de Kevan, Lancel, se tornou religioso após a Batalha do Água Negra, renunciou ao assento em Darry para se juntar aos Filhos do Guerreiro, ao passo que Willem foi assassinado por Rickard Karstark; seu irmão gêmeo Martyn e o pequeno Janei permanecem vivos, embora o paradeiro deles seja desconhecido. O próximo reclamante seria o próprio Tyrek.
Varys precisa de um herdeiro Lannister, para estabelecer uma nova ordem política em Westeros. Por quase duas décadas, Varys e Illyrio criaram o jovem Aegon como o príncipe ideal, futuro Senhor dos Sete Reinos, um salvador glorioso para resgatar o reino do caos. A invasão estrangeira, no entanto, pode ser apenas uma parte dessa nova conquista de Aegon: qualquer conquistador bem-sucedido (especialmente um sem dragões) exige o apoio da nobreza local para não apenas derrotar seus inimigos, mas estabelecer um regime viável para o futuro.
Dorne parece preparado para apoiar o principezinho “Targaryen”: posando como filho de Elia Martell, Aegon parece pronto para incitar muitos dorneses, já inquietos, a agir contra a odiada dinastia Lannister. O próximo e ousado investimento de Aegon em Porto Real garantirá sua posição como conquistador das Terras da Tempestade, e pelo menos dois poderosos senhores da Cmapina - e um número incerto de "amigos" - parecem prontos para se juntar à sua causa.
Para o resto dos Sete Reinos, no entanto, Varys precisará formular um plano de ataque diplomático. Tyrek, um Lannister do Rochedo, um legítimo Lorde leão (assim que algumas peças forem arrancadas do tabuleiro), pode servir como um fantoche útil para ganhar as Terras Ocidentais para o futuro Aegon VI.
É claro que, para sentar o jovem Aegon no Trono dos Reis Dragão, Varys precisa derrubar o rei-criança Tommen (e se desfazer da princesa Myrcella). A hoste que o príncipe de Varys estava liderando nas Terras da Tempestade será um forte punho de aço para defender seu ponto de vista, mas Varys também precisa da luva de seda de embasamento legal para arrancar a coroa de Tommen de seus cachos dourados.
A tática mais óbvia (e verdadeira) seria provar que Tommen e Myrcella eram bastardos nascidos do incesto, sem qualquer pretensão ao Trono de Ferro, assim como qualquer outro westerosi. Sua bastardia já era um boato comum em todo o reino, graças a Stannis, mas para encerrar a discussão, Varys precisava de alguém que pudesse oferecer provas.
Tyrek esteve com o rei, possivelmente o acompanhou a bordéis e viu seus bastardos de cabelos pretos como Barra. Além disso, Tyrek poderia testemunhar o papel que Lancel desempenhou ao provocar a morte de Robert, minando ainda mais a posição de Cersei. Cuidadosamente treinado por Varys, Tyrek poderia prestar testemunho que arrebataria a herança de seus primos, abrindo caminho para Aegon restabelecer a dinastia Targaryen.
Então, uma vez que Tommen e Myrcella fossem denunciados como bastardos, Tyrek permanece como a escolha ideal para ser nomeado Senhor de Casterly Rock por seu agradecido novo rei Aegon VI (Martyn e Janei apresentariam um desafio dinástico, mas considerando que Varys não tinha escrúpulos em assassinar o pai deles [Kevan], parece improvável que ele permita que esses pretendentes rivais também vivam). Desconectado dos escândalos dos Lannister em Porto Real, Tyrek é um candidato atraente para governar o oeste e se tornar parte da nova ordem westerosi de Aegon.

Conclusão

Em 1999, George RR Martin ofereceu esta breve e tentadora opinião sobre Tyrek Lannister:
RMBoye: Pergunta simples, de verdade - será que vamos descobrir o que aconteceu com o "Ama de Leite", Tyrek?
George_RR_Martin: Sim, você vai. Tento não deixar muitas pontas soltas. Mas às vezes é preciso aguardar.
Talvez os comentários dele devam ser feitos com mais do que um grão de sal; afinal, na mesma entrevista, ele insistiu que o crescimento dos livros pararia no sexto. Talvez já tenhamos visto Tyrek, no jovem bonito, com a bolsa de dragões de ouro, que Arya nota ter morrido na Casa de Preto e Branco. Talvez a Navalha de Occam esteja correta aqui: que Tyrek foi morto no tumulto sangrento e que os manifestantes jogaram seu corpo no rio para evitar o castigo severo que os Lannisters e a coroa provavelmente lhes causariam.
No entanto, o assassinato por um plebeu desconhecido, ou uma morte inexplicável na catedral de um culto de assassinos, parece uma revelação ruim para a qual o autor precisaria aconselhar termos paciência. De fato, parece mais provável que Tyrek esteja de fato vivo e que Varys tenha os meios, motivos e oportunidades para arrancá-lo da capital e segurá-lo para seus próprios usos.
Somente Os Ventos do Inverno servirá para mostrar se Tyrek retornará com o suposto Aegon VI e ocupará seu lugar em Rochedo Casterly. No entanto, o mistério absoluto em torno do desaparecimento de Tyrek continua alimentando especulações, e os leitores podem tentar prever como é que esse escudeiro de menor importância dos Lannister retornará à narrativa de modo grandioso.
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2019.12.28 05:46 altovaliriano GRRM deixou a peteca cair? [Parte 1]

Link: https://towerofthehand.com/blog/2014/01/12-did-grrm-drop-ball/index.html
Título original: Did George R. R. Martin drop the ball?

Desde a publicação de A Dança dos Dragões em 2011, tem havido uma grande discussão entre os fãs sobre se o último livro e seu antecessor imediato, O Festim dos Corvos (2005) fazem jus ao padrão inegavelmente alto dos três primeiros livros: A Guerra dos Tronos (1996), A Fúria dos Reis (1998) e A Tormenta de Espadas (2000). Falando sobre isso aqui estão Stefan Sasse (The Nerdstream Era) e Remy Verhoeve (Stormsongs).
Stefan Sasse: A Dança dos Dragões já foi publicado há algum tempo agora. Enquanto muitas pessoas ficaram decepcionadas inicialmente com a falta de dragões dançando, as reações diferiram mais tarde. Muitos encontraram razões para gostar do livro (e, por extensão, de O Festim dos Corvos), enquanto outros transformaram sua decepção em ressentimento. Você tem uma teoria de por que A Dança dos Dragões dividiu a comunidade de uma maneira que O Festim dos Corvos (que mostra estrutura semelhante) não dividiu?
Remy Verhoeve : Essa é uma boa pergunta e não tenho certeza se concordo com sua pressuposição de que O Festim dos Corvos não dividiu os leitores de Martin. Não conheço ninguém que, por diferentes motivos, não tenha ficado desapontado com Festim. E eu conheço muitas pessoas que leram estes livros (muitos deles sob minha recomendação, e sempre tenho que me desculpar quando chegam ao livro quatro).
No entanto, posso estar errado. Então, para o bem da pergunta, vamos ver por que A Dança dos Dragões é mais polarizante do que O Festim dos Corvos. Poderia ter algo a ver com as expectativas. As pessoas estavam esperando há doze anos (mais ou menos) para ver o que aconteceu com Tyrion Lannister, Jon Snow e Daenerys Targaryen, então houve alguma pressão sobre esses três arcos da história para serem satisfatórios. E para muitas pessoas, isso não aconteceu.
Há pouco ou nenhum movimento nos capítulos de Daenerys; Os capítulos de Jon podem ser considerados lentos, com pouco a acontecer até o final, e o personagem de Tyrion é radicalmente alterado – o que faz sentido depois do que ele passou em A Tormenta de Espadas – a ponto de as pessoas não gostarem tanto dele quanto antes.
Eu também acredito que muitos fãs consideraram Festim um remendo grosseiro e estavam confiantes de que o próximo livro compensaria isso. Mas quando, na opinião deles, isso não aconteceu, eles podem ter se tornado ainda mais críticos com o quinto livro. Pessoalmente, acho que a escrita em Dança está muito abaixo do nível de qualidade dos três primeiros livros, mas também é pior do que Festim.
Onde os primeiros livros parecem tão vitais e pulsantes, Dança parece uma obrigação, como se o entusiasmo do escritor pela história tivesse desaparecido. Eu estava lendo um capítulo do Fedor [Theon] outro dia e me surpreendeu o quão longo e cheio de descrições grande parte do diálogo se tornou, enquanto que os primeiros livros nos deram um diálogo curto e ágil que parecia real. Quando Roose Bolton explica a Fedor, por fim, o passado de sua família, parece mais uma lição do que algo que o Roose de A Tormenta de Espadas realmente diria; tanto a caracterização quanto o bom diálogo desaparecem neste exemplo em particular.
Em conclusão, minha teoria (se é que podemos chamar assim) é que existem vários fatores: as expectativas acumuladas que levam a um desapontamento, a qualidade da imersão na escrita e os três arcos principais que não estão sendo cumpridos. O enredo em si é bom, na minha opinião, ainda que prolongado, pesado e extenso, mas a apresentação é que está falhando.
Outro exemplo: em Dança, há um capítulo de Tyrion em que ele passa o tempo a bordo de uma coca, entediado. Em A Guerra dos Tronos , Catelyn Stark viajou pelo sul de Westeros entre capítulos – entendemos que ela passou um tempo viajando, mas não precisávamos ler sobre o tédio que a tomava enquanto ela (devagar e sempre) se movia em direção a Ponta Tempestade. O ritmo está estranho. Enquanto que os livros anteriores eram tão intricadamente tecidos, Dança perde todo o compasso e quase mata a história por inteiro.
Stefan Sasse : Embora seja verdade que o ritmo narrativo diminui no Festimdança (veja aqui por que o chamamos de "Festimdança"), acho que essa foi uma decisão muito mais consciente do que você imagina. A história se torna muito mais complexa nesses dois livros, e Martin lança muitas bases, cujos frutos ainda não vimos.
Das informações que obtemos no diálogo pesadamente expositivo destes livros, muitas e mais preenchem lacunas que nos permitem explorar e conectar os pontos de coisas que foram introduzidas em A Guerra dos Tronos. Além disso, os grandes desenvolvimentos da trama já estão mais ou menos esgotados. Westeros está exaurida pela guerra e, então, a poeira assenta. O ritmo naturalmente precisa diminuir. Se Martin tivesse forçado a barra, precisaria basicamente ignorar as premissas sobre as quais o mundo foi construído – especialmente o realismo. Você não pode continuar lutando o tempo todo, colocando tudo em jogo. Torna-se-ia bobo muito em breve, como provam inúmeras obras que cometem esse mesmo erro.
Então eu acho que, em si, o ritmo não deveria ser uma grande preocupação tão logo Os Ventos do Inverno seja lançado. Você pensa que, uma vez que tenhamos a obra completa em mãos, talvez você enxergue Festimdança com mais carinho? Pois não teremos mais que nos basear na expectativas irreais desenvolvidas sobre um livro que está sendo continuamente adiado?
Remy Verhoeve : A decisão [de fazer os livros do jeito que são] pode ser deliberada, mas não tenho certeza de que funcione. Quero deixar claro que, quando estamos falando de ritmo narrativo, não estou ansioso por ação, ou confrontos incrivelmente épicos, ou que põem tudo em jogo o tempo todo.
De fato, muitos dos meus momentos favoritos nos três primeiros livros não são necessariamente calcados em situações de altos riscos (embora quase todas as cenas ecoem as lutas maiores, principalmente porque os personagens envolvidos participam da luta maior). Veja, uma cena lindamente escrita como a que Ned Stark e Robert Baratheon estão nas criptas de Winterfell, ou a que Sansa está construindo um castelo na neve, ou a que Catelyn está contando a Ned a notícia da morte de Jon Arryn, são cenas "calmas", mas elas são bem escritas e não duram muito. Elas são atmosféricas e têm uma função narrativa.
Quanto à complexidade, a história sempre foi complexa, e uma das coisas que tornou os três primeiros livros tão excelentes foi como Martin, embora contando uma narrativa complexa, conseguiu manter tudo bem organizado. As histórias construídas umas sobre as outras e a logística da guerra foram tratadas de forma realista.
Eventos e consequências parecem fluir naturalmente dentro de uma narrativa natural(mente longa) de contendas e conflitos. Eu sinto que os livros se tornaram mais inchados do que complexos depois de A Tormenta de Espadas. Adicionar um personagem como, digamos, Quentyn Martell, não torna a história mais complexa, é apenas mais uma história empilhada por cima das outras, com pouca conexão com as demais histórias que estão sendo contadas (exceto pelo link com a trama de Doran Martell).
O mesmo vale para Jovem Griff e Griff. Eles parecem que foram enxertados, não são uma parte natural do fluxo. Com personagens como Jaime, Brienne e Theon não se tem essa impressão porque os personagens estão mais naturalmente ligados ao enredo.
Talvez seja difícil para mim aceitar personagens inteiramente novos a esta altura da história. Mas, sempre que penso nisso, vejo quão poucos personagens novos existem em relação aos antigos. Portanto, em vez de obter uma história mais complexa, em que novas adições iluminam o leitor ou ajudam a mover a trama, nós apenas recebemos personagens adicionais quando claramente existem mais personagens do que suficiente. Além do que, eles levam muitas páginas para cumprir seu propósito.
E isso não é ritmo narrativo, mas encheção de linguiça. "A vida a bordo do Selaesori Qhoran não era nada além de tediosa, Tyrion descobrira". Se é tediosa, eu diria que um autor deveria passa-la rapidamente. Em vez disso, ele decide explicar o quão tediosa é a jornada para Tyrion.
Talvez Martin esteja estabelecendo muitas bases. Ele é obrigado, claro. No entanto, ele fez o mesmo em A Guerra dos Tronos e isso não impediu que fosse uma ótima leitura. Os momentos expositivos foram mais esparsos e os momentos tediosos foram poucos. Talvez tenhamos algumas resoluções fantásticas para algumas das sementes que Martin plantou em Dança - mas essas resoluções estarão em romances futuros e, portanto, Dança permanecerá defeituosa. Não será uma leitura melhor por causa de algo que acontecerá mais adiante na história. Tem que ser, ao mesmo tempo, autônomo e parte de uma série.
É por isso que acho que não enxergarei Festimdança com carinho mais tarde. Não importa que tipo de escalada Tyrion (e nós, através de seus olhos desiguais) possa experimentar, continuará sendo um obstáculo ler sua jornada pelos mares em direção a Meereen. Nesse caso, acho que provavelmente pularei Dança ao invés de relê-lo.
Não tenho certeza se concordo com o termo “expectativas irreais”. Bem, entendo por que você sugere que eu poderia estar esperando demais já que tive que aguardar tanto tempo pelo próximo livro. Entretanto, na verdade, Dança simplesmente não é tão bom assim. Festim foi muito melhor na maioria dos aspectos e nem contou com os "Três Protagonistas". Há diversas coisas em Dança que o tornam menos interessante do que os livros anteriores.
Você admite que o diálogo é mais recheado de exposição, então existe um ponto em que podemos concordar. Há também a tendência perturbadora de aumento da perversidade, o foco pesado em Essos – que não é o que prometem as primeiras três mil páginas do livro (sempre foi sobre Westeros, até os capítulos de Dany) –, personagens que mudam de personalidade, as excessivamente longas listas de inventários, redação pouco clara, diversos erros de edição incomuns, desfechos irregulares, etc., etc. Ainda assim, não me importarei se você puder me convencer de que Dança é um bom livro, porque gostaria que fosse bom.
Concluindo, não me importo tanto com o ritmo, mas que o ritmo mais lento não é interessante. Além disso, não foi uma escolha muito sábia cortar o livro no ponto em que eles o fizeram. Ok, eu vou calar a boca agora.
Stefan Sasse : Eu tenho vários pontos a fazer sobre isso. Quero enfrentá-los um por um para manter a conversa focada. Portanto, mantenha as críticas em mente. Na verdade, espero convencê-lo de que o Festimdança é melhor do que você pensa.
Então, a primeira questão que quero abordar é a expositividade. Embora eu certamente concorde com você que o diálogo oferece muito mais exposição do que anteriormente, quero enfatizar que a história sempre foi rica em exposição. Apenas relemos os primeiros livros com mais frequência do que os últimos, o que tende a obscurecer um pouco as coisas.
Pense em A Guerra dos Tronos. Illyrio Mopatis e Jorah Mormont são essencialmente exposições em duas pernas da cultura Essosi e Dothraki, respectivamente. Temos uma chuva de informação [infodump] realmente grande na história de Daenerys, especialmente na primeira metade de seus capítulos, um fato que você também notou em sua décima releitura, salvo engano.
Ou pense no Torneio da Mão. Há tanta exposição acontecendo, com uma lista realmente tediosa de nomes, nomes e nomes. Somente com o conhecimento adquirido em romances posteriores toda essa exposição se torna outra coisa, e conseguimos sorrir, gemer e tremer de medo e excitação quando reconhecemos esses personagens e agora sabemos do destino deles. Infelizmente, ainda não sabemos o destino de muitos dos personagens de Festimdança. Até sabermos, a exposição é apenas isso: exposição. Mas acho que é altamente provável que, em algum livro posterior, a recompensa seja tão grande quanto a que temos ao reler Anguy ganhando a competição de arquearia.
Um excelente exemplo disso é todo o pano de fundo que temos sobre Volantis e as cidades de Rhoyne nos capítulos de Tyrion. A lei da Arma de Chekov afirma que você não introduz uma cidade onde 4/5 da população são escravos e tem um personagem principal com a reputação de libertar escravos sem que os escravos da cidade sejam libertados. Mas se não obtivéssemos essas informações, o evento (que eu espero ver em Os Ventos do Inverno ) cairia por terra, porque não teríamos conhecimento sobre o lugar. A essa altura, já sabemos muito sobre ele (a propósito, mais sobre qualquer outra Cidade Livre – exceto Bravos). Nada disso pode ser por acaso.
Ou pense no diálogo com Roose Bolton. Um comentarista do The Nerdstream Era, em nossa série "Supreme Court of Westeros", apresentou a brilhante noção de que Roose Bolton essencialmente usa Theon como um peão em seu jogo de poder com Ramsay. É bastante possível que a intenção de Roose seja enxotar Ramsay em favor de "Walder Rosa" – seu filho legítimo com Walda Frey. Mas é claro que ele não pode deixar Ramsay saber disso. Contar toda a história da família para Theon e repetidamente enfatizar que ele não tem intenção de prejudicar as perspectivas de Ramsay seria uma jogada inteligente. Contar a história é o que garante que Theon entenda tudo e se deixe levar pelo truque de "Roose confia essas informações a mim e é honesto".
Para resumir: no que concerne à exposição, tenho certeza de que, depois que lermos Os Ventos do Inverno e Um Sonho da Primavera e relermos Festimdança, certamente teremos o mesmo sorriso nos lábios que agora temos com relação à exposição nos três primeiros romances.
Remy Verhoeve: Essa é uma maneira interessante de enxergar as coisas. E eu posso entender nossa concordância até certo ponto. Há uma diferença gritante, Entretanto. E é simplesmente que há muito mais exposição - até demais - no Festimdança em comparação com os primeiros livros.
Seu exemplo de Anguy, o Arqueiro, é uma boa vitrine para isso. Ouvimos sobre Anguy vencer a competição de arco e flecha, e é só isso. Não há muito tempo de exposição nos dizendo quem é esse cara, de onde ele veio e assim por diante. Então, quando ele aparecer mais tarde, 75% dos leitores não se lembrarão dele, mas os 25% restantes poderão apreciar o personagem reaparecendo.
Em contraste, a exposição no Volantis é pesada e massiva. Não apenas através dos olhos de Tyrion, mas também de Quentyn. Há um capítulo de Quentyn que não é quase nada além de exposição. É mais um diário de viagem do que uma história, com Quentyn olhando para todas as coisas estranhas que passam nas ruas (perdoe-me se não era Volantis, mas outra cidade – contudo, o sentido continua o mesmo).
O exemplo mais óbvio de exposição exagerada deve ser o capítulo de Jon Snow no qual temos a maior lista de todos os tempos sobre o que a Patrulha da Noite guarda nas despensas. A balança está desequilibrada; exposição demais (também chamada de "construção do mundo" por muitos) mata a história (para mim, pelo menos).
Agora, o mais complicado é que eu sempre amei a construção de mundo de Martin e houve um tempo em que eu só queria mais e mais. Porém, um pequeno problema nisto tudo é que, principalmente em Dança, Martin concentra quase toda sua energia em uma exposição sobre Essos, o que para mim e para muitos outros leitores parece errado, pois a história foi ambientada, e era sobre, Westeros. Estamos tão avançados na narrativa que isso quase soa como um recomeço em um continente muito menos interessante. Obviamente, isso também está relacionado à longa espera por Daenerys chegar a Westeros.
Talvez seja por isso que sinto que Festim é mais interessante que Dança – em Festim, pelo menos, estamos em Westeros, o lugar que sempre importou, o lugar pelo qual tantos morreram. Duvido que Martin possa nos fazer se importar assim com Essos. Mas é claro que não posso saber o quão importante Essos será até que a história esteja completa.
Quanto ao diálogo de Roose com Theon/Fedor, não duvido que tenha uma razão para estar lá, mas ainda é tratado de maneira pesada e não parece o Roose frio, calculista e quieto que conhecemos antes. Um homem cujas ações falavam mais alto do que as palavras. Parece que ele está fora do personagem nessa sequência em particular. Mas, como você disse, talvez ele esteja jogando um jogo que eu simplesmente não compreendi.
Muito poderia ser cortado do Festimdança, sem grandes perdas, para se tivesse uma narrativa mais rápida. Ao ler o romance, há um limite de quanto precisamos saber sobre o cenário. É melhor deixar essas coisas para livros complementares e coisas semelhantes. Se Tolkien tivesse parado em todas as ruínas que a Irmandade encontrou para explicar exatamente o que ela havia sido...
Os primeiros livros de Gelo e Fogo não demoraram muito para chegar aos pontos importantes da trama. Com Festimdança, fica parecendo que Martin queria uma determinada estrutura, e isso implicava em preencher capítulos para espalhar esses pontos. Um bom exemplo disso é o capítulo solitário de Jaime em Dança, onde o único evento importante ocorre nas duas últimas frases. O restante do capítulo é preenchido até as bordas com exposição sobre pequenas casas nobres nas Terras Fluviais e arredores. Mais uma vez, é provável que a exposição exista para desenvolvimentos de enredos futuros, mas o texto em si não me envolve como leitor da mesma forma que fazia antes.

[Continua na parte 2]
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2019.11.05 17:24 IgnusIncubus O Homem que queria ver tudo. (Outro mini-conto de terror)

Sanders era um astronauta. É o que ele sempre quis ser durante toda sua vida. Depois de anos de treinamento que pareceram durar para sempre, Sanders foi, finalmente, escolhido para não só ser o primeiro homem a buscar outros planetas habitáveis no Espaço Profundo, como também foi o primeiro humano escolhido para pilotar e liderar a nave Zeus-11, com uma população de 100 tripulantes altamente treinados a bordo. Haviam médicos, soldados, engenheiros, eletricistas, biólogos, tudo o que um grupo de expedição poderia precisar ou querer. A nave era equipada com uma partícula de matéria negra descoberta em 2245 e aperfeiçoada somente em 2267, essa partícula permitia que a nave dobrasse o espaço através dele mesmo, em vez do contrário. Basicamente transformando o Espaço Sideral inteiro em uma grande escada rolante, permitindo que fosse poupado combustível, tempo e dinheiro, já que não haveria necessidade para combustível além do necessário para a partida da Terra. Por conta disso, a velocidade alcançada era 10x maior que a velocidade da luz e isso nem era, sequer, a metade da potência da partícula de matéria negra, mas como a "bolha" que a matéria criava em torno da nave ainda era instável em velocidades maiores, todos os cientistas responsáveis concordaram que seria melhor não ativar a potência inteira da partícula. Sanders estava de acordo com essa decisão, não havia motivos para tomar riscos desnecessários, claro, isso faria que ele e a tripulação ficassem alguns anos em Crio-Sono por causa dos anos que demorariam para chegar ao destino, porém, qual seria o problema em dormir um pouco, não é mesmo? Afinal, para eles, pareceriam só alguns segundos.

Seu corpo molhado e pegajoso com o líquido da Câmara Criogênica parecia frio ao toque, apesar dos procedimentos para aquecê-lo que a Câmara usou, ou melhor, deveria ter usado. Algo estava errado. E Sanders não precisava de um corpo gelado para saber disso, muito menos fitar o escuro de sua nave através do vidro da Câmara. Não, Sanders sabia que algo estava errado pois sentia em suas entranhas. Com uma mão trêmula e pegajosa, ele alcançou a alavanca manual, e com um esforço descomunal para um homem de 32 anos, ele conseguiu puxar a alavanca e a porta de sua Câmara pulou para fora com um sonoro 'FUUMP'.

O capitão da Zeus-11 colocou um pé para fora e, cautelosamente, tocou o chão frio de alumínio e titânio, tocou seus cabelos loiros e respirou fundo, tentando se lembrar da ultima coisa que havia acontecido. Nada veio a sua mente, mas ao inspirar o ar gelado e sintético da nave, seus instintos começaram a gritar, suas entranhas pareciam derreter e sua língua sentia a eletricidade estática no ar. Algo, definitivamente, estava errado.

Ao perambular e cambalear pela Cabine do Capitão, Sanders notou a ausência de seus co-pilotos, suas Câmaras jaziam vazias ao lado de seus postos, talvez eles tenham saído mais cedo para preparar a nave? Mas se fosse assim, por que eles não o acordaram também? Com um medo obscuro vagando em sua mente, Sanders acendeu a luz da Cabine e deixou os olhos se acostumarem com a iluminação que piscava. Falha na fiação talvez? Ele precisaria chamar um eletricista o quanto antes. Se vestiu com suas roupas de capitão e pôs-se a trabalhar; arrumou as cadeiras, ligou todos os sistemas, abriu as comportas de metal para poder observar lá fora e fez todos os testes necessários. O espaço lá fora era somente escuridão, o que era claramente esperado, não havia nenhum planeta, sistema solar, ou estrela por perto, bem, talvez isso fosse um exagero, havia, sim, uma estrela por perto. Uma Gigante Vermelha à, no mínimo, dois anos-luz de distância, Sanders tirou os olhos do monitor e observou lá fora, ele conseguia ver o pontinho vermelho e brilhante da Gigante Vermelha. Mesmo sendo algo tão lindo, seu corpo inteiro estremeceu e seus joelhos quase cederam, um arrepio passou por suas costas e seus instintos voltaram a gritar. Ele respirou fundo, uma, duas, três vezes, até se acalmar, fez o melhor que pôde para ignorar aquele sentimento de desgraça iminente e voltou a checar todos os sistemas. Apanhou seu gravador e, sob a luz que ainda piscava na sala solitária, ele começou a gravar o primeiro áudio-diário da missão:

"Dia 1 da Expedição de Zeus-11, a data é.. humm..", Sanders lembrou de que ainda não havia checado a data. Apesar de o Computador estar programado para acordá-lo 11 anos após a partida da Terra, ele não checou para ter certeza. "Computador! Qual é a data em que nos encontramos?"

Luzes azuis piscaram no monitor e com uma voz robótica e monótona, o Computador respondeu:

"Bom dia, capitão Sanders. A data atual, com base no Planeta Terra, é dia 21 de Dezembro do ano 2464. Já se passaram cento e oitenta e quatro anos desde a Partida do Planeta Terra."

Sanders parou a gravação e coçou a cabeça, "Computador, cheque novamente, esta data está errada."

"Positivo. Checando novamente, aguarde." Mais luzes azuis piscaram, "Checado novamente, nenhuma mudança."

Sanders começava a se irritar, "Pois então cheque de novo!"

Mais luzes piscaram.. "Nenhuma mudança."

Sanders respirou fundo, "Computador, eu mesmo lhe programei para acordar a mim e toda a tripulação em 11 anos após a Partida. Se passássemos disso, poderíamos acabar com sequelas no cérebro e nos órgãos, além do fato de que estaríamos muito mais longe de nosso destino. Se passaram 184 anos e a nave continuou a se mover, então significa que estamos à bilhões de anos-luz da Terra! Então.." Sanders sentou-se na cadeira do capitão e cobriu os olhos com as mãos, "Por favor.. cheque de novo."

Luzes e então.. "Nenhuma mudança."

O instinto gritava mais alto, seus joelhos estavam moles, Sanders não conseguia acreditar. E então o calafrio se instalou veementemente em sua espinha conforme seus olhos fitavam o monitor respondendo a um de seus check-ups. O texto na tela era simples e fácil de se ler, um só número, nada mais. Um grande e vermelho número.

Do monitor, se lia a seguinte frase:

"Bio-Análise concluída. 1 (uma) vida(s) a bordo."


Mas como..? Como era possível? Ele realmente era o único na nave inteira? Impossível! Sanders tropeçou ao se levantar da cadeira em um pulo, ele se apoiou na mesa e notou alguns números mudando, mas não lhes deu atenção; ele precisava saber! Ele correu até a saída da Cabine, o Computador o reconheceu e abriu as portas de metal, lá fora o corredor silencioso o convidava a adentrar a viscosa e impregnável escuridão do resto da nave.
"Olá?! Tem alguém acordado?!", Sanders gritou e somente ouviu seu eco o respondendo. ele agarrou a lanterna do Kit de Emergências na parede e a ligou. Mesmo com o feixe claro de luz, a escuridão não cedia, era impenetrável, não conseguia se ver nada além de um passo de distância.

"Computador, ligue as luzes do corredor A-1", Sanders comandou.

As lâmpadas piscaram e apagaram novamente.

"Computador! Ligue-as agora!"

Nada aconteceu. Somente o eco o respondia.. "Agora... gora... ora..."

"Computador!"

Nada. Só o eco.. "Computador... tador... dor... dor..."

"Droga!", Sanders gritou e o corredor repetiu suas palavras. Reunindo o resto de coragem, o Capitão da Zeus-11 adentrou a escuridão.

Tremendo a cada passo, o homem passou de corredor em corredor com sua fiel lanterna, olhando em volta e gritando por alguém, qualquer um, porém, ninguém o respondia. Ele chegou na praça de alimentação, quando a nave foi inaugurada e lançada ao espaço, ali fora um lugar divertido, repleto de pessoas rindo e comemorando, agora era um lugar deserto e inóspito, quase hostil.

"Olá..? Eu estou sozinho..?"

O eco o respondia.. "sozinho... sozinho... sozinho..."

"Computador!", Sanders chamou.

"Sim, capitão?", a máquina respondeu pelos interfones nas paredes.

"Eu estou sozinho?" ("sozinho...sozinho...sozinho...")

Um segundo se passou e a voz robótica respondeu com clareza: "Não, capitão."

O astronauta que lutou tão arduamente para chegar onde estava franziu o cenho, mas abriu um leve sorriso: "Como assim?"

"Há outra presença a bordo da Zeus-11 além do senhor, capitão."

"O quê? Onde?", o capitão bradou, agora com as esperanças renovadas. Talvez tivesse acontecido uma falha no check-up, afinal. Ou talvez evacuaram a nave e agora voltaram por ele?

"Na Cabine do Capitão, senhor."

Sanders soltou o ar que esteve, sem perceber, segurando, mas ele não tinha acabado de sair de lá? Alguém passou por ele despercebido? Não importa, pelo menos não agora, ele precisava voltar lá.

"Okay! Obrigado, Computador!", Sanders saiu correndo em direção a Cabine. Talvez ele estivesse animado demais, talvez simplesmente não tivesse prestado atenção, mas ele não percebeu que, dessa vez, dessa única vez desde que ele saiu de sua Câmara, o eco não respondeu ele.

Ele tropeçou três vezes antes de chegar a Cabine, quando chegou, ele abriu um sorriso esperando ver sua co-pilota ou seu segundo em comando, no mínimo. Mas não. Não havia nada ali. Ninguém. Somente números piscando em vermelho no monitor.

"Computador, cheque por sinais vitais." Sanders estava a beira das lágrimas

"Checando......" um zunido e: "Dois sinais vitais encontrados."

Sanders sentava-se na cadeira do capitão novamente e checava os números sem sentido que apareciam na tela, "Cheque de novo."

Um zunido, "Não é necessário."

Sanders estava distraído com os números na tela e não notou o brilho que se espalhava por toda a cabine, não, por toda a nave. Ele simplesmente não conseguia entender, ele não ativou a partícula de matéria negra e ele tinha certeza que não sentira a nave ligou ou se mover, então como podia? Como a distância podia ter diminuído? "Computador, cheque de novo."

"Não há necessidade, capitão."

"Como?" Sanders não havia tirado os olhos da tela, todos os pelos de suas costas até a nuca estavam arrepiados, sua barriga estava fria, seus instintos agora imploravam.

"Ele está aqui."

"Computador, do que você está faland...." e então Sanders finalmente olhou para cima, para o vidro e para o que devia ser o espaço lá fora. Porém, não havia espaço lá fora. Só havia o brilho vermelho que se espalhava por toda a nave, hipnotizando o capitão incrédulo.

"Ele está aqui, capitão."

E Sanders finalmente entendeu. Foi um erro ter vindo aqui, foi um erro ter explorado tão profundamente. Foi um erro. Sanders tentava gritar mas não conseguia, ele não conseguia parar de fitar aquilo por trás do vidro. Um imenso olho vermelho e brilhante. Claramente fazendo parte de algum corpo ainda maior, porém, impossível de ser observado através do que, em comparação, era uma minúscula janela. O brilho vermelho engolia a nave inteira e o olho tinha como único alvo o amedrontado e lamentável Capitão da Zeus-11.

Sanders o viu. Viu o vermelho. Viu a escuridão. E então... viu nada. Um segundo se passou e Sanders não existia mais, deixando somente uma nave vazia a deriva. Estéril e imaculada.
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2019.10.21 15:11 nicole-nic Amiga Tóxica

A uns 2 anos atrás eu namorava um garoto, que vamos chamar de "João" e eu tbm tinha uma melhor amiga, que vamos chamar de "Maria". Até então os dois nunca se conheceram, eu falava de um para o outro mas eles não tinham realmente se visto e tals. Até que em um belo dia eu resolvi fazer minha festa de aniversário, convidei meu namorado e todos os meus amigos e amigas, João e Maria se conheceram e ok! Dps da minha festa eles trocaram o número (sem eu saber) e começaram a conversar (sem eu saber), até q um dia essa minha amiga me contou q pegou o número dele e que ele era super legal (ai eu me estressei, mas não falei um "a"). Eles conversaram tanto que dps de 2semanas eles estavam se considerando melhores amigos, eu puta que só fui tirar satisfações com o meu namorado, e ele disse q era apenas uma amizade e eu não deveria me preocupar, então assim fiz... Não me preocupei. Dps de alguns meses eu contei para Maria q meu relacionamento de 2 anos estava esfriando e que eu queria terminar mas ainda amava ele, ela me deu total apoio para terminar com ele, ela falou que eu estava certa sim de terminar... Ela tanto fez minha cabeça, q eu realmente acabei terminando. Terminei com João mas ainda nos falavamos, pois foi um relacionamento de 2 anos, e não tem como esquecer de tudo da noite pro dia. Na semana seguinte ao meu término Maria veio me falar que estava gostando do meu ex... Eu fiquei sem chão, até pq eu não espera isso dela. Eu fiquei muito puta e na mesma hora não quis mais falar com ela, e dei vácuo em todas as mensagens que ela me mandava, apague o número dela e ficamos uns 7 meses sem nos falar, durante esse tempo eu fiquei com outros garotos, mas o meu ex (João) ainda ficava falando comigo e dizendo que um dia poderíamos voltar, e que todo esse caos iria acabar e nós voltaríamos de novo. Um pouco dps do meu aniversário desse ano eu fui falar com Maria, perdoa-la e tudo mais, ok.... Eis que descubro que João e Maria estão ficando desde o meu término com João, eu como bom samaritano calei a minha boca e não disse nada, depois de um mês ,ou sla, ele a pediu em namoro (imagina como eu me senti... 1-culpada por ter apresentado eles dois 2-triste pq era minha melhor amiga e meu ex), meus pensamentos ficaram um caos, e toda vez q eu falava com ela ou falava dela eu me sentia mal, pq parecia q ela estava me traindo. Tempo vai tempo vem, se passaram 4 meses e eu explodi. Não conseguia ver meu ex com minha melhor amiga, isso tava me fazendo MUITO mal (tive diversas crises de ansiedade dps do pedido de namoro), então eu decidi mandar um texto de coração aberto, lhe dizendo tudo oq estava/está acontecendo comigo... Ela entendeu meu texto como uma afronta, e ficou rebatendo e ainda disse "não vou brigar por macho" sendo que eu estava brigando pelo meu bem estar. Ela mandou um texto enorme falando coisas horríveis (para quem tem crise de ansiedade aquele texto foi de fuder), sem contar as indiretas q ela e a amiga dela ficaram postando pra mim no status... Coisas como: "pede empatia mas a própria não prega isso". Dps de tudo isso eu apenas li o texto dela eu desejei um boa noite, apaguei o contato do meu ex, dela e da amiga dela (coisa q eu já deveria ter feito a muito tempo). Um pouco dps desse caos todo o meu ex disse para Maria que era para mandar eu me fuder... Isso acabou comigo mais ainda, eu esperava TUDO da Maria, mas do João e não estava esperando isso. Sinto vontade de voltar a falar com ambos, mas para a minha saúde mental, eu devo manter distância dos dois. Hoje namoro uma pessoa que me faz muito feliz e que esta me ajudando muito a amenizar as crises de ansiedade que tenho. Sua saúde mental é mais importante que qualquer amizade, não esqueça disso. CVV - 188
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2019.09.19 22:13 moohbr Quando brigar é a solução?

Eu nunca escrevi aqui, mas sempre acompanho os textos e, mesmo sem comentar sempre, as vezes os conselhos que leio para outros servem para mim. Pois bem, eu vou criar nomes fictícios para evitar exposição por ser uma situação grave.
Me chamo Luiz, tenho por volta dos 22 anos, faço estágio numa startup, namoro uma menina a qual eu sou realmente apaixonado, faço uma faculdade boa, estou com a vida andada. Bem, meus relacionamentos esse ano (amizade), se acabaram por causa de ciúmes de um amigo meu que namorava uma amiga, que gerou fofoca e foi quebrando o grupo. Sempre fui vingativo, e meio que, como o grupo me largou, mesmo não querendo voltar a conversar com eles, arranjei um jeito de provar que eu não fiz nada e que era tudo paranóia do cara. Pois bem, minha vida seguiu e aí eu me deparei com uma situação: o ex da minha namorada, ficou começando a caçar briga, e eu, não gosto de engolir as coisas, eu fui tirar satisfação com ele. De início, funcionou. Ontem, estava com ela na rua e ele veio encher o saco ( fica dando tchauzinho, símbolos e palavras pejorativas, áudio bêbado falando da época que eles namoravam) e eu, perdi a cabeça e meio que briguei com ele fisicamente. Eu não sou nada forte, sou baixo, ele é alto mas meu ki elevou pra mais de 8k e eu fiz mágica e conseguir ganhar a briga sem tomar um golpe se quer. Isso foi na porta da delegacia. Ninguém fez nada. Fiquei lá esperando ele fazer BO mas demorou tanto (5+) eu sair e fui para minha casa. Minha namorada hoje está com raiva, falando que eu não devia ter caído na provocação dele e tô com medo disso ferrar minha vida. Ela acha que fiz isso pelo meu espírito vingativo mas na hora só pensei na minha honra.
O que vocês acham? Conselhos, se eu vou me livrar, qualquer coisa que me ajude a parar de pensar nessa merda.
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2019.09.15 19:11 YareYareDaze007 Minha "breve" história amorosa

Essa História que será aqui contada, nesse livro, é a jornada de um garoto chamado Giovane, um garoto quieto, de poucos amigos, porém muito estudioso, sempre tirava boas notas na escola. E é exatamente lá que nossa história começa.
No ano de 2017, nosso protagonista está sentado tranquilamente em sua mesa, na sala de aula, quando repentinamente ao olhar de relance para a porta, ele percebe alguém entrando, mais especificamente uma garota, uma linda garota, que instantaneamente desperta o encanto de Giovane. Vale lembrar que naquela época, ele era um garoto de 13 anos, sem nenhuma preocupação além de vídeo-games e estudos, mas tudo aquilo estava prestes a mudar. Naquele momento, ele havia descoberto o amor, que muitas vezes pode ser comparado à uma benção ou maldição. Ao ver a garota de nome desconhecido entrar, Giovane logo ficou surpreso com tamanha beleza, porém no momento não fez muita coisa. Apenas voltou aos estudos e tentou não pensar muito naquilo, porém era quase impossível, a cada conta que fazia, a cada texto que lia, a imagem da garota continuava a aparecer em sua cabeça. O que era muito ruim, considerando o fato de Giovane sempre dar muita importância aos estudos, aquilo estava o atrapalhando. Mas logo o nome da garota foi revelado: Sabrina. Giovane ouvira a professora dizer esse nome na chamada e viu a garota responder.
Não demorou muito para ele se dar conta do que havia acontecido. Ele sabia que estava sob o efeito da droga mais poderosa que existe: O Amor. E para o amor não existe cura, apenas o tempo, que foi justamente o que decidiu fazer: dar um tempo e ver o que acontecia. Giovane Não tinha ideia de como os eventos se desenrolariam dali em diante, não sabia o quanto sofreria pensando nela.
Passado algum tempo, cerca de 3 meses, e o amor de Giovane por Sabrina continuava aumentando, como uma fogueira que é atiçada pelo vento. No entanto, uma dúvida ainda pairava sobre sua cabeça: O sentimento era recíproco? Sabrina via Giovane com outros olhos? Ele não sabia, e isso estava o enlouquecendo.
Um mês depois do acontecimento anterior, ele havia pensado em uma maneira de acabar com suas dúvidas, era o único modo que nosso protagonista havia pensado: Falar à Sabrina sobre seus sentimentos. Porém, Giovane era um garoto extremamente tímido, o que deixava essa hipótese quase impossível. Ele tinha medo de contar o que sentia e não ser correspondido, ou ainda pior, ser ridicularizado pelas pessoas ao redor da escola. Chega o fim do ano e Giovane não havia conseguido se declarar. "Meu Deus, mas e se ela não estiver aqui o ano que vem? " Pensava.
2018, início do ano. E para sua surpresa, ele estava na mesma sala que Sabrina. Seria o destino dando uma segunda chance a ele? Talvez. E como dito anteriormente, seu amor não diminuía, apenas crescia dia após dia. Nosso protagonista tem 14 anos agora, muito mais maduro, certo? Errado! Ele continuava com uma ideologia de " deixar o rio fluir ", ou seja, não fazer nada e deixar que o destino cuidasse do resto. Claramente essa tática não deu certo. Porém, Giovane possuía um amigo chamado Marcos, cujo qual se dava muito bem com as mulheres. E fui justamente a ele que Giovane foi pedir ajuda. E acontece que Marcos era realmente bom no que fazia, e milagrosamente conseguiu fazer Sabrina se aproximar consideravelmente de nosso protagonista, que estava pensando sobre a vida e as decisões que havia tomado e aparentemente não interagindo com Sabrina, o que fez Marcos aparecer e talvez ter causado o maior arrependimento da vida de Giovane. Ou não? Marcos chegou conversando com ambos e acabou deliberadamente por falar que Giovane estava apaixonado por Sabrina, o que deixou nosso protagonista completamente paralisado, como se tivesse visto um fantasma, sem nada para dizer, como se tivesse visto a morte cara-a-cara. E Sabrina pareceu incrédula do fato, tanto que até se levantou da cadeira na qual estava sentada e estava se dirigindo a seu lugar, quando Marcos a parou e tentou argumentar com ela, mas nada parecia dar certo. Enquanto isso, nosso protagonista continua sentado imóvel na mesma posição que havia começado a conversa. Passados cerca de 3 minutos, Sabrina chega à mesa de Giovane e pergunta:-O que aconteceu?
-Nada. Diz Giovane
-Você está com cara de bravo. Foi alguma coisa que eu fiz?
-Não, não foi nada.
E Sabrina sai daquela mesa e volta para a dela.
A partir daquele dia, Giovane se tornou outra pessoa, alguém completamente novo. Ao invés do garoto alegre e piadista de sempre, ele havia se tornado alguém quase depressivo, não falava quase nada, passava horas parado pensando na vida, não fazia mais tantas piadas. Até o dia 10 de agosto de 2018, quando ele decide que não vale mais a pena sofrer tanto por conta de falta de coragem. Na escola, durante a aula de geografia a lição era fazer um mapa-múndi e foi o que nosso protagonista fez, porém Marcos tinha um plano para ambos ganharem nota apenas com o esforço de Giovane, que aceitou ajudar já que poderia precisar de algum favor de Marcos algum dia. E foi um plano, absurdamente bem bolado, executado com maestria e finalizado com êxito.
Na noite daquele mesmo dia, Giovane decide cobrar a ajuda que ofereceu à marcos. Mandou uma mensagem para ele e combinou que iriam executar um plano para que nosso guerreiro Giovane tivesse a coragem de se declarar à belíssima donzela Sabrina. Marcos a convenceria a segui-lo e passaria por um local combinado, onde Giovane apareceria e abriria seu coração para ela, acabando de uma vez por todas com isso, do jeito bom, que Giovane sairia com uma namorada e se livraria de sua tristeza ou do modo ruim, que era o que Giovane achava mais provável, onde ele seria completamente rejeitado e jogado à depressão para sempre, porém esquecendo de Sabrina. Nada poderia impedir esse plano de funcionar.
Exceto uma coisa: O esquecimento de Marcos que não conseguiu atrair Sabrina até o local combinado, o que fez com que Giovane saísse vagando pela escola envolto em seus pensamentos, e andando sem parar, para praticar pelo menos de alguma maneira, algum exercício, contudo ao fazer a volta na escola várias e várias vezes, no caminho Giovane se deparava com Sabrina andando com uma amiga e seu namorado, e durante algumas dessas vezes ele pôde ouvir claramente a amiga de Sabrina dizer: " quem quer catar a Sabrina? " Duas vezes na mesma hora em que ele estava passando e ainda ouviu mais uma última vez: " Ela está se doando ". Giovane estava começando a ligar os pontos, tudo começava a fazer sentido em sua cabeça. A vontade dele era alterar o curso de sua caminhada e abrir seu coração a ela, porém se fizesse isso, ele estaria desperdiçando um favor de Marcos, então Giovane Simplesmente continuou sua jornada de volta à sala de aula. Ele estava prestes a descobrir o significado de tudo que aconteceu.
No final daquele dia, Giovane decidiu perguntar à marcos se ele havia se esquecido. E de fato ele havia, no entanto se ofereceu para fazer o mesmo plano no dia seguinte. Giovane concordou.
Terça-feira, 14 de agosto de 2018, nosso protagonista vai para a escola apreensivo pensando em como vai ser, no que ele vai dizer..., mas durante a aula de história, nosso herói percebe que Sabrina estava muito impressionada com o professor novo. Estaria ela realmente afim do professor? Ou seria apenas uma brincadeira? Ele não sabia e isso o deixava apreensivo. Na próxima aula, a de matemática, a professora havia mudado Sabrina de lugar. E coincidentemente, o lugar que ela foi designada era bem perto do lugar de Giovane. Seria esse o destino colaborando mais uma vez para que tudo desse certo em sua vida?
No recreio, tudo estava combinado com Marcos. Só lhe restava sair da sala e seguir com o plano. Acontece que um amigo de nosso protagonista, conhecido pelo codinome Sem Mão, decidiu segui-lo e ver o que aconteceria e como acabaria. Giovane conta o plano à Sem Mão, que fica impressionado e diz que aquele plano era como fazer roleta russa com 5 balas. No entanto, Marcos demorou muito para fazer o plano e quando fez, não fez corretamente: Ele simplesmente disse para Sabrina que Giovane gostaria de conversar separadamente com ela, enquanto nosso protagonista apenas passava por ela e ia direto ao banheiro, pois estava muito tenso. Acaba o intervalo e Giovane se dirige à sala de aula. Na última aula, logo em seguida da de educação física, todos voltam para a sala e se preparam para a aula de matemática e provavelmente a coisa mais inesperada desse livro acontece: Ele pensando na vida como sempre, consegue ouvir Sabrina e Vinícius, um outro colega de sala, discutirem sobre voltar ao lugar anterior deles, e de repente ouve ela dizer que aquele lugar era bom porque ela conseguia ter uma boa vista de uma coisa. Instantaneamente nosso protagonista percebeu que essa "coisa" era nada mais nada menos que ele mesmo, até porque em certo momento dessa conversa ele pôde perceber Vinícius responder: Do G? Que foi logo respondido com uma resposta de Sabrina: Por que você não grita logo de uma vez?! Seguido disso, Vinícius em tom de brincadeira, aumenta levemente sua voz e repete a frase anterior. A teoria das cinco balas de Sem Mão acabara de ser refutada, pois com essas informações, suas chances aumentaram consideravelmente, deixando a arma com apenas uma bala. Estava muito claro para Giovane que Sabrina aparentemente gostava dele, mas não queria que isso fosse exposto. Passado certo tempo da aula, mais uma vez Sabrina diz que é um bom lugar e que ela consegue observar muito bem essa "coisa" e foi respondia por Vinícius: Mas do seu lugar anterior, você também consegue ver. E logo veio a resposta: Sim, mas daqui eu consigo ver mais de perto, logo esse lugar é melhor. Ele sabia que, ou se tratava dele ou de algum de seus amigos que sentavam perto, e estava bem convencido de que se tratava dele. Nesse momento, Giovane estava pulando de alegria por dentro, mas por fora só se via sua expressão mais comum: a de indiferença. Ninguém simplesmente olhando, poderia saber a felicidade que residia dentro de Giovane naquele instante. Ele foi para casa se sentindo renovado e feliz, só não voltou saltitando por motivos de masculinidade. O que aconteceria depois?
No dia seguinte, Giovane não foi para a escola. Ele havia ido ao médico, e como o sistema de saúde do Brasil não é dos melhores, não conseguiu voltar a tempo de ir para a escola. Ainda nesse dia, pela primeira vez ele decide tirar seu bigode e por incrível que pareça, se achou mais bonito e se sentiu deveras confiante em sua jornada. Por volta das 18 horas, conversa por mensagens com seu amigo Sem Mão e lhe conta sobre o que havia descoberto ouvindo aquela conversa, e para desanimar um pouco nosso herói, Sem Mão diz que o "G" mencionado na conversa, poderia ser de Gustavo, outro aluno da mesma sala, mas Giovane prefere acreditar que ela se referia a ele. Logo em seguida, começa a conversar com Marcos, que também fica ciente da situação e diz:
- Ela está brincando com você, cara...
- Não, estou tão confiante que apostaria cinco reais que ela não está brincando!
- Cinco reais? Apostado então! Mas para você ganhar, ela tem de deixar explícito que aceita você. Assim como para eu ganhar, ela deve deixar explícito que rejeita você.
- Claro.
Giovane não possuía cinco reais, nem sabia onde conseguir, mas estava confiante.
16 de agosto de 2018, nosso protagonista aparece na escola e diferentemente do último dia, não parecia tão tenso, parecia até mesmo confiante do que iria fazer. Logo Marcos apareceu:
- Está fechada a aposta de hoje?
- Com certeza!
- Você sabe que vai perder, né?
- Certamente que não, estou tão confiante que nem trouxe o dinheiro, como sinal de que sei que não vou falhar! – Cada frase que nosso protagonista falava, era dita com convicção.
- Se está tão confiante assim, suba a aposta para dez reais!
Giovane pensou por alguns segundos. Ele não tinha esse dinheiro em mãos, mas para mostrar confiança à Marcos e a si mesmo, subiu a aposta.
- Feito!
No instante que disse isso, o sorriso malicioso que habitava o rosto de Marcos fora substituído por uma expressão de espanto. Não podia acreditar que nosso herói estava tão confiante. Porém, durante toda essa conversa na aula, Marcos decide contar à professora de ciências sobre a aposta, e para a surpresa de ambos, ela havia achado uma aposta interessante.
15:30, havia chegado a hora do intervalo, a hora da verdade. Quando pôs o pé para fora da sala de aula, soube que duas coisas importantíssimas estavam em jogo: Seu futuro amoroso e dez reais, que podem não parecer muito, mas na época que o país estava... Ele achava que seria fácil, mas estava muito enganado, pois quando estava fazendo o reconhecimento do melhor lugar para a abordagem, pôde sentir sua perna fraquejar. Depois de dar algumas voltas na escola e consequentemente acabar encontrando com Sabrina no caminho, ele havia achado que estava pronto e quando foi procurar seu alvo em movimento, não o encontrou, no entanto, logo descobriu que ela estava sentada, com sua amiga já mencionada anteriormente. Não havia mais escapatória, teria de se declarar na próxima volta e podia sentir seu coração bater cada vez mais forte ao se aproximar do local. Infelizmente, ao chegar e estar preparado, se depara com mais 4 garotas conversando com Sabrina e sua amiga, o que fez nosso herói alterar o curso e ao invés de parar, acabou seguindo sua trajetória comum. Faria na próxima volta, não importava o que acontecesse, porém, ao chegar novamente e ver que só estavam ela e sua amiga sentadas, não conseguiu. Era como se uma força desconhecida o impedisse.
Bate o sinal para todos voltarem para suas salas de aula e nosso protagonista entra e percebe que teria uma aula vaga, e logo seu lamento em não ter conseguido se declarar, se tornou em forças para tentar agora que não haviam tantas pessoas lá fora. E mais uma vez não conseguiu, até que Sem Mão propõe um desafio: reproduzir um desenho de seu amigo Raul, um cara vidrado em desenhar, e Giovane aceita, pois ficar andando e se lamentando não era a melhor atividade. Chegando onde Raul estava, Sem Mão explica o desafio, porém, por algum motivo Raul pega uma folha e corta em duas, dando uma parte para Sem Mão e outra a si mesmo. Giovane não se importa. Na verdade, parecia não se importar com mais nada depois de ter fracassado em conversar com uma garota. Sem Mão reproduz um desenho de um homem com terno roxo e gravata que Raul havia feito. A única diferença, no entanto, foi que sua reprodução ficou parecendo o cruzamento de um desenho de uma criança sem talento com um feto malformado em um pote com formol. Após isso, aparentemente Sem Mão ficou tão entediado quanto nosso protagonista e decidiu voltar a andar, quando de repente veem Marcos e o namorado da amiga de Sabrina tentando tirar a namorada de Marcos e a amiga de Sabrina de um banco no qual estavam todas sentadas. Giovane pensou que poderia ser Marcos querendo ajudá-lo a conseguir, mas qual seria sua motivação além de perder dinheiro? E eles conseguiram tirar as garotas do banco, deixando Sabrina sozinha, que decidiu levantar e começar a andar, mas nosso herói não pensou em abordá-la, simplesmente não tinha a coragem para isso. E acontece que ele era um cara muito corajoso quando se tratavam de brigas e tudo mais (até enfrentou um bando de garotos que estavam o incomodando uma vez), mas quando se tratava de garotas, ele não sabia o que fazer. Depois disso voltou para a sala a tempo de acompanhar as duas últimas aulas de geografia. Contudo, no final da última aula, Marcos veio conversar com nosso herói:
- E aí cara, cadê meus dez reais?
- Eu não falei com ela, logo não tomei um fora, o que significa que eu ainda fico com meu dinheiro.
- Porra, cara. Qual a dificuldade? É só chegar lá e falar " eu estou afim de você, vamos ficar juntos? " E acabou.
- Se fosse tão fácil assim, eu já teria feito há um ano e oito meses atrás...
- Mas é fácil!
- Não para mim. Me falta coragem.
Então Marcos decide tomar uma abordagem mais agressiva.
- Olha lá a bunda dela como é grande! Você não quer ter isso?
Giovane continuava dizendo que não tinha coragem.
- Olha lá, o cara foi dar tchau para ela e passou a mão na bunda dela! E ela ainda deu risada! Você vai deixar o cara fazer isso com sua futura esposa?
O sangue de Giovane fervia, como se ele mesmo fosse explodir a qualquer momento, mas ele era um cara calmo e conseguiu se manter normalmente apenas dizendo " calma e tranquilidade " a si mesmo enquanto Marcos dizia:
- Se amanhã você não conseguir, você vai ter de dizer para todo mundo que você é um merda e eu sou superior!
- Okay, já me considero um merda normalmente...
Mas aquela conversa lhe deu forças para o que ele faria no dia seguinte.
Dia 17 de agosto de 2018, nosso herói está prestes a sair de casa, enquanto seu pai assistia tevê, e de relance, pôde ver a notícia mais bizarra que já havia visto em toda a sua vida: " Homem-Aranha do crime " que aparentemente era um ladrão que escalava prédios tão bem que recebeu esse nome.
Chegando na escola, pronto para fazer um trabalho de artes, acaba descobrindo que haveria outra aula vaga, já que sua professora tinha faltado, o que o deixou feliz e enraivecido. Quando já havia saído da sala e estava andando pela escola, começa a falar com Sem Mão desse livro que está sendo escrito agora mesmo.
- Vai ter muita coisa nesse livro!
- Essa conversa também?
- Provavelmente, já que eu vou colocar qualquer coisa que pareça insignificante o suficiente no lugar de alguma informação que seria crucial, ou seja, essa conversa vai direto para ele.
- Bem, isso não seria meio que...
- Um Inseption muito foda!
- Eu ia dizer quebra da quarta parede, mas Inseption também está valendo.
- Não é bem uma quebra da quarta parede. Eu só estaria fazendo isso se eu dissesse: " Ei, você aí que está lendo esse livro, como é que você está? "
- É, realmente...
Ao andar, se deparava algumas vezes com Sabrina andando com Marcos e outra pessoa não apresentada anteriormente: Kauã. Em algum momento, Marcos tentou parar Giovane o empurrando e lembrando que ele tinha de concluir sua tarefa naquele dia, ou então seria um fracassado.
- Você tem até hoje para conseguir.
- Veja bem, meu amigo, até a meia-noite ainda é hoje.
E essa foi uma sacada bem esperta, tenho que admitir. Enfim, nosso protagonista continuou andando um pouco até que...
- Giovane! Chega aqui! – Disse Marcos aos berros sentado em um local perto de uma árvore.
- Porra... – Disse Giovane.
E foi andando até chegar a ele.
- Que foi, cara? – Perguntou em tom de desânimo.
Eu preciso que você tire uma foto.
" Uma foto? " Pensou Giovane, achando que poderia ter um esquema armado por Marcos.
- Ok, vamos lá!
E foram caminhando em direção à uma outra parte da escola. Quando chegaram, nosso herói se pôs em posição e segurando o celular de Marcos, estava pronto para fotografar. Enquanto olhava para a tela do celular, podia ver Sabrina e sua beleza, ao mesmo tempo que pensava " Caralho, eu sou um merda meu irmão! " E tirou a foto. No entanto, o que não sabia, é que quando já ia se retirando do local, Marcos o chamou e disse:
- Não, cara. A gente só quer que pegue essa parte da parede.
- Ah, ok.
E novamente estava em posição observando Sabrina pela câmera, e logo tirou outra foto. E dessa vez, conseguiu voltar à sua rota sem ser chamado mais uma vez. Andava e andava, sem rumo, sem destino, sem coragem, quando com sua super audição pôde ouvir Sabrina discutindo com Marcos, atrás dele.
Ouvindo isso, ela decide desafiar Marcos para uma briga, e ele logo se acovarda. Como Giovane, ele não tinha coragem. Quanta hipocrisia, não é mesmo, caro leitor? No entanto, ele logo teve uma ideia.
- Vai lá e usa essa raiva no Giovane!
E Giovane continuava andando na frente apenas ouvindo essa conversa, quando foi chamado.
- Giovane! Chega aqui!
E lá ele foi conversar com ele.
- O que foi dessa vez?
- A Sabrina quer te dar um soco.
Mas ela não queria.
- Não, eu não vou! – Disse ela.
- Por que não? – Perguntou Marcos
- Porque eu estou com raiva de você, não dele!
Mas depois dessa breve conversa, Giovane notou um olhar de Sabrina dirigido ao nosso herói. Sabrina realmente teria olhado para ele da forma que imaginava? Ou só estava ficando louco? Descobriria tudo isso em breve...
Dia 18 de agosto de 2018, sábado, por volta das 22:30 da noite Giovane é contatado por Marcos com uma mensagem:
- E aí, cara?
- Opa.
- Tudo beleza, cara?
- Tudo de boa.
- Então, cara... eu acho que você perdeu a aposta.
- Não, pois a aposta não tinha prazo. A única coisa que tinha prazo era eu dizer que sou um merda e a sexta já passou, então você foi enganado...
- Aí é que está, meu amigo quem está se enganando é você mesmo. O único que está sofrendo por amor é você.
- Sim, mas ainda assim, a cada dia minha coragem vai aumentando...
- Não se iluda meu pobre amigo. Esse seu coração não merece sofrer!
- Eu estou apenas contando os fatos.
- Não ame aquela garota, ela não merece você.
- Se fosse tão fácil assim... E você não vai me fazer desistir, porque sou brasileiro e brasileiro não desiste nunca!
- Entendo, apenas não quero que sofra por algo que não tem futuro.
- Eu já sofri para caralho, eu tentar isso não vai aumentar a dor que eu sinto por não estar ao lado dela.
- Você realmente quer isso, não quer?
- Sim, porra!
- Para que você possa ver que eu não estou mentindo. Eu nunca disse isso para você, porém... eu realmente não tenho nada para fazer.
- Etcha porra!
- Sim, essa foi a única palavra que você nunca me ouviu dizer.
- E qual seria? – Perguntou Giovane apenas para ver Marcos admitindo que estava tão perdido quanto ele.
- Eu não sei o que fazer.
- Ca ra lhou.
- Por conta dela, não tem muito o que fazer.
- Isso mostra que é um caso absurdamente difícil.
- Sim, porém não impossível.
- Até porque nada é impossível, exceto o Palmeiras ganhar um Mundial. Isso é impossível.
- Kkk verdade. Como eu já vi que você não vai desistir da Sabrina...
- Certamente que não.
- Eu vou pelo menos tentar ajudar.
- Que bondoso.
- Porém, como nada na vida é perfeito, eu vou usar minhas técnicas...
- Caralho. Tenho trauma dessas técnicas.
- Pode apostar! Até porque, eu aprimorei elas...
- Acho bom mesmo, kkk
- Porém não foi para um lado bom! Foi para um lado mais extremo.
- Puta merda.
- Eu já pensei no que vou fazer. Funciona muito em filmes e novelas.
- Diga-me.
- Vou trancar vocês dois, em algum lugar sozinho.
- Caralho. – Giovane já sabia que aquele plano não iria funcionar, porém decidiu ouvir até o fim.
- Vai ser perfeito. Você vai ver, aí é por sua conta. Na verdade, a parte mais difícil sempre vai ser para você.
- Eu estou com um certo medo do que pode acontecer.
- Ela pode falar tudo que sente por você, ou ela pode ficar de fato com você.
- Ou pode não acontecer nada.
Depois de um tempo de conversa Marcos se convenceu de que seu plano não era dos melhores. Até que disse:
- Eu te ajudo e você me ajuda. Eu te ensino o que sei, e você o que sabe...
- O que exatamente você precisa?
- Eu quero saber como você pensa tanto e quero saber como você é tão concentrado, etc....
- Caralho, sério?
- Sim.
- Ok, aqui vai. Não tem segredo: Você só tem que pensar que sua vida dependesse daquilo. Mas, o lance de ser pensativo, acho que é porque eu não tenho muito o que fazer, apenas pensar.
- Ótimo!
- Espero ter ajudado.
- Ajudou sim, muito obrigado. Agora o que você precisa?
- Fora o lance da Sabrina, nada.
- A melhor opção seria chegar nela em alguma hora em que ela estivesse sozinha ou falar que é uma conversa em particular.
- Sim, o lance é que eu preciso de coragem.
- Quer saber, você transmite confiança. Algo que eu queria muito transmitir.
- Só reprimir suas emoções e mostrar nos momentos mais cruciais.
- Como assim?
- Você nunca sabe se eu estou feliz ou triste, certo?
- Certo.
- Mas as minhas emoções mudam. Tudo que eu faço é mostrar o que eu quero que os outros vejam: A minha cara de indiferença de sempre.
- Porra.
- É basicamente só isso.
- Valeu, cara.
- Você me ajuda muito, estou retribuindo.
- Muito obrigado. Mesmo, cara.
- Não há de quê.
Dia 19 de agosto de 2018, Marcos envia uma mensagem por volta das 21:00 para Giovane:
- Cara, estamos na mesma situação. Eu me apaixonei e ela não dá bola para mim. Fudeu, eu me apaixonei. Isso não é natural no universo.
- Vamos conversar.
- Fudeu.
- Você se fodeu.
- Sim, Fudeu. Eu me apaixonei e isso não é normal da porra da natureza! Eu sou Marcos Ribeiro, não posso me apaixonar!
- Agora sente o que eu sinto há quase dois anos. Não é fácil quando é com você, né?
- Literalmente não. Mano, ela é maravilhosa e não me dá bola. Nem com meus truques e experiência não consigo.
- Você sabe que se eu conseguir ficar com a Sabrina e você não pegar essa mina, o mundo deu uma puta volta.
- Sim.
- Algo de errado não está certo.
- Nem um pouco. Mas, mano ela é perfeita! Pensa na Sabrina e multiplica por 20.
- Impossível!
- Juro.
- Para mim não existe nenhuma garota na face da terra que se compare à beleza da Sabrina. Acho que o amor faz isso...
- Mano, Fudeu. Eu me apaixonei. Pera aí...
- Eu poderia ser muito cuzão e não ajudar, mas você tentou me ajudar, então farei o que puder.
- Pronto. Não sou mais apaixonado.
O amor não é brincadeira de criança, é coisa séria e não se livra do amor tão rapidamente. E Giovane sabia disso, então ou Marcos não estava apaixonado desde o início, ou ainda estava apaixonado ou talvez estivesse inventando tudo aquilo.
- Ata kkk.
- Sério, passou. Eu me controlei.
- O amor vai e vem como uma montanha-russa.
- Não. Não comigo.
E foi então que nosso herói se preparou para fazer um dos melhores discursos de todos os tempos.
- Você pode ter esquecido agora, mas vai pensar nela de novo. E aí fodeu. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi é que você tem que insistir...
- Não. Foda-se.
- ... até não ter mais forças. Você não vai esquece-la, apenas aceite o destino. Se você não tentar, alguém vai e você vai ficar muito arrependido. Então você não vai desistir, porra! Logo você, o cara que me incentivou a correr atrás da Sabrina, não pode simplesmente desistir. Essa pode ser a mulher da sua vida, então você teria que ser muito burro para deixar de tentar. E é por isso que você vai correr atrás dela.
Esse foi um puta discurso. Foi tão bom que parece que foi redirecionado a si mesmo e deu forças para ele fazer o que faria amanhã.
Dia 20 de agosto de 2018. O que nosso herói fez? Nada! Até tentaria falar com Sabrina, mas o problema é que não a via. Ficou todo depressivo por passar mais um dia sem conseguir e foi para casa. Chegando lá, sente uma certa fome e decide fazer uma omelete. Uma coisa que deve ser dita anteriormente, é que independente de quanta pimenta do reino colocasse, não conseguia sentir a picância que deveria. Fazendo a omelete, coloca pimenta do reino e seus dedos ficam sujos. Logo vem seu pai, com uma má intenção.
- Lambe a pimenta aí para você ver que não arde quase nada.
Giovane confiava em seu pai então provou e por um segundo pensou " nossa, não arde mesmo ", mas estava muito enganado e arrependido, pois depois de dizer isso, pôde sentir sua língua queimando como carvão em brasas, então pensou " vou tomar um copo de leite e estará tudo resolvido ", acontece que no momento a caixa de leite que estava na geladeira, havia acabado e Giovane teve que esperar cerca de trinta segundos de pura dor e sofrimento até conseguir abrir outra caixa de leite.
Esse pequeno conto não interfere em nada nossa história, mas achei que deveria ser compartilhado.
Quinta-feira, 23 de agosto de 2018. Nosso herói já está na escola durante a terceira aula, esperando o sinal para o intervalo. Ao ouvi-lo, Giovane, como sempre, começa a andar em voltas, porém, mais uma vez se depara com Sabrina, mas dessa vez ela não está andando, e sim parada com algumas garotas, o que eliminava completamente a possibilidade de tentar fazer seu plano, então apenas segue seu caminho. Voltando para a sala, ele não sabia, mas sua vida que já era depressiva, estava prestes a ficar pelo menos três vezes pior, por um tempo. Ao entrar e sentar em sua cadeira, pôde ouvir Yasmin, sua prima, dizer claramente que era um cupido, logo em seguida Sabrina conversa com alguém que ele não conseguira identificar, mas ouve a seguinte frase durante a conversa " Eu virei e dei um beijo na mina ". Naquele momento, não sabia o que fazer. Seus olhos começaram a lacrimejar como se estivesse cortando um milhão de cebolas enquanto um anão tailandês chicoteava suas costas. Sentiu que todo o sentido de sua vida havia acabado, sentiu-se como se o chão que estava aos seus pés havia desabado. Para esconder sua tristeza de todos e de si mesmo, Giovane adotou um comportamento bem agressivo, mas enquanto conversava com Marcos ouviu-o dizer:
- Vamos fazer uma aposta amanhã. Tipo os gringos jogam pôquer e apostam salgadinho essas coisas, já a gente que é fudido aposta bala. A gente poderia, sei lá, jogar algum jogo de azar tipo pôquer, truco...
- Eu toparia um truco. – Disse nosso protagonista.
- Ok, então amanhã todo mundo traz bala para apostar e a gente joga um truco.
Chegando em casa, de noite, Giovane decide contar a seus amigos sobre o motivo de ter ficado tão furioso a partir do intervalo, exceto por uma parte que ele não conseguia parar de rir como se fosse um retardado " Bebidas Xabás ". E ao contar para Semeão, ele recebe um discurso motivacional quase tão bom quanto o que havia feito para Marcos.
- Giovane, sabe o que você precisa?
- O que?
- TVNC
- Wtf?
- Tomar vergonha na cara.
- Porra, semeon.
- Criar coragem e ir.
- Sim. Só preciso do meu bigode, ele me transmite segurança.
- Não deixe que coloquem o dedo na sua cara e digam quem você é!
- Minha autoestima começou a subir...
- Virou mó conversa motivacionap. Maldito correto. R.
- Maldito analfabetismo!
- Cara, você é o cara!
- É bizarro que eu nunca pensei que não conseguiria por falta de coragem, mas sim por rejeição.
- Você vai conseguir. Se tiver a lábia mais do que perfeita, você é imbatível!
- Sim, eu só preciso chegar nela.
- E puxar um bom papo.
- Com puxar um papo, você deve saber que eu vou chegar fazendo a proposta.
- Hum, é mesmo?
- Se a porra do Marcos tivesse seguido o plano...
- Então quando você chegar nela, já sabe...
- Agora tenho que ir.
- Vou recobrar o favor do Marcos, mas falous.
- O Kauã está mandando eu jogar com ele.
- Olha só, escravatura, mas falous.
Naquele mesmo dia, ele cobrou o favor e Marcos concordou em ajudar.
Dia 24 de agosto de 2018, na escola durante a primeira aula que deveria ser de artes, mais uma vez é uma aula vaga. Ao andar com Sem Mão e Raul, como sempre nosso herói se depara com Sabrina sentada com algumas amigas. Dando algumas voltas, durante uma delas, ao passar pelo grupo de garotas, nosso protagonista consegue ver claramente Sabrina olhar diretamente para ele por cerca de três segundos. E não era qualquer olhar, era um olhar tão certeiro que não havia a possibilidade de ela estar olhando para algum outro lugar. Esse fator somado às informações que Giovane havia conseguido ouvir ao longo do tempo, lhe dava uma chance de 99% de Sabrina estar afim dele.
Feliz para cacete, depois que a aula vaga acaba, volta para a sala e vai fazendo as lições até chegar a última aula de geografia. Todos haviam se lembrado do que Marcos havia combinado sobre o truco. Mas ninguém trouxe um baralho.
Depois de tudo isso, com sua confiança, nosso herói faz uma das coisas que mais se arrependeria em sua vida, ele decide aumentar a aposta que havia feito com Marcos para 20 reais. Se ele conseguisse, seria ótimo ganhar esse dinheiro, mas Giovane não pensou no caso de não ganhar a aposta, pois estava cego pela ganância do dinheiro fácil. Marcos aceita a proposta e dessa vez foi mais esperto por ter colocado um prazo de dois dias na aposta.
Durante alguns dias, nada de tão importante acontece que deva ser mencionado nesse livro. Isso até o dia 30 de agosto de 2018...
Giovane decide que pediria Sabrina em namoro durante o recreio, mas para isso precisaria da ajuda de Marcos, que concordou em ajudar depois de certas negociações.
É chegado o intervalo e a tensão estava subindo, até porque agora além de Sabrina, 20 reais estavam em jogo, e nosso herói não tinha nem perto disso...
Giovane anda durante o recreio procurando Marcos e acaba o encontrando.
- Então, cara... agora seria uma ótima hora para aquela ajuda...- Disse nosso protagonista.
- Ah, sim claro, claro... A gente só precisa encontrar a Sabrina...
E lá se vão Marcos, Giovane e Thiago (Não o Sem Mão) procurando a garota. Até que Marcos tem uma genial ideia (sem sarcasmo).
- Giovane, faz o seguinte: fica ali na árvore que eu vou ver se eu encontro ela e chamo-a aqui.
Nosso herói concordou com a cabeça e foi se dirigindo à árvore. Chegando lá, não parava de pensar o que iria dizer, até que de relance, consegue ver Marcos caminhando com Sabrina em sua direção. Eles haviam chegado.
- Então, o Giovane tem um negócio para te falar...
"É agora", pensava Giovane. Não havia mais escapatória.
- É então, é sobre o lance que eu ia falar ontem... Sabrina eu sou absurdamente afim de você, e você sabe disso, então... quer namorar comigo?
- Então... no momento eu não estou disponível..., mas se quiser a amizade, estamos aí.
Ele se sentia arrasado, detonado, zuado, fudido, quebrado.
Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Giovane, que agradeceu a Sabrina por ter cedido seu tempo e foi embora andando. Por incrível que pareça, ele se sentia libertado. Triste, porém, libertado.
E nossa história termina aqui com um final não tão feliz(ou será que não?).
E com essa finalização, eu agradeço por ter tirado um tempo do seu dia para ler isso.
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Quais os sentimentos dele (a) ainda por mim? O que posso esperar? Tarot - Estou morrendo por dentro esperando por Ele ( a ) , o que eu faço??? Como está pensamento dele/a comigo e sentimento ? e com a rival? O que ele (a) está sentindo por mim hoje? DESCUBRA AGORA!❤️ Ele ( a ) me procura para se declarar ??? CARTAS CIGANAS - O QUE ELE ESTÁ SENTINDO POR MIM ATUALMENTE? Ele(ela) está feliz ao lado dela(dele)?? ???Tarot revela.❤

Como Lidar Com Sua 'Quedinha' Quando Ele Sabe que Você ...

  1. Quais os sentimentos dele (a) ainda por mim? O que posso esperar?
  2. Tarot - Estou morrendo por dentro esperando por Ele ( a ) , o que eu faço???
  3. Como está pensamento dele/a comigo e sentimento ? e com a rival?
  4. O que ele (a) está sentindo por mim hoje? DESCUBRA AGORA!❤️
  5. Ele ( a ) me procura para se declarar ???
  6. CARTAS CIGANAS - O QUE ELE ESTÁ SENTINDO POR MIM ATUALMENTE?
  7. Ele(ela) está feliz ao lado dela(dele)?? ???Tarot revela.❤

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